
Em meados de Abril de 2021 Fernando Medina descobriu que terá havido algo de errado no exercício político de José Sócrates. Por razões que nunca se poderão compreender – dado que eram consabidas as práticas pessoais do antigo primeiro-ministro, bem como públicas as suas concepções sobre o exercício do poder, em especial nas formas de articulação do Estado com os sectores económicos e de pressão sobre a comunicação social -, Medina nunca demonstrou incómodo com o modo político de José Sócrates enquanto foi secretário de Estado dos dois governos que aquele chefiou. Bem pelo contrário, foi um veemente apoiante do “animal feroz”, um arreigado agente do pior momento da democracia portuguesa.
Poder-se-á assim dizer-se-lhe “tarde piaste!”. De facto, muito tarde piou. E apenas “para inglês ver”, pois é notória a dimensão de camuflagem deste seu hiper-tardio afastamento a Sócrates.
Ainda assim, apesar desta demonstração do carácter político de Fernando Medina, há quem o apoie. E desvalorize o verdadeiro escândalo – que deveria inibir a continuidade da sua carreira política – das dezenas (ou talvez mesmo centenas) de denúncias de activistas, nacionais e estrangeiros, às embaixadas estrangeiras. Entre as quais saliento as de activistas pró-palestianos à Israel de Benjamin Netanyahu, as quais, até surpreendentemente, não têm provocado grande alarido nos seus opositores eleitorais BE e PCP, tradicionalmente afectos à causa palestiniana. Tal como desvalorizam esta outra manobra de camuflagem que vem fazendo, a de tentar resolver esta suas continuadas inconstitucionalidades através da imolação de um funcionário expiatório.
Para esses munícipes menos atreitos à vigência da democracia, e que por isso este escândalo desvalorizam, também pouco importam as anteriores promessas eleitorais que Medina fez e não cumpriu: 13 centros de saúde, milhares de lugares de estacionamento automóvel, centenas de camas hospitalares, 6 mil fogos de habitação social.
Muitos se encantam – deixam-se encantar pela mole de “Miguel Sousa Tavares” disponibilizada – por estar a cidade “ajardinada”, qual alindada. Como se de jardins públicos, seus bustos apostos, e cemitérios fosse a cidade feita. E descuram olhar de frente para o tipo de pessoa que é o actual presidente da câmara, para a sua concepção de exercício político, bem patente na forma como digere (e quer camuflar) o seu arrepiante percurso político. E tanto se encantam esses munícipes que aceitam o desplante de Medina, que agora se recandidata juntando mais um item ao rol de promessas eleitorais incumpridas: creches municipais gratuitas. É, e neste caso de forma literal, uma total infantilização do eleitorado.
Será que este cresce, de uma vez por todas, que nos decidimos a amadurecer? Caramba, há várias alternativas. Afastemos, nós lisboetas, este homem. E encaremos depois, criticamente, aqueles que forem eleitos. Mas este, francamente, é demasiado demenos.

Não desprezar os portugas que se revêem no Medina. Um tipo que, apertado, consegue não só safar-se como também sair por cima, passando a culpa a um qualquer terceiro. Se calhar há muito lisboeta sentadinho na poltrona e a dizer, “este gajo é que a sabe, precisamos é de um PM assim para endireitar o país”.
Lisboa dos jardins e praças requalificadas, é a visão que esta gente tem das cidades: para turistas. Grandes fotos e posts no instagram se produzem em Lisboa.
O resto… o resto é o resto. Não vejo o Medina a levantar a peida da cama às 6 da manhã para apanhar 4 ou 5 transportes até ao emprego, com mil e uma rezas pelo meio para que aqueles não se atrasem. Portanto, quem não sabe é como quem não vê.
A falta de atenção é transversal. Nenhum dos actuais governantes notou algo de estranho na actuação do seu então Primeiro. Agora temos um Presidente, também ele PM, que ao que tudo indica andou a gamar um conhecido e glorioso clube de futebol, sem que qualquer outro dirigente ou director financeiro desse pela coisa.
Pois, até o seu vice vai ascender como se fosse cristalino
Medina é um menino!
não é, não. Antes fosse…
Mais um sacana (pastor) rodeado por um rebanho de ovelhas e cabritos à espera que cheque o dis do festim.
“O cabrito come onde está amarrado” (provérbio africano)
Não voto em Lisboa onde vivi entre 1986 e 2009 e que em boa hora me vim embora. Medina é a versão revista e piorada do seu “padrinho” Costa. Costa enquanto lhe deu jeito esteve “unha com carne” com Sócrates, quando a coisa deu para o torto deixou de saber quem Sócrates era. Medina com Luís Filipe Vieira tomou exactamente a mesma posição.
Pedro Cunha
É um padrão comportamental, é uma mundivisão, uma concepção do exercício do poder. E no caso de Medina, justiça lhe seja feita, José Sócrates respondeu-lhe muito bem.
Em linguagem futebolista , Medina chega sempre atrasado ou então é um gênio distraído.
é um “falso lento”
Funky cold Medina