Os 100 dias de António Costa


Rui Rocha,

Sejamos sérios. A gestão política de António Costa durante os meses que leva como líder do PS são um desastre. As declarações recentes perante a comunidade chinesa confirmam-no. E a questão não está, ao contrário do que dizem alguns, em existir um discurso para o exterior, mais positivo, e um discurso crítico da situação para consumo interno. O problema está em António Costa não ter a mínima ideia sobre o que fazer com o país. Se tivesse, não existiria problema  em salientar os progressos feitos durante quatro anos, para depois sublinhar internamente todos as áreas em que o governo falhou e em que é possível melhorar. Melhorar muito. Mas sobre propostas, já se sabe. Costa não faz. Tirando as que apresenta sobre temas relevantíssimos como o feriado no carnaval ou a de ter uma loja do cidadão em cada concelho. E, portanto, o que choca nas afirmações de Costa é a dissonância gratuita entre o discurso para dentro e o que faz para fora, sem que se encontre no que dirige aos portugueses outra coisa do que afirmações redondas, vazias, oportunistas, hipócritas e demagógicas. Neste cenário, a solvência eleitoral de António Costa assenta neste momento em não mais do que três pressupostos. O da inépcia de Passos Coelho, o da falta de uma comunicação social que seja capaz de desafiar-lhe a mediocridade da proposta política e o de que essa falta de exigência democrática contamine o sentido crítico dos eleitores portugueses. E, relativamente a cada um destes pressupostos, António Costa está, obviamente, carregado de razão.

0 comentários em “Os 100 dias de António Costa”

  1. Mas a merda toda, mermão, é que com a merda que se justifica por não pagar contribuições, como é o caso das justificações dadas por garotos a respeito das contribuições não pagas por Passos, o que só revela que a falcatrua é justificável, não deixa alternativas a não ser votar em Costa.

    É que este, Costa, baixa a dívida em Lisboa e parece não ter dívidas fiscais. Pode ser desastrado, mas é honrado.

    1. Concordo sem reservas com o primeiro parágrafo na parte em que analisa a conduta de Passos Coelho. Temo que o segundo parágrafo esteja completamente errado relativamente a António Costa. A honestidade fundadora é a intelectual. Dessa, tenho-lhe visto pouca.

      1. Mermão, tudo isso que afirma também falta aos outros. E aos outros não só falta isso como aquilo que caracteriza Costa pela positiva.
        Logo, do MAL O MENOS.

    2. Pois num dia em disse precisamente o contrário do que diz chama-lhe honrado.

      E pior honrado a alguém que foi o Númeroº2 do Governo Sócrates.

      Orwell está bem presente nas suas palavras.

      Depois fala de cortes na dívida quando o corte só foi possível pela venda de património.

    1. É uma boa sugestão a que nos deixa. Mas é importante sublinhar que o facto de Deus ser Amor não nos pode levar a amar satanás e o que ele representa.

      É este o tipo de catequese que deve ser complementar à afirmação Deus Caritas Est.

  2. “A gestão política de António Costa durante os meses que leva como líder do PS são um desastre.”

    E a gestão política de António Costa durante os meses que o levaram a líder do PS também. E os meses que passou na Câmara também (um vazio imenso, do tamanho do compasso de espera que esteve a fazer; mais uma vez Lisboa —a minha cidade— refém destes oportunistas de ocasião sem jeito nem talento e a precisar tanto de alguém que perceba de urbanismo). Só não vê quem não quer.

    E só quem não vê que os políticos em Portugal só derrubam, só fazem oposição de bloco, não arregaçam as mangas e não se sentam a trabalhar em ideias e soluções — trabalham esquemas, maroscas e golpes de secretaria que nos condenam a um atraso permamente. Sobretudo a esquerda. Temos uma esquerda palaciana.

  3. E a agravante é que o Gandhi do Intendente não chegou lá inesperadamente, de pára-quedas. As primárias abertas a simpatizantes demoraram 4 ou 5 meses e depois passaram-se mais 2 até ter sido eleito SG do PS.

  4. Costa está carregado de Ferro, de grades de Évora e do alforge dele próprio ás costas. Boa razão.

  5. António Costa, tem de acordar, do marasmo em que anda, pois se não o fizer, arrisca-se a ficar numa paralisia política que em nada, interessa aos portugueses, mas em tudo, interessa à oposição.

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