
Aquando do verdadeiro golpe que constituiu a criação deste governo, Passos Coelho garantiu que o líder do PS não poderia esperar o apoio do PSD e CDS no futuro. E assegurou que António Costa deveria demitir-se se alguma vez precisasse dos votos do PSD. Palavra dada tem que ser palavra honrada. É por isso que, se o PCP, que apoiou a formação deste governo, não viabiliza o orçamento rectificativo, muito menos o PSD ou o CDS o podem viabilizar. Se, como tudo indica, o PSD viabilizar o orçamento rectificativo, acho que deve ser Passos Coelho a demitir-se da liderança. O país precisa de uma oposição a sério a este governo e não de partidos amorfos, que vêem o seu próprio governo ser derrubado e vêm logo a seguir oferecer a outra face, apoiando quem os derrubou. E não me venham com a treta do interesse nacional. O interesse nacional é precisamente que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida. O voto do PSD a favor deste orçamento só demonstrará uma coisa: que António Costa tem todas as condições para ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é que não tem manifestamente condições para continuar a liderar a oposição.

que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida
Eles terão que ser gastos de qualquer forma, dado que, se não se meter dinheiro no BANIF, este terá que encerrar e terão que ser ressarcidos todos os depositantes até 100000 euros. Como o Fundo de Garantia de Depósitos não tem esse dinheiro, nem o terá tão cedo, terá que ser o Estado a chegar-se à frente, precisamente com cerca de 3000 milhões de euros, para ressarcir todos esses depositantes.
Concordo.
E como não é um problema de consciência (políticos não usam isso…), só poderá ser uma tentativa de silenciar a possível investigação…
Ou seja, a direita vota contra o orçamento rectificativo e toma o poder com a necessidade desse mesmo orçamento rectificativo. Ora hoje, na oposição, chumbava aquilo que, sendo governo, necessitará de aprovar.
Certeiro.
De acordo, Luís.
Abriu-se hoje a primeira brecha na coligação de esquerda?
Qual brecha? A esquerda não prometeu dizer ámen a tudo! Era o que faltava!!
Tem toda a razão, o país precisa é de ter oposição a sério porque esta oposição, já mostrou por A+B que não presta. Infelizmente este OEr teve de ser feito, devido à inoperância do anterior governo que enquanto esteve à frente da
liderança do país, não fez nada, a não ser Banif e outros que tal.
Só defende esta escandaleira quem vive dela.
O arco da CORRUPÇÃO mais uma vez venceu e Portugal perdeu.
O PS acabou de se pasokizar o que é óptimo , primeiro temos de correr com a xuxalada , depois vamos aos PAFISTAS e como hoje existe net e tá tudo gravado (para nossa protecção dizem eles) não poderão dar o dito pelo não dito.
Quem diz que são todos iguais tem razão e está na altura de correr com os traidores que a laia da “democracia” arruínam Portugal desde 1974 com o apoio de interesses estrangeiros como uma vez mais se viu neste caso em que a comissão europeia deu o álibi para ir empaleando a questão e o Santander com o apoio da TVI da qual é accionista (através da Prisa ) ficou com o doce a preço de saldo.
Tenham Vergonha
Caro Luís, esta é uma das poucas vezes em que tendo a não concordar com a sua análise. Se vejo bem a coisa, penso que está a misturar um pouco dois planos: um plano é o de como deve Passos atuar se o governo apresentar uma medida boa (ou menos má – que Passos parece acreditar que esta é); outro plano é o da bondade desta medida em concreto – e aí concordo consigo: é bastante má. É verdade que Passos disse que Costa se deveria demitir quando precisasse do PSD, mas não pode forçá-lo a demitir-se (exceto talvez votando contra uma medida que considera boa – ou menos má). E Passos também nunca afirmou, ao que sei, que não votaria medidas boas se Costa se não demitisse (apenas disse que contava que Costa o fizesse). A “treta do interesse nacional” está no primeiro plano, não no segundo, como o seu post parece sugerir. E nesse sentido a sua crítica deveria, na minha opinião, naturalmente, dirigir-se à avaliação que Passos faz da medida e não as consequência que Passos deve assumir (demissão) no caso de, como fez, deixar passar a medida. Ou dito de um modo muito mais simples, se “quer demitir” Passos aqui tem que o demitir por discordar da medida, não pelo facto de ele apoiar o governo em coerência com o facto de aparentemente concordar com ela (e independentemente de Costa se recusar a perceber que num mês perdeu o seu governo estável e duradouro – e por isso não se demitir). Cordiais cumprimentos