Está, pois – ao menos de momento – assegurada a estrutura da liberdade. Mas que conteúdos a habitam? Que valores a animam? Que princípios a regem? Por definição do próprio conceito de liberdade, todos. Todos os conteúdos, todos os valores, todos os princípios. Infelizmente, esses conteúdos, esses valores, esses princípios não são sempre nem os melhores, nem os mais válidos, nem os mais humanos ou humanizantes. Uma espantosa anarquia vigora na hermenêutica e na interpretação da liberdade. Anarquia que, no limite, a suprimirá se entretanto não se for realizando a revolução moral indispensável para que ela sobreviva.
Manuel Antunes (1918-1985), Repensar Portugal, 1979.

Gostei que tivesses trazido aqui o padre Manuel Antunes – grande pensador, grande mestre de filosofia, grande professor da Faculdade de Letras.
Passaram 25 anos desde que faleceu, Pedro, mas quando fui aluna em Letras ainda tive eco de quem não perdia as suas aulas. Não tive esse privilégio, mas felizmente a sua obra perdura – muito tenho aprendido a lê-la.