Como era de esperar, os brasileiros não estão satisfeitos com o “acordo” ortográfico. E avançam já com novas sugestões para desfigurar ainda mais a ortografia portuguesa: eliminar a consoante H no início das palavras e substituir CH por X.
Genial. Homens honestos tornam-se omens onestos da noite para o dia e a honra encurta-se para onra. Tudo a golpe de engenharia legislativa liderada por analfabetos funcionais.
Mais fantástico ainda é o método sugerido para aprovar o novo pacote de alterações ortográficas: organizar uma “videoconferência”. E porque não por SMS para encurtar razões?
Ou muito me engano ou não tardarão uns imbecis a defender o mesmo por cá. Há (ou “á”?) gente capaz de apanhar qualquer comboio – ou trem – desde que esteja em andamento.

Sem que me pronuncie sobre a hipotética supressão da letra «h» em palavras como «homem» e «honra», registo a facilidade com que o autor (por certo, inteligentíssimo) trata por imbecis os que pensam diferentemente de si. No seu entender, Luís António Verney, que defendia a ortografia «omem» e «onra», era imbecil?
“À” sempre gente capaz de apanhar qualquer comboio em andamento. Ou qualquer trem.
(neste caso até compreendo: sem h, “aver” comboios torna-se uma expressão quase homógrafa de “a ver comboios”; o melhor mesmo é apanhar um)
O Verney era um gajo maçon que achava que Camões tinha pouco discernimento poético.
Não vale a pena dizer mais.
Estou inteiramente de acordo. Tenho lido comentários dos defensores das grafias mais conservadoras profundamente ofensivos em relação a quem pensa diferente. Não acho admissível tal linguagem e a tolerância em relação aos outros é um ponto essencial em qualquer diálogo racional e construtivo.
Não entendo o conceito de “progressista” ou “conservador” aplicado à ortografia. O que é “progressista”? Adoptar a grafia brasileira de 1911?
Uma escrita conservadora é uma escrita que tende a não se adaptar à mudança natural da língua. Por exemplo, na língua portuguesa (a língua fonética, falada, que é a essência de qualquer língua) deixaram de se pronunciar certos fonemas (como por exemplo, o som correspondente à letra “c”, na palavra “acto), mas a escrita mantém esses sinais gráficos sem valor fonético. É por isso que é conservadora: tende a conservar o que já não tem relevência fonética e, portanto, na essência da língua.
Uma escrita progressita é o contrário disto: trata-se de uma escrita que tende a adaptar-se às mudanças naturais e irreversíveis das línguas.
Julgo que agora ficou claro.
Ado(p)tar a ortografia brasileira de 1911 é, portanto, um a(c)to progressista. Fiquei esclarecido.
Moldar a escrita à fonética – o que nos levaria, desde logo, a suprimir a letra h e a impor a transcrição fonética como convenção ortográfica – é o último grito do progresso. Fiquei esclarecido.
Decretar quatro “reformas ortográficas” em cem anos é reflexo da “mudança natural da língua”, seja lá o que isso for. Fiquei esclarecido.
Suprimir consoantes com valor etimológico e diacrítico corresponde, portanto, a uma “mudança natural e irreversível” da língua, seja lá o que isto for. Fiquei esclarecido.
Espanhóis, ingleses e franceses são, portanto, horrivelmente conservadores. Viva o progresso. Viva a transcrição fonética.
Grato pelos ensinamentos. Deixo-lhe, a título de agradecimento, este brinde: como instalar fontes fonéticas no seu computador: ial_como_instalar_fontes_foneticas.pdf
http://www.fonologia.org/arquivos/tutor
Se a sua posição é manter a escrita sempre igual a si mesma, sem a adaptar ao sistema fonético, então teríamos de regressar à escrita latina da qual surgiu a escrita portuguesa e em vez de escrevermos “ato” ou “acto” deveríamos escrever “actum”, uma vez que os nomes provêm quase todos do acusativo latino. Ora deixou de se escrever “actum” exatamente porque já no latim tardio e vulgar se tinha perdido a terminação em “m” do acusativo e a escrita, veja-se como foi possível fazê-lo!, adaptou-se a esta alteração fonética e a outras posteriores. Temos de ser equilibrados e não cair em extremismos que a lado nenhum conduzem. Logo, parece-me de todo desinteressante a adoção do alfabeto fonético internacional, por várias razões que aqui não exporei por ser necessário uma explanação de maior fôlego. A nossa escrita tem por base um sistema semiótico alfabético e esta tradição deve ser preservada. Mas tal não significa que não façamos aquilo que os primeiros homens de cultura fizeram quando adaptaram sucessivamente a escrita na passagem do latim para o português e na mudança inevitável (para todas as línguas) da forma fonética das palavras portuguesas, tornando, assim, a escrita mais próxima da oralidade. Aliás, a base fonétia da escrita alfabética incentiva-nos a isso mesmo. Contudo, todos sabemos que a escrita tende a ser mais conservadora do que a língua propriamente dita, o que conduz a uma certa distância entre um e outro sistema semiótico. Concluindo: nem tudo ao mar, nem tudo à terra. Equilíbrio e bom senso devem orientar as nossas intervenções sobre a escrita. Mas que as devemos fazer no momento certo, não restam alternativas.
Sempre me fez confusão a aplicação do rótulo “progresso”, que costuma vender bem, à ortografia. Talvez porque as línguas de maior difusão e aceitação no mundo sejam imunes a constantes “revoluções” ortográficas.
Concordo que é uma imbecilidade.
O imbecil é um fingidor, finge tão completamente…
… que chega a fingir “orror” / pela ortografia vigente.
Imbecis? Vai ver que aindam acabam condecorados..
Lembre-se do casteleiro e da prebenda concedida pelo sampaio…
Eu atribuía-lhe a Dor na Espalda… digo, a Torre e Espada.
Já que o que conta é o utilitarismo, não tenhamos medo de levar a coisa até às últimas consequências: muda-se o idioma oficial para o inglês, que há mais gente no mundo a falar e dá um jeitão com os turistas no Algarve, em Lisboa e no Porto.
E põe-se o Zezé Camarinha à frente da Academia. Não se perde nada e talvez até se ganhe.
Ora vês – excelente ideia. De resto, mais estragos do que os actuais cabecilhas seria difícil…
Totalmente de acordo.
k koiza!!! kker dia a gente vaise embaralhar tanto, k acabamos convencidos k, somos abitantes da Ota, assim tipo,otários ok?
Fora de brincadeiras, isso será óptimo para secretárias/os e assessores que culpam os correctores ortográficos pelas calinadas monumentais.
Será óptimo até para certas deputadas.
A estranhar há apenas o silêncio, já não digo da gentalha do costume, mas de uma voz com autoridade e credibilidade que lembre que não estamos a viver numa ditadura e que há muito que, neste assunto, se passaram os limites do admissível.
Quanto aos brasileiros, que façam o que quiserem e inaugurem definitivamente o brasileiro ou o que bem lhes apetecer.
Quem cala consente. Eu não ficarei calado.
surpreendente é esta notícia do expresso:
http://expresso.sapo.pt/40-das-jovens-ag ricultoras-sao-mulheres=f885964
ómessa…
Ontem não comprei o ‘expresso’. Oje também não. Talvez porque não tivesse nada que me xamasse a atenção.
mas este é um número muito especial, devido a esta notícia:
” 40% dAs jovens agricultorAs são mulheres.”
e As restantes 60% serão o quê?
Hum… nem quero pôr-me a imaginar.
E então, Pedro, continuamos sem vergonha de sermos portugueses? Continuamos a adorar a lusofonia? Continuamos a achar que a CPLP serve para alguma coisa?
Para mim a CPLP com o ditador Obiang não serve para nada. Tornou-se aliás um péssimo cartão de visita da “lusofonia”, seja lá o que isso for.
Não sei se ria, se “xore”!…
Eu não xoro. Porque um omem não xora.
O Pedro – e a sua editora – já pensaram em relançar/reeditar o seu livro de modo a abranger estes recentes «desenvolvimentos»?
Não há de tardar muito, caro Octávio.
Acho ótimas ambas as sugestões dos brasileiros.
Substituir o “ch” por “x” fará aproximar a nossa grafia da de outras línguas ibéricas, como o basco e o galego.
Quanto ao “h” no início das palavras, trata-se de uma aberração que não se usa na principal das línguas latinas, o italiano. Se os italianos não usam, pos que raio teremos nós que usar?