Bom, se fosse no PCP, já teríamos lido a palavra “estalinismo” umas trinta vezes hoje, e ainda o dia só vai a meio. Como é no PS, é apenas uma questão dos estatutos do partido, decidida na tal “Comissão Nacional de Jurisdição”. No Bloco é que não sei como é.
Percebo agora melhor a expulsão de Narciso. Pela própria definição do termo, não há lugar para dois Narcisos dentro do partido. O outro já chega e sobra.
– O processo falha, porque os militantes não foram ouvidos.
– No BE , posso falar do meu caso. A distrital propôs a pena máxima (expulsão) à Mesa Nacional ( Órgão máximo entre Convenções), esta criou uma Comissão de Inquérito que me ouviu, em seguida a CI apresentou a sua decisão à Mesa, e esta decidiu pela proposta da CI: advertência// não foi avante a proposta da distrital.
Devo dizer que me parece absolutamente natural que qualquer partido político expulse militantes que concorram contra o seu próprio partido, prejudicando-o. Isto não tem nada a ver com sanções por delito de opinião. Pensar de forma diferente sobre a estratégia ou a linha oficial de um partido é uma coisa. Actuar de forma a prejudicá-lo eleitoralmente é outra. Isto parece-me cristalino. Nem percebo como é que isto levanta questões a começar pelos próprios interessados, quando foram eles próprios que se puseram à margem. Outra coisa bem diferente são as candidaturas presidenciais. Neste caso as candidaturas dependem da vontade pessoal e os partidos podem ou não apoiar, abster-se ou resolverem como o PCP apresentar o seu candidato oficial….Ser de um partido politico implica disciplina e regras, não se pode querer ter sol na eira e chuva no nabal . Ninguém obriga ninguém a ser militante. Eu, nestas como noutras questões não gosto nada de albergues espanhóis, mas isto sou eu.
Claro que os partidos têm regras que podem levar à expulsão dos seus militantes. Disso não duvido, o que duvido é que neste caso, porque não é virgem, seja um partido democrático a ……. impor Como a Ariel diz, o caso das presidenciais….não é diferente, o PS já tinha o seu candidato, quando Manuel Alegre se propôs. Gato escondido com rabo de fora ou rabo de fora com gato escondido ?
zeparafuso nunca vi o partido socialista, tendo um candidato oficial à presidência da republica, expulsar outros militantes que se tenham candidatado em concorrência com a candidatura oficial. Mais, na primeira eleição de Mário Soares o PS teve dois destacados militantes na corrida, ele próprio e Salgado Zenha. E foi Zenha, que já estava em ruptura com o PS e com Soares que decidiu entregar o cartão de militante, não foi expulso. Homens desta têmpera infelizmente já não há. Aliás estar a fazer comparações entre ele e os narcisos deste mundo, ainda que para exemplificar o meu pensamento, é cometer uma heresia da qual me penitencio desde já. Nas últimas eleições´presidenciais, como bem sabe, ninguém foi expulso, Manuel Alegre até foi deputado durante toda a anterior legislatura. De forma que, talvez me esteja a escapar algo, mas não estou a compreender a sua dúvida relativamente ao que deixei expresso acima.
1. Nenhum membro do Partido pode ser condenado sem ter sido previamente ouvido, a todos sendo asseguradas as mais amplas garantias de defesa.
2. É facultada aos arguidos a consulta do processo a partir da notificação da nota de culpa, a qual deve caracterizar claramente a infracção imputada e conter uma referência aos principais meios de prova
-Narciso Miranda na SICn afirmou que o 99º artigo não foi cumprido, e a partir desta realidade, é o próprio Conselho de Jurisdição que não cumpre os Estatutos. A pressa e a incompetência cria a arrogância e o ódio. Este processo de expulsão vai durar, porque NM vai recorrer, obrigando o PS a iniciar tudo de novo: nota de culpa, ouvir o militante/testemunhas, etc, etc.
Há, porém, a questão do processo em si, já que Narciso Miranda diz não ter sido ouvido – processo sumário?
Obviamente que, tendo aqueles candidatos concorrido à revelia do partido – e, assim, contra o partido -, a atitude mais coerente teria sido saírem do partido pelo próprio pé. Mas sabemos que Portugal já foi mais frequentado por vertebrados do que é hoje.
E a questão dos vertebrados é, a meu ver, interessante. Gostaria de compreender o motivo que levou o PS a não apoiar aqueles candidatos, por exemplo. E gostaria também de saber porque não são os partidos portugueses um espaço de troca de ideias, de debate, mas sim um pasto de carneiros.
Caro João Campos, se me permite faço aqui um link a um comentário que fiz n’A nossa Candeia :http://anapaulafitas.blogspot.com/2010/08/democracia-e-pratica-partidaria-o-caso.html#comments Pelo exposto, e de forma alguma julgando-me detentora da verdade, mas sendo alguém de “fora” desse sistema, costumo julgar os comportamentos dos outros por aquilo que eu, no mesmo lugar, faria. Acresce que não julgo que um partido politico, pela sua própria natureza, possa coexistir com a balbúrdia de listas paralelas. As trocas de ideias que são muito estimulantes e essenciais à democracia , para serem completamente livres não podem estar arregimentadas nos partidos políticos, devem sim ter lugar em espaços próprios de cidadania para influenciar os partidos políticos . Um abraço.
Percebo o seu ponto de vista, Ariel. Não me referia à “balbúrdia de listas paralelas” que refere, mas sim ao debate interno. A política, pelo menos como eu a vejo – reconhecendo que posso estar a ser francamente ingénuo – devia passar mais por isso. O debate político por cá é praticamente inexistente – deparamo-nos todos os dias com “tricas” partidárias, com intrigas que, já que existem, deviam ser menores, mas que têm todo o tempo de antena. E em parte, parece-me que isso acontece por não haver muito mais para dizer. Faltam ideias, onde há excesso de “confronto pessoal”.
Neste caso em particular, não percebo como foi possível se chegar a este ponto.
Desculpe, faltou dizer outra coisa. Sobre a questão processual não me pronunciei. Mas naturalmente nem me passa pela cabeça que alguem seja expulso sem ter sido ouvido, mesmo neste caso, perante a evidência dos factos.
Purga no democratíssimo PS? Custa-me a crer. Não será no Bloco ou no PC?
Bom, se fosse no PCP, já teríamos lido a palavra “estalinismo” umas trinta vezes hoje, e ainda o dia só vai a meio. Como é no PS, é apenas uma questão dos estatutos do partido, decidida na tal “Comissão Nacional de Jurisdição”. No Bloco é que não sei como é.
Percebo agora melhor a expulsão de Narciso. Pela própria definição do termo, não há lugar para dois Narcisos dentro do partido. O outro já chega e sobra.
– O processo falha, porque os militantes não foram ouvidos.
– No BE , posso falar do meu caso. A distrital propôs a pena máxima (expulsão) à Mesa Nacional ( Órgão máximo entre Convenções), esta criou uma Comissão de Inquérito que me ouviu, em seguida a CI apresentou a sua decisão à Mesa, e esta decidiu pela proposta da CI: advertência// não foi avante a proposta da distrital.
Li a correr o título e pareceu-me “Olha, uma pulga”. Mas afinal era uma centena delas…
… aos saltos para fora do partido. Nota-se que causaram comichão.
LOL. Pois, parece que sim.
As purgas do Rato.
As pulgas, queres tu dizer 🙂
Há “Lei da Rolha” no PS?
Se houver “lei da rolha” no Rato, já se sabe, o rato roeu a rolha…
Devo dizer que me parece absolutamente natural que qualquer partido político expulse militantes que concorram contra o seu próprio partido, prejudicando-o. Isto não tem nada a ver com sanções por delito de opinião. Pensar de forma diferente sobre a estratégia ou a linha oficial de um partido é uma coisa. Actuar de forma a prejudicá-lo eleitoralmente é outra. Isto parece-me cristalino. Nem percebo como é que isto levanta questões a começar pelos próprios interessados, quando foram eles próprios que se puseram à margem. Outra coisa bem diferente são as candidaturas presidenciais. Neste caso as candidaturas dependem da vontade pessoal e os partidos podem ou não apoiar, abster-se ou resolverem como o PCP apresentar o seu candidato oficial….Ser de um partido politico implica disciplina e regras, não se pode querer ter sol na eira e chuva no nabal . Ninguém obriga ninguém a ser militante. Eu, nestas como noutras questões não gosto nada de albergues espanhóis, mas isto sou eu.
Claro que os partidos têm regras que podem levar à expulsão dos seus militantes. Disso não duvido, o que duvido é que neste caso, porque não é virgem, seja um partido democrático a ……. impor Como a Ariel diz, o caso das presidenciais….não é diferente, o PS já tinha o seu candidato, quando Manuel Alegre se propôs. Gato escondido com rabo de fora ou rabo de fora com gato escondido ?
zeparafuso nunca vi o partido socialista, tendo um candidato oficial à presidência da republica, expulsar outros militantes que se tenham candidatado em concorrência com a candidatura oficial. Mais, na primeira eleição de Mário Soares o PS teve dois destacados militantes na corrida, ele próprio e Salgado Zenha. E foi Zenha, que já estava em ruptura com o PS e com Soares que decidiu entregar o cartão de militante, não foi expulso. Homens desta têmpera infelizmente já não há. Aliás estar a fazer comparações entre ele e os narcisos deste mundo, ainda que para exemplificar o meu pensamento, é cometer uma heresia da qual me penitencio desde já. Nas últimas eleições´presidenciais, como bem sabe, ninguém foi expulso, Manuel Alegre até foi deputado durante toda a anterior legislatura. De forma que, talvez me esteja a escapar algo, mas não estou a compreender a sua dúvida relativamente ao que deixei expresso acima.
Artigo 99º
(Das garantias de defesa)
1. Nenhum membro do Partido pode ser condenado sem ter sido previamente ouvido, a todos sendo asseguradas as mais amplas garantias de defesa.
2. É facultada aos arguidos a consulta do processo a partir da notificação da nota de culpa, a qual deve caracterizar claramente a infracção imputada e conter uma referência aos principais meios de prova
-Narciso Miranda na SICn afirmou que o 99º artigo não foi cumprido, e a partir desta realidade, é o próprio Conselho de Jurisdição que não cumpre os Estatutos. A pressa e a incompetência cria a arrogância e o ódio. Este processo de expulsão vai durar, porque NM vai recorrer, obrigando o PS a iniciar tudo de novo: nota de culpa, ouvir o militante/testemunhas, etc, etc.
Ariel, tem razão.
Há, porém, a questão do processo em si, já que Narciso Miranda diz não ter sido ouvido – processo sumário?
Obviamente que, tendo aqueles candidatos concorrido à revelia do partido – e, assim, contra o partido -, a atitude mais coerente teria sido saírem do partido pelo próprio pé. Mas sabemos que Portugal já foi mais frequentado por vertebrados do que é hoje.
E a questão dos vertebrados é, a meu ver, interessante. Gostaria de compreender o motivo que levou o PS a não apoiar aqueles candidatos, por exemplo. E gostaria também de saber porque não são os partidos portugueses um espaço de troca de ideias, de debate, mas sim um pasto de carneiros.
Caro João Campos, se me permite faço aqui um link a um comentário que fiz n’A nossa Candeia :http://anapaulafitas.blogspot.com/2010/0 8/democracia-e-pratica-partidaria-o-caso.h tml#comments
Pelo exposto, e de forma alguma julgando-me detentora da verdade, mas sendo alguém de “fora” desse sistema, costumo julgar os comportamentos dos outros por aquilo que eu, no mesmo lugar, faria. Acresce que não julgo que um partido politico, pela sua própria natureza, possa coexistir com a balbúrdia de listas paralelas. As trocas de ideias que são muito estimulantes e essenciais à democracia , para serem completamente livres não podem estar arregimentadas nos partidos políticos, devem sim ter lugar em espaços próprios de cidadania para influenciar os partidos políticos .
Um abraço.
Percebo o seu ponto de vista, Ariel. Não me referia à “balbúrdia de listas paralelas” que refere, mas sim ao debate interno. A política, pelo menos como eu a vejo – reconhecendo que posso estar a ser francamente ingénuo – devia passar mais por isso. O debate político por cá é praticamente inexistente – deparamo-nos todos os dias com “tricas” partidárias, com intrigas que, já que existem, deviam ser menores, mas que têm todo o tempo de antena. E em parte, parece-me que isso acontece por não haver muito mais para dizer. Faltam ideias, onde há excesso de “confronto pessoal”.
Neste caso em particular, não percebo como foi possível se chegar a este ponto.
Desculpe, faltou dizer outra coisa. Sobre a questão processual não me pronunciei. Mas naturalmente nem me passa pela cabeça que alguem seja expulso sem ter sido ouvido, mesmo neste caso, perante a evidência dos factos.
Faltou também uma coisa: concordar com este seu último comentário, e deixar-lhe aqui os meus cumprimentos. Como sempre, é um prazer.