Quando se começa no mundo empresarial há ilusões que enchem várias caixas. Uma década e meia mais tarde, em plena crise, as caixas estão vazias ou cheias de outras coisas. Podemos falhar melhor? Não sei. O que sei é que o atelier 004, onde se faz a Egoísta, por exemplo, é uma estrutura quase familiar que começa a ser uma casca de noz num mar que se agita. Oiço as notícias, faço as minhas contas. Observo a vida das pessoas e, no fim, percebo que a única solução é continuar a fazer o melhor possível. Dá o mesmo trabalho que fazer mal feito.
Ok, então vamos lá
Patrícia Reis,

Adivinho a sua valentia. Coragem: o barco há-de chegar a bom porto.
Muitos êxitos, é o que lhe desejo.
Foi nessa teimosia de continuar a fazer e bem que vi a editora de revistas onde trabalhei 9 anos deixar os seus trabalhadores em situações mais que precárias. De que valeu o esforço de 4 anos a esticar a corda? De nada. Na hora de acertar contas, fugiram, na hora de reaver o que se tinha por direito, não havia nada em nome da empresa. E o nome, o nome estava tão sujo no mercado que nem putaça removeria o sarro.
Tenho muita pena de saber que a Egoísta (que tanto nos orgulha) se debate com a tempestade, mas não se iluda, Patrícia Reis, não se iluda.
O cansaço e o desânimo conseguem sobrepor-se a quase tudo. Gosto de ver que o teu brio resiste. Não pares de lutar, Pat, pelo menos até que só tenhas moinhos pela frente…
Li qualquer coisa como isto por aí e não sei quem disse, mas tinha muita razão: “Ser derrotado é muitas vezes uma condição temporária. Desistir é o que a torna permanente.”
Ana, desistir é um verbo que me foi retirado há muito tempo, era eu miúda. Por isso, aqui continuo, mesmo vendo coisas de que não gosto e percebendo jogos que são de uma enorme falta de ética, bom senso ou justiça. Uma empresa do tamanho da minha é um desafio permanente, mas uma responsabilidade medonha, tens a vida de famílias na mão. Assim, desistir não será o caso, até porque eu acho que nada é impossível, há apenas uma percepção limitada do que é possível (Dalai Lama), beijos querida