
Da redução da idade mínima para poder votar em Portugal dos actuais 18 para os 16 anos. O que já acontece na Argentina, na Áustria, na Bélgica, no Brasil, na Escócia, na Estónia, em Malta e no País de Gales, e alguns Estados da Alemanha e dos EUA, estando em vias de concretizar-se na Irlanda, na Eslovénia e na Nova Zelândia, enquanto na Grécia a capacidade eleitoral baixou para 17 anos em 2016.
Convém lembrar que aos 16 anos já é possível assinar contrato de trabalho, contrair matrimónio, perfilhar, pagar impostos, fazer descontos para a segurança social, responder em juízo criminal e escolher um curso universitário.
Se há coisa que vale a pena alterar na Constituição, é isto.
ADENDA: O primeiro país a baixar a capacidade eleitoral activa de 21 para 18 anos foi o Reino Unido, em 1969. Na altura parecia uma medida vanguardista, que escandalizou muita gente.

Temos um país insustentável e sem futuro…mas estamos nisto.
No estado em que estamos só quem paga impostos é que deve votar ou vamos continuar no caminho populista insustentável : eu dou-te o voto se tirares ao meu vizinho. Por isso temos a dívida onde está porque nem tirar ao vizinho é suficiente para parar a saciedade do monstro que mesmo assim tem milhões de Bruxelas.
E quem tem património deve votar nas eleições locais onde o tem. Se tem um apartamento em Lisboa e outro em Castelo Branco. Deve votar nos dois lados. Podemos por exemplo restringir esse voto aos pelouros das camaras que tratam do património.
Mas se aos 16 anos já é possível alguém trabalhar, pagar impostos, descontar para a segurança social e escolher um curso universitário, por que raio não haverá também de participar na escolha dos autarcas e dos deputados e dos presidentes da República?
Um presidente da câmara ou um presidente de junta de freguesia só podem ser escolhidos aos 18 anos?
A Constituição fixou esse limite há quase meio século. É altura de mudar, já que enchem a boca, todo o tempo, a elogiar esta geração como a “mais preparada de sempre”.
“…participar na escolha dos autarcas e dos deputados e dos presidentes da República…”.
Sim, se têm responsabilisação civil devem votar, escolher e supervisionar as acções políticas de quem for o eleito por eles. Mas em Portugal sensibilizar os jóvens para a política é um aprendizado ínvio.
Escolhem o seu Presidente da Câmara (Executivo local) e o seu Presidente da República, sim.
Não escolhem nominalmente o seu representante responsável pelo cargo Legislativo, local e nacional. Esta escolha está exclusivamente a cargo das fluídas máquinas partidárias….
Se fosse só assim não teriam aparecido tantos partidos novos.
Só no parlamento, em anos recentes, entraram quatro.
Certo, mas quem é que vai pagar a maior fatura dos desmandos das últimas décadas? Não serão os mais jovens que, ou fogem do país ou serão esmagados em impostos e empobrecidos brutalmente face a todos os outros cidadãos europeus? (ambos os cenários já estão em curso). Se eles são e serão fortemente afetados pelas decisões de hoje porque não ao menos participarem nelas?
Na verdade quem hoje vota em troca de manter e/ou sacar mordomias à custa de dívida pública evitando a todo o custo reformas de fundo, é que está a entalar vergonhosamente o futuro do país e não os mais jovens que, na realidade, herdarão um país em cacos sem nada terem feito para que tal acontecesse.
Toca num excelente ponto, favorável à minha tese.
Só concordo se todo o quadro legal for correspondentemente revisto para os 16 anos e plena imputabilidade legal.
O que querem é constituir um quadro eleitoral em que os adolescentes levam uma lavagem ao cérebro nas escolas de pensamentos “progressistas” para votarem em agendas de esquerda e extrema-esquerda e garantir que à direita do PS nunca mais se ganharão eleições. Não é só cá que querem fazer isso.
Se é facto clínico conhecido e publicado (psiquiatras, psicólogos) que nessa idade ainda o cérebro e a personalidade estão em construção – e razão porque existem protecções legais na faixa etária, então, porque ?
Esse é um raciocínio muito perigoso. Pela mesma lógica, mas na razão inversa, retira-se capacidade eleitoral a todos os cidadãos, idosos ou menos idosos, que comecem a revelar declínio das faculdades intelectuais, com patologias de “quadro clínico conhecido e publicado”. Estabelecendo, por exemplo, uma idade máxima para o exercício do direito de voto.
Ou há moralidade ou (não) votam todos.
É um assunto complicado, sem duvida. Levando mais ao extremo, considere o seguinte: imagine que é um cidadão cumpridor da lei, pagador de impostos, pode ser médico, bombeiro. polícia, militar que perdeu uma perna no Congo pela ONU, querendo isto dizer que é um membro que contribui para a sociedade civil, cumpre a lei e as boas normas, e paga impostos.
O seu voto vale o mesmo que o voto da bruxa Tita e da mãe da Jessica.
É mesmo isto que queremos ? Só pergunto.
Volta o voto censitário. Só proprietários abastados podem votar.
Nada a ver com democracia. Tudo a ver com ditadura.
Também se poderia dizer que dos 193 países membros da ONU apenas em seis, na Argentina, na Áustria, na Bélgica, no Brasil, na Estónia e em Malta se considera a idade de 16 anos como adequada para se poder votar. Além destes 6 países, esta idade também é considerada adequada em duas partes do Reino Unido, na Escócia e no País de Gales, que não têm representação na ONU. A idade mínima para conduzir uma viatura são os 18 anos. Obviamente estou contra.
jjamarante sigo completamente de acordo consigo.
J. J. Amarante, inútil ir buscar esse argumento dos 193 países da ONU.
Muitos deles são ditaduras, que não permitem eleições dignas desse nome. Outros são Estados situados em continentes sem tradições democráticas.
Quanto à Europa, os países onde se vota abaixo dos 18 anos são já sete – número que sobe para nove se juntarmos a Hungria (onde quem se casa a partir dos 16 anos adquire capacidade eleitoral) e a Bósnia-Herzegovina (o mesmo direito adquire-se quando se tem contrato de trabalho).
Quando for aprovado na Eslovénia e na Irlanda, sobe para onze.
Curiosamente, muitos dos argumentos agora invocados contra a redução da capacidade eleitoral para 16 anos repetem os de 1969, quando o Reino Unido foi pioneiro no alargamento do direito de sufrágio dos 21 para os 18 anos – antecipando assim, simbolicamente, a entrada na “idade adulta”.
Polémica que nos parece hoje totalmente sem sentido.
No meu caso, se pudesse, gostava de ir à junta de freguesia, de lágrima no olho, e informar que o meu amigo (eu) tinha marchado, pedindo o abate do nome das listas de recenseamento.
Fora outra consideração: se há uma idade mínima para votar e ser eleito, também devia haver uma idade máxima.
Não tem nada de haver idade máxima para votar.
Isso seria um absurdo.
E a idade mínima para votar deve baixar.
Restrições etárias na Constituição, além da estipulada para o exercício do direito de sufrágio, só a dos 35 anos como requisito para uma candidatura presidencial.
Em tempo: e o pior é que mesmo tendo batido a alpercata, como não actualizam os cadernos durante dez anos, ou coisa que o valha, vou ser abstencionista militante.
Não havendo eleições nos meses mais próximos, este seria o momento mais indicado para uma profunda alteração dos cadernos eleitorais, actualizando-os de modo a reduzir a chamada “abstenção técnica” – sempre muito superior à abstenção real.
Os mortos e os emigrantes de longa duração que entretanto passam a residir em permanência fora do País continuam registados como “eleitores”. O que gera algo tão ridículo como haver 10.841.467 inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal (dados da Pordata), quando o número oficial de habitantes no País (incluindo estrangeiros sem capacidade eleitoral activa e crianças e adolescentes sem direito de sufrágio) é 10.344.892 (dados do Censos 2021). seados+total+e+por+nacionalidade-617 alhe/censos-2021-portugal-tem-10344802-h abitantes-menos-21-do-que-ha-10-anos
https://www.pordata.pt/Municipios/Recen
https://www.record.pt/fora-de-campo/det
Os mortos e os emigrantes de longa duração […] continuam registados como “eleitores”.
Creio que isso não é verdade.
Atualmente o recenseamento eleitoral coincide com o registo civil, ou seja, com o Cartão de Cidadão. Se uma pessoa morre, o seu Cartão de Cidadão caduca e a pessoa automaticamente é retirada dos cadernos eleitorais. Se uma pessoa renova o seu Cartão de Cidadão no estrangeiro, automaticamente passa a votar pelo círculo da emigração.
haver 10.841.467 inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal, quando o número oficial de habitantes no País é 10.344.892
Não há contradição nenhuma. Isso somente significa que há milhões de indivíduos com Cartão de Cidadão português mas que residem no estrangeiro. Esses indivíduos, tendo Cartão de Cidadão português, automaticamente estão nos cadernos eleitorais, porém não residem em Portugal.
Toda a gente sabe que Portugal tem milhões de emigrantes. E tem, crescentemente, muitos cidadãos nacionais de origem estrangeira, muitos dos quais podem já não habitar em Portugal.
Limpar os cadernos eleitorais é tarefa urgente.
Há mais de um milhão de eleitores-fantasmas nos cadernos eleitorais. Em número cada vez maior, transmitindo a sensação de que a abstenção se vai avolumando numa espécie de onda gigantesca, o que não corresponde à verdade.
https://cnnportugal.iol.pt/decisao-22/e leicoes-legislativas/legislativas-ha-um-m ilhao-de-eleitores-fantasma-a-engordar-a-a bstencao/20220102/61cdca340cf2cc58e7da26 e6
Cerca de 10% do total.
Nas últimas eleições (30 de Janeiro) havia quase 11 milhões de inscritos quando os portugueses com capacidade eleitoral no conjunto dos círculos eleitorais está pouco acima dos 8 milhões. 7%C3%B5es_legislativas_portuguesas_de_20 22
Não admira, assim, que tenha havido apenas 5,5 milhões de votantes, fazendo a “abstenção” subir 5,9% face às legislativas de 2019 e criando a ilusão de que quase metade dos eleitores ficaram em casa.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A
Só você parece não reparar nisto.
Há mais de um milhão de eleitores-fantasmas nos cadernos eleitorais.
O artigo que Você lincou faz essa estimativa de um milhão, mas confessa que é uma estimativa muito incerta.
A mim parece-me que essa estimativa é muito exagerada. Embora só haja 10 milhões de pessoas a viver no território português, parece-me perfeitamente verosímil que haja mais uns 3 ou 4 milhões de pessoas que, vivendo fora de Portugal, têm cartão de cidadão português, e portanto estão automaticamente recenseados. Muitas dessas pessoas até terão esse cartão de cidadão com uma morada portuguesa – porque muitos emigrantes até preferem continuar registados como residindo em Portugal.
Essa coisa do milhão de eleitores-fantasmas não passa de uma estimativa e não pode de forma alguma ser identificada com a realidade.
Provavelmente até mais de um milhão.
Os municípios não dão baixa nos cadernos eleitorais pois boa parte das verbas que recebem é em função do número de eleitores. Daí serem perpetuados como inscritos muitos que há muito não vivem nesses concelhos.
Bastaria mudar este pormenor da lei para os cadernos ficarem actualizados num instante.
Os municípios não dão baixa nos cadernos eleitorais
O Pedro Correia está estranhamente desatualizado.
Esse era o problema que ocorria até 2008. Mas desde essa data os cadernos eleitorais deixaram de ter a ver com os municípios. Atualmente, os cadernos eleitorais coincidem com o registo civil. Eles estão centralizados. Se um indivíduo tem cartão de cidadão com uma certa morada, então automaticamente está recenseado pela freguesia dessa morada. Quando o indivíduo morre, o cartão de cidadão é extinto e o recenseamento eleitoral, idem. Os municípios não metem prego nem estopa no processo.
Para fazer a limpeza dos cadernos eleitorais que o Pedro Correia requer, seria preciso limpar também os cartões de cidadão. Não seria uma tarefa bonita de se ver.
Leia a legislação em vigor: s/DecretosLei/AssembleiaRepublica/44-arf-v erbas-autarquicas.pdf
https://www.portaldoeleitor.pt/Document
Informe-se sobre eleitores-fantasma, mais de um milhão – um problema já velho na democracia portuguesa: a/detalhe/haacute_125_milhotildees_eleit ores_fantasmas_em_portugal ica/noticia/portugal-796-mil-eleitoresfa ntasma-1890500 ntasma-a-culpa-e-do-desleixo-e-do-apego-a-t erra-dos-emigrantes–14530202.html
https://www.jornaldenegocios.pt/economi
https://www.publico.pt/2019/10/18/polit
https://www.dn.pt/politica/eleitores-fa
O último artigo que o Pedro Correia fez o favor de referir é muito claro a indicar qual a origem do problema: emigrantes que permanecem registados em Portugal. O que é perfeitamente compreensível: nem precisam de fazer novo cartão de cidadão, desde que não alterem a morada. Um português vai viver para o estrangeiro mas, desde que não altere a sua morada oficial junto das autoridades, nem precisa de mandar fazer um cartão de cidadão novo. É muito mais cómodo.
Não há eleitores-fantasma nenhuns. O que há é emigrantes (e outros portugueses) que estão recenseados, mas que não votam, porque estão longe da terra na qual estão recenseados. Não se interessam por votar. É tão simples quanto isto.
A abstenção é muito alta, mas é real. Portugal tem efetivamente muitas mais pessoas com direito a voto do que aquelas que vivem no território nacional; mas, como é natural, muitas dessas pessoas não conseguem votar, nem se interessam por isso.
Isso dos eleitores-fantasma era coisa que existia até 2008. Agora, já não existem. O que existe, são abstencionistas. Como é natural, num país em que uma percentagem tão grande dos cidadãos vive no estrangeiro.
Começo a acreditar que você mesmo é um eleitor-fantasma.
E que só teima em dizer que os eleitores-fantasmas não existem apenas para nos despistar.
Exacto. “…pois boa parte das verbas…”.
Os valores da abstenção num determinado círculo eleitoral em relação a outras médias de % em círculos eleitorais, comparação do número de tributáveis (IRS) e do número de ajudas sociais num determinado círculo eleitoral, o número de falecidos num círculo. Tudo valores que qualquer autoridade local conhece.
Mas tudo são segredos do ofício, das autoridades locais e dos partidos.
Além dos valores de subsídios… o manuseamento dos cadernos eleitorais e da contagem dos resultados, num determinado círculo eleitoral, é gerido pelos próprios interessados -nomeadamente do, ou dos, maiores partidos nesse círculo- nos resultados das eleições desse círculo.
Limpidez institucionalizada.
O comentador balio vai lá fiscalizar tudo isso.
E leva o ex-comentador Lavoura como reforço.
“Os mortos e os emigrantes de longa duração “
Sobretudo os mortos de longa duração.
Os de curta duração é admissível.
Há também os anónimos de longa duração. Alguns estão mortos e ainda não perceberam.
“Há também os anónimos de longa duração” Eu sou destes, nunca me descobrirão.
Tu estás num “estádio superior” dessa espécie de socialismo. És anónimo vitalício.
Segundo a CNE, dados relativos a Dezembro de 2020, à data havia 9.314.947 eleitores. Um ano depois o censo da população dizia que éramos 10.344.066.
Estamos mesmo muito velhos. Os menores de 18 anos não chegam a um milhão.
Eu sinto-me cada vez mais velho, a cada dia que passa.
Não tenha dúvidas. Ainda assim, lembro-lhe o que dizia João Paulo II: o sol do poente também é belo.
“o sol do poente também é belo.” Acredita? Era só para consolo de quem desce.
Teóricamente até fazia sentido não fosse o facto desta geração ser muito mais infantilizada e precisar de mais tempo para ganhar independência.
Apesar de ter começado a trabalhar aos 14 anos e decidir a minha vida, sei que não tinha capacidade nem maturidade para decidir pelo colectivo.
Reduzir a idade do voto é estar a abrir a porta a populismos e extremismos, veja-se o caso do ISIS por exemplo.
Esta é a geração mais infantilizada? Olhe que não, olhe que não. Esta é a geração mais letrada, mais viajada, mais esclarecida e atenta.
Argumentos semelhantes foram usados em Inglaterra, quando a maioria trabalhista, de Harold Wilson, decidiu reduzir a idade para exercer o direito de sufrágio dos 21 para os 18 anos. Foi há 53 anos: hoje nem o mais chalupa se lembraria de reivindicar a reversão desta conquista democrática.
Faz lembrar aqueles que por essa época eram contra o fim do trabalho ao sábado (que começou pela supressão da tarde laboral, denominada “semana inglesa”, e logo se estendeu por todo o dia) dizendo que isso iria implicar uma redução drástica de produtividade.
Alguns mais privilegiados serão, a grande maioria não é. Mas deve andar esquecido dos quase 5 milhões de pobres que existem em Portugal. Deixe-se lá de cantigas.
Pedro Santos
Esta é a geração dos reality shows e do mediatismo. Não há contacto humano as relações sociais fazem-se através de avatares em que os cibercorpos mostram as suas emoções com mais ou menos emojis. É tudo virtual, a realidade vem no fim com os pais a pagar a conta da electricidade.
Qual é a noção de realidade que um miúdo de 16 anos, dependente dos pais, tem da vida?
Não digo que não saiba o que quer, mas será justo o seu voto imaturo condicionar a vida de terceiros?
Que raio de preconceito esse.
Você está profundamente equivocado: quem assiste aos tais ‘reality shows’ e fica a embrutecer defronte do telelixo são os velhos, não os jovens.
Vou repetir o que já escrevi.
Com 16 anos, um jovem já pode:
– Casar
– Perfilhar
– Ingressar com contrato no mercado de trabalho
– Pagar impostos
– Contribuir para a segurança social
– Assumir responsabilidade criminal
– Escolher um curso universitário
– Conduzir motociclos ou quadriciclos ligeiros
– Submeter-se a um aborto legal sem consentimento paterno ou materno
Por que raio não poderá eleger o presidente da junta de freguesia ou o presidente da câmara da localidade onde vive?
Só por caturrice ou reaccionarismo concebo objecções a isto.
Tal e qual caro Carlos Sousa. Aos 18 anos ainda são bebés. Nunca houve tanto jovem a viver em casa dos pais sem trabalhar nem estudar. De que vale educação superior se depois não se sabem virar na vida real.
Podem trabalhar, pagar impostos, financiar a segurança social, casar, perfilhar, abortar, responder em tribunal, guiar motociclos, viajar pelo mundo. Podem fazer isto tudo, mas estão proibidos pela Constituição de exercer o direito de voto até nas eleições para câmaras municipais e juntas de freguesia.
Um absurdo total. Sem o menor sentido das proporções.
Completamente de acordo.
Pedro Santos
Haja enfim alguém de acordo, o que me satisfaz.
De acordo com o Sr. Carlos Sousa. De acordo consigo nunca.
Ai que medo. Este anónimo é dos que rosnam.
Finalmente um comentário lúcido sobre o real estado da dita “juventude”. Com certeza que haverão muitos com reais capacidades e meios para poder decidir com consciência sobre si e sobre a sociedade, porém a esmagadora maioria está muito pior do que em gerações anteriores. Qualquer pessoa que conheça algo mais do país do que os grandes centros urbanos (e elitistas, tem que se dizer) sabe que a juventude de hoje é completamente alheada da realidade que os rodeia. Diria até que, faz mais sentido discutir sobre alterar a maioridade para os 21, do que reduzir. Veja-se o “trabalho” especialmente direcionado para adolescentes que o partido mais populista com assento parlamentar faz a nível de redes sociais, e percebe-se o risco que é dar poder de voto a miúdos que só conhecem a realidade que lhes chega pelo ecrã de um telefone.
“Haverão”?
Totalmente em desacordo consigo hoje. A escolaridade obrigatória termina no final do 12 ano. Ou seja, até aos 18 anos os miúdos não trabalham para se sustentar, são dependentes, logo não devem poder votar. Hoje em dia os miúdos são muito emancipados e viajados mas com o dinheiro dos pais. Assim não vale. Sabem quanto custa um iPhone e uma viajem para a Europa mas não têm ideia do preço de um quilo de cebolas. Ou do que gastam num duche de 10 minutos com a água a correr. Se fosse para votar aos 16, então a escolaridade obrigatória teria de ser até aos 16, o casamento e a carta a partir dos 16, o crime de pedofilia considerado também até aos 16.
Eu propunha um voto por pessoa desde o nascimento. Até os filhos serem independentes, os pais assumiam o voto dos filhos, assim como assumem às responsabilidades e despesas. Isso é que era justo.
Susana, boa parte desses argumentos existiram em Inglaterra, em 1969, quando pela primeira vez à escala mundial foi reduzida a idade para exercer o direito de sufrágio.
Na altura, muita gente se escandalizou por um jovem se 18 anos já poder votar.
Apenas seis anos depois, na Assembleia Constituinte em Portugal, ninguém pôs sequer em dúvida que os 18 anos fossem a idade certa para alguém eleger os titulares de cargos políticos.
Passou quase meio século. O mundo deu muitas voltas, as pessoas estão hoje muito mais informadas e esclarecidas. Não faz sentido manter essa rígida norma redigida no Portugal de 1975 – o mesmo ano do PREC e do Verão Quente.
Hoje há viagens para todo o lado, há Erasmus, há intercâmbio permanente de ideias, há Internet, há uma dinâmica de participação cívica que não existia há meio século.
Precisamos de trazer mais jovens para a política, não de os afugentar ou fazê-los crer que a política “é coisa de velhos”.
Mais ainda num país profundamente envelhecido, como é o nosso.
Os argumentos não deixam de ser válidos por já terem sido usados. Não quero discutir se a maioridade deve ser considerada aos 16, 18 ou 21. O que deve é ser consistente. Se é adulto para votar, é adulto ter um relacionamento amoroso (mesmo com alguém 30 anos mais velho), para trabalhar, para ir para a prisão, etc. Se é adulto para votar deve poder decidir se quer ou não estudar. Não se pode ser criança para umas coisas e adulto para outras. É uma questão de responsabilização.
Na minha opinião os 18 anos reúnem a maior parte das capacidades, havendo no entanto casos que aos 30 ainda não são atingidas.
A maturidade afectiva ou psicológica não pode ser condição para o acesso ao direito de sufrágio. Caso contrário há pessoas que jamais conquistariam esse direito. Porque passam uma vida inteira sem tal maturidade.
E os analfabetos, nesse caso, deverão poder votar?
Não seria melhor voltarmos ao sufrágio censitário que vigorou entre nós no século XIX?
Enfim, não podemos lamentar-nos que os jovens se desinteressam da política, que não participam, que se abstêm em grande número, etc, enquanto lhes negamos o acesso a uma urna de voto aos 16 anos. Para uma escolha tão simples quanto a do elenco autárquico da aldeia, vila ou cidade onde vivem.
É uma forma de captá-los para a ‘res publica’. Direi até: é a forma ideal. Não a partir montras nem a incendiar carros, abraçando a “revolução” ou o “anti-sistema”.
Já dizia Kennedy, numa fórmula que ficou consagrada: quem não faz reformas a tempo torna as revoluções inevitáveis.
Parece-me que está a desconversar Pedro. O meu argumento está relacionado com a imputabilidade. Os analfabetos (como os meus avós maternos que eram agricultores) sabiam bem governar a sua vida. Melhor aliás que o meu avô artista (artista no sentido literal, era pintor de quadros). As pessoas inimputáveis não devem poder votar. Ponto.
Escolher a idade mínima para votar é escolher a idade da imputabilidade. Para tudo.
Claro que a maturidade varia de indivíduo para indivíduo e tem a ver sobretudo com as condições de vida, pelo que a escolha será sempre algo arbitrária (como é qualquer limite fixo, seja a idade gestacional para fazer um aborto, ou a idade para ingressar na escola).
Mas se aos 16 anos já é possível casar, perfilhar, fazer aborto, cumprir pena de prisão e pagar impostos, por que motivo de ordem política, filosófica, civilizacional não será possível eleger um presidente de junta de freguesia?
Francamente, há debates que nem se justificam – de tão óbvia a resposta é.
É possível casar com a autorização dos pais. É possível conduzir um motociclo de baixa cilindrada com catorze anos não é preciso ter 16. É possível trabalhar mas é obrigatório completar a escolaridade obrigatória que é de 12 anos. Raras são as crianças que ingressam na escola aos quatro anos, para aos 16 estarem despachadas do assunto. O caso do aborto é especial porque está relacionado com corpo da criança (mesmo aos 15 anos a vontade dos pais pode não prevalecer). Sinceramente não vejo os fantásticos benefícios de por os miúdos a votar aos 16 anos e não me parece que a resposta seja óbvia. Também não é uma questão muito importante. É mais uma batalha do bloco que capitaliza na inocência e ignorância dos mais novos aliciando-os com charros e acampamentos marados.
Eu não consigo vislumbrar um só motivo convincente, nesse argumentário, para impedir um jovem de 16 anos, prestes a ingressar num curso universitário, de poder escolher, votando, um presidente de câmara ou de junta de freguesia. Nem o que é que isso tem a ver com os charros e o Bloco. Também há Bloco na Áustria ou na Estónia?
Parece-me que está a fazer confusão. O ingresso na universidade faz-se aos 18 anos para crianças que entrem na escola aos 6 anos. Com 18 anos pode-se viajar sozinho, antes é preciso autorização dos pais. Posso estar desactualizada, mas o programa Erasmus era sobretudo para alunos universitários (e.g, para maiores de 18). Ou seja, a maioridade chega aos 18 para tudo, salvo excepções devidamente autorizadas. Não vejo a necessidade de complicar. Além de que se os jovens não vão votar aos 20 nem aos 18, não sei porque haveriam de ir votar aos 16.
MAs pronto, fique lá com a sua bicicleta, que eu fico com a minha.
Vou fazer-lhe uma pergunta cuja resposta (que dará se entender, claro) ilumina toda esta falsa polémica: as suas opções de voto variaram assim tanto entre os 16 e os 18 anos?
Outra, concretizando a primeira: quando votou pela primeira vez divergiu muito, pouco ou nada do que seria a sua escolha se pudesse ter votado com 16 anos?
Não sei o que tem a ver com o caso, mas aos 16 anos não tinha qualquer preferência política. Não era algo que me interessasse a política ou a economia. O meu círculo de amigos não tinha preferências políticas, excepto os jovens comunistas. Interessava-me por ciência, literatura e história. Quando fui votar pela primeira vez, comecei a estudar as propostas políticas mas não cheguei a grandes conclusões. Provavelmente votei em branco.
Só comecei a interessar-me por política quando vi o estado a imiscuir-se cada vez mais na minha vida. Até lá votava para cumprir um dever cívico, mas vivia bem ignorando o estado.
Eu penso que a responsabilidade de votar deve estar associada à vida adulta. Daí que defenda que só os maiores devem poder votar. A maioridade pode chegar aos 16, aos 18 ou aos 21. Não interessa realmente. Mas deve ser consistente para as diferentes esferas da vida.
É isto.
Susana, o seu argumento acaba por reforçar o meu. O seu desinteresse aos 16 anos pela política – que é a intervenção nos assuntos da comunidade, começando à escala local – decorreu desde logo do facto de o voto estar reservado a quem completou 18.
Como dantes só estava aos 21.
É curioso que agora já ninguém defende o regresso aos 21 como idade minima para a capacidade eleitoral activa.
Esse interesse despertará mais cedo se o direito de sufrágio for concedido a quem faça 16 anos. Idade mais que suficiente para alguém começar a despertar para os assuntos que dizem respeito ao modo como se governa uma junta de freguesia, uma câmara municipal, uma região autónoma ou um país.
“Não se pode ser criança para umas coisas e adulto para outras.” Pode, pode. Porque não? Este argumento não é válido.
Tema controverso e Pedro Correia tem os seus argumentos. Suzana V. também. Como P. Correia já assinalou nas novas gerações, >/= 16, há condutas timoratas, contidas, mas também há “wokismo” muito activo.
Por fim a AR defenderá a solução que a ela, AR, melhor interessar….
Vivemos a nossa democrática maioria absoluta, não é?.
Ps. Até agora, no tempo de votar, opinar, todos são “anónimos”. Com mais de 18 anos de idade. As escolhas têm sido sábias?.
Os deputados defenderão aquilo que a opinião pública os persuadir / pressionar a fazer.
A democracia não se esgota no ritual do voto de quatro em quatro anos.
Constrói-se todos os dias. Ou entra em colapso acelerado.
O voto faz todo sentido quando alguém acaba a 4 classe a partir dos 10 anos.Basta pensar que hoje 70% dos rapazes e raparigas com 14 anos já têm relações sexuais. E com 16 anos 61% das jovens mulheres já abortaram pelo menos uma vez.
Tanto disparate e tanta cretinice em tão poucas linhas.
Entulho anónimo, nada de novo
O argumento de que os outros também o fazem é muito pobre.
Lembro que só a partir dos 21 anos podem conduzir um autocarro. Por isso seria mais facilmente favorável a um aumento da idade legal para se poder votar, que para uma diminuição.
Se não têm maturidade para conduzir um autocarro muito menos têm para conduzir um país.
Você usa a mesma técnica, mas ao contrário e nada convincente. Equiparando o voto numa eleição autárquica à condução de veículos pesados.
“Ah, como aqueles meninos ainda não podem guiar autocarros também não devem poder votar.”
Enfim, tem pelo menos a vantagem de ser original.