
João Campos: «De todos os costumes religiosos que mantive durante aqueles anos entre o fim da infância e meados da adolescência, ir à Missa do Galo na noite de Natal foi aquele que mais tempo durou. Viver atrás da igreja facilitava a coisa, claro – não era preciso apanhar muito frio para lá chegar. Saía de casa e em menos de um minuto estava na igreja, sempre muito bem decorada com um presépio lindíssimo que o padre fazia questão de montar todos os anos (com musgo verdadeiro, várias dezenas de figuras e uma iluminação que causava sempre espanto na aldeia). A coisa durava meia hora e voltava para casa, para provar os sonhos e trocar as prendas. O almoço de Natal, esse, era quase sempre em casa da minha avó, e a senhora nunca foi muito à bola, passe a expressão, com a modernice do Pai Natal. A prenda que ela dava era pelo “menino Jesus”, e não havia discussão nessas coisas.»
José António Abreu: «Basta um contacto moderado com empresas do sector industrial para se perceber que os custos associados à protecção do ambiente são múltiplos e, quando somados, tudo menos leves. Acondicionamento e sinalização de produtos químicos, avaliação de riscos, separação e recolha de resíduos, tratamento de emissões, elaboração de planos de contingência, licenciamentos, certificações, taxas, seguros, pessoal técnico, consultores, formação – dinheiro, dinheiro, dinheiro. Já para não falar nas demoras causadas pela burocracia quando se pretende aprovar um projecto de investimento – ainda mais dinheiro.»
