Barack Obama, Janeiro de 2009
Os rituais são indispensáveis em todas as sociedades, em todas as democracias. Acabamos de ver o ritual da saída de um presidente dos Estados Unidos da América, que abandona o poder no prazo previsto pelo sistema constitucional do país, e da chegada do seu sucessor – o filho de um negro nascido numa humilde aldeia do Quénia que personifica hoje, melhor do que qualquer outra pessoa, a materialização do sonho americano.
Apreciei o discurso de investidura de Barack Obama: dirigiu umas frases de cortesia ao seu antecessor e de imediato deixou palavras inspiradoras para a impressionante multidão que o escutava em Washington. Barack Obama, o 44º presidente norte-americano, parece o homem certo para liderar os Estados Unidos nesta encruzilhada da história, no termo de uma crise com várias faces: durante a administração Bush, a maior potência do globo mergulhou numa crise financeira, mas também numa crise de confiança e numa crise de autoridade moral.
Obama chega à presidência com o país envolvido em duas guerras sem fim à vista, com a imagem manchada por inadmissíveis violações de direitos humanos e o maior défice das contas públicas de que há memória, além da latente ameaça terrorista. Um dos mais jovens inquilinos da Casa Branca de todos os tempos, é ele a pessoa ideal para inspirar e mobilizar as jovens gerações. Primeiro chefe do Executivo com ascendência africana, ninguém melhor do que ele poderá servir de traço de união entre as diversas comunidades do espantoso mosaico de raças, etnias, crenças e culturas que compõem os Estados Unidos da América.
Todos os olhos do mundo se viram agora para este homem. As expectativas são, porventura, excessivamente elevadas: ninguém consegue aguentar o peso de tanta responsabilidade em cima dos ombros. Mas o momento é de celebração: cumpre-se mais um ritual desta sólida democracia que tantos homens de génio tem dado ao mundo. Obama na presidência é o exemplo vivo da materialização do sonho americano. Ele tudo fará, sem dúvida, para que o sonho jamais se transforme em pesadelo.
Reedição do texto que publiquei aqui, sob o título “Obama: o sonho americano”. Na noite em que o inquilino da Casa Branca vence a corrida presidencial pela segunda vez, derrotando o republicano Mitt Romney


o filho de um negro
Aprecio que neste texto o Pedro identifique, corretamente, Obama como sendo filho de um negro (portanto mulato), em vez de alinhar pela bitola racista americana, de acordo com a qual todo o filho de um negro é ele próprio negro.
É uma questão de rigor. Sem ‘americanices’.
Muito bom. as.wordpress
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O Autor
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Obrigado.
O Francois Hollande que se segue…
Does he like french fries?
Yes. Worse he seem to like junk food despite Michelle pleas…
C’est dommage (pardon, my french!)
O Pedro com certeza que sabe que, no final deste seu primeiro mandato, Barack Obama é o (ir)responsável por um crise financeira muito maior: a dívida pública dos EUA está em 16 triliões de dólares. Com este «pequeno» pormenor: nos oito anos de George W. Bush houve um acréscimo de quatro triliões; nestes (menos de) quatro de Obama foram seis.
E quais «inadmissíveis violações de direitos humanos»? O «waterboarding» aplicado a três líderes terroristas (nenhum morreu), que permitiu obter informações que, em última instância, levaram à localização de Bin Laden? Ou os «abusos» sobre prisioneiros em Abu-Ghraib (nenhum morreu), que levaram à condenação em tribunal de alguns militares americanos?
Agora, que me diz o Pedro dos ataques de «drones» contra alvos no estrangeiro, com base numa «kill list» em que Obama escolhe o «felizardo da semana»? Autênticos assassinatos selectivos com «danos colaterais». Algo bizarro para um Prémio Nobel da Paz, não lhe parece? Em «compensação», foram várias as vénias que fez a chefes de Estado estrangeiros.
Não tenha dúvidas: o actual presidente está a transformar o «sonho americano» num pesadelo. É como que um «José Sócrates à portuguesa», e nem lhe faltam a «paixão» pelos carros eléctricos e pelas «energias renováveis» (à custa dos contribuintes, claro), um percurso académico duvidoso, amigos pouco recomendáveis e insultos aos opositores.
Na altura própria, Octávio, critiquei a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama. Foi um dos maiores absurdos oriundos daquela instituição norueguesa que já fez questão em conceber vários.