A publicação de sondagens que apontam para a possibilidade de Brexit sugere que a opinião pública britânica não se convenceu dos efeitos catastróficos da eventual saída do Reino Unido da União Europeia. Os defensores da permanência afirmam que o país tem muito a perder e que os efeitos na UE também seriam devastadores. É provável que tenham razão, mas não convenceram o eleitorado e o resultado do referendo é imprevisível. A possível saída britânica implica a reacção defensiva das potências da UE, que tenderiam a acelerar a sua integração. A Alemanha defenderia a criação de um núcleo duro que os países periféricos teriam ainda mais dificuldade em acompanhar. O Brexit é uma evidente ameaça para países como Portugal ou Grécia, que estão em situação frágil, mas não constitui um problema existencial para a União Europeia. Esta quererá encontrar uma solução a várias velocidades, com periferias menos ligadas a Bruxelas, talvez o avanço para uma espécie de confederação central.
A verdadeira crise existencial não será na eventual saída do Reino Unido, mas na próxima eleição presidencial francesa, na Primavera de 2017. Se as sondagens de Brexit forem confirmadas, a opção inglesa implica instabilidade económica que dará novos argumentos aos partidos extremistas em crescimento. A França é o verdadeiro ponto fraco da equação. A Frente Nacional de Marine Le Pen, excluída do sistema político, tem condições para aproveitar as várias crises simultâneas e pode facilmente ficar à frente na primeira volta das presidenciais. Se o seu adversário na segunda volta for um candidato republicano, como por exemplo Alain Juppé, o próximo presidente francês será um centrista capaz de se entender com a Alemanha. Juppé tem todas as condições para ser um óptimo presidente da França. A questão parece bem diferente se o adversário for um Bernie Sanders francês: Marine Le Pen pode vencer na segunda volta, engolindo parte do eleitorado republicano e centrista. A presidente Le Pen vai demolir o euro, contestar as políticas sobre refugiados e de integração dos muçulmanos e cumprirá a promessa de mudar o sistema político francês, de forma a que a FN não seja mais afastada do poder. A sua relação com a Alemanha será péssima e o eixo Paris-Berlim estará em perigo.


” A possível saída britânica implica a reacção defensiva das potências da UE, que tenderiam a acelerar a sua integração.” Discordo, caríssimo Naves!!
Um eventual, mas improvável, Brexit seria, sem dúvida, a machadada final na desconstrução fenomenológica do Estado Nação. Acelerará a desconstrução da já frágil autoridade da Comissão Europeia. Devolverá ao centro dos Estados a redefinição da Europa. Apenas os mais dependentes ficarão reféns, mas sem subtilezas!!
Quanto à França, sim, sem dúvida!! Não há Europa ou projecto Europeu sem a França!
Sem o Reino Unido não sei se a Alemanha e a França quererão carregar o resto da Europa às costas. O efeito de corrosão da vontade será assinalável!
“Os defensores da permanência afirmam que o país tem muito a perder” L3k
só é pena que não falem toda a verdade porque quem terá muito a perder são esses “defensores” da permanência.
Um filme muito esclarecedor:
YouTube:
Brexit The Movie
https://www.youtube.com/watch?v=eYqzcqDt
01/06/2016
14:42
AFIRMATIVO!!!
Um filme muito tendencioso.
Uma das “pérolas” dos defensores do brexit: “vejam-se as taxas de crescimento da China e comparem-se com as do UK, e é evidente onde preferimos estar” (!?)
Analise que subscrevo; as especificidades dos bifes só aumentam e incentivam a desunião com os calinas a acharem que devem “bater” o pé ao que aprovaram nos tratados.
Aquela do camarão, num intervalo do conselho da UE vir dar uma conferencia, não lembra ao mais hipócrita do mundo.
Tem sido catastrófico para a Suíça, Singapura etc…
E os Norurgueses que o digam!
As gerações mais experientes querem manter a sua Britânea.
As mais novas oscialam e são o trunfo dos europeístas.
Quanto à “integração dos muçulmanos” o futuro é a islamização da europa, graças à incultura e oportunismo fácil dos liders europeus.
A saída do RU nunca será uma catástrofe para a UE ou para o RU. O RU tem a Commonwealth, um mercado alargado e gigantesco. Porém a UE não tem nada sem ela mesma.
A questão do eixo Berlim-Paris é um fait-diver, pois não existe eixo. Existe, sim, um interesse mútuo no plano financeiro que fez com que a França, para evitar um colapso de grandes proporções no seu sistema bancário, aderisse a certas políticas alemãs que centrava seus esforços no mesmo tipo de objectivo.
Por outro lado, a questão dos periféricos, Grécia, Portugal, Espanha e a própria França, são um factor de estabilidade para os países da Europa do norte e central que também se encontram a braços com as tensões nos Balcãs. Ignorar a importância estratégica destes países no contexto de segurança europeu é reflectir uma visão naif do panorama geopolítico que se vive.
O federalismo é um modelo que nunca se atingirá, na medida em que as políticas futuras serão direccionadas para a defesa comum e para os equilíbrios económico-sociais que devem ser potenciados em cada país.
A UE não passou de um ingénuo ensaio ideológico que foi controlado por interesses que emergiram com a queda do muro de Berlim. Significa isto que o discurso era bonito mas as mãos que trabalhavam nos bastidores eram bem sporcatas.
Só líderes ingénuos, como eram os dos anteriores governos (PSD/CDS e PS de Sócrates), é que acreditavam que em tempo de seca as vacas dão leite. Quando muito dão leite em pó, mas insuficiente para ser convenientemente diluído.
Não estou a ver um Sanders francês. Com as devidas adaptações, só mesmo o pobre Melenchon, que não tem a capacidade de empolgar do americano. Juppé é um forte hipótese: é popular, experiente, tem sentido de estado e poderá beneficiar das contas com ajustiça com que Sarkozy anda Às voltas.
O Sanders Francês é a Le Pen.
Tirando a imigração.
O Brexit não será o fim do mundo , o RU não faz parte do euro , não faz parte do espaço schengen e nem por isso vai deixar de existir se deixar a UE. Confederação central ? Bom….. A UE é grupo maior dentro deste grupo maior existe outro grupo que é “Zona Euro” , na qual compartilhamos o mesmo Banco na qual chamamos o Banco Central Europeu ( BCE) que dita as regras da politica económica da “Zona Euro” , por isso não só se resolve com uma “simples” reforma da UE , estamos articulados quer queiramos quer não a uma “Zona Euro” que nos impõe restrições a nível da politica económica comum a todos os países que pertencem essa “Zona Euro”.Em relação a França tenho para mim mais tarde ou mais cedo a Marine Le Pen vai ganhar é uma questão de tempo , se não é nas próximas eleições é nas próximas que houver , porque fosso em que está metido a França desde crise sociais , crise desindustrialização , desde crise da não aceitação da globalização vai se manter , a não ser que haja mudança radical na politica da UE nos próximos 4 anos , mas como não vejo isso é só esperar……
A União Europeia, ou melhor a União Satânica que rebente e morra de uma vez por todas!