Se referir o seu nome – Angus -, poucos saberão de quem estou a falar. Mas se vos lembrar que pedaços de chocolate, clipes, cartões, pastilhas elásticas, moedas, relógios, elásticos de cabelo, brincos ou qualquer objecto que possa estar à nossa mão podem servir para provocar explosões, abrir algemas, recarregar baterias ou até desarmar mísseis; tenho a certeza que todos saberão a quem me refiro: Macgyver, pois claro!
Esta série, realizada por Lee David Zlotoff, acompanhava um ex-agente das Forças Armadas, especialista em conseguir resolver problemas (e alguns eram tramados) utilizando, para tal, objectos simples do dia a dia. O sucesso foi enorme em muitos países. Por cá não foi excepção. A sua capacidade para resolver grandes conflitos sem usar armas (o mais próximo era o seu inseparável canivete suiço), deixava-nos presos ao ecrã, por mais inverosímeis que fossem as situações. Os conhecimentos de física e química, a inteligência e capacidade de observação do protagonista, que o levavam a vencer os inimigos, faziam dele um herói diferente, numa desconstrução dos heróis típicos, e isso só fazia crescer a nossa admiração. E o esperado momento em que as preocupações eram ultrapassadas e no rosto aparecia aquele sorriso era mágico.
A música do genérico era também um elemento marcante e mal a ouvíamos aí estávamos nós a deixar as tarefas que tínhamos em mãos para correr para a frente do televisor: “Agora não posso, mãe. Está a começar o MacGyver”…
Na altura em que a série estreou nos EUA (1985) a guerra do Vietnam tinha terminado há apenas 10 anos e as suas consequências na sociedade americana ainda se faziam sentir com intensidade. Por outro lado, Ronald Reagan, presidente na altura, levava a cabo uma política de intensificação da guerra fria e de intervenção em vários locais no mundo, que muitos apelidavam de imperialista e belicista. Não sei se estes factos se podem ou não ligar com esta ideia de um herói que atinge os seus objectivos sem as armas tradicionais (defendidas tão abertamente, na altura, pela América e pelo seu presidente), mas podemos pensar que sim.
Podemos também, analisando o sucesso por cá, lembrar que a facilidade em lidar com o improviso também diz muito aos portugueses, habituados que estão a serem (ou pelo menos a dizerem que são) engenhosos e desenrascados. Ora ali tinham um exemplo que demonstrava que, mesmo sem meios à disposição, se podem atingir os nossos fins.
Coincidência ou não parece que o regresso deste herói está marcado para breve. Claro que Richard Dean Anderson já não fará o papel do homem que dá nome à série. O mesmo acontecerá com os restantes actores. E provavelmenente o velho casaco também não será o mesmo. Aliás parece que, nesta nova versão, se pretende voltar atrás no tempo, ao estilo “prequela”, como se diz agora. Mas haverá certamente um Murdoc (a luta entre os bons e os maus continua a fazer sentido) e alguma tensão romântica entre o novo MacGyver e uma ou mais raparigas que com ele se cruzem nas suas aventuras (um outro elemento clássico).
Boa ou má a nova série não se poderá comparar com a que vimos há umas décadas atrás. Para além da série em si as circunstâncias não são as mesmas. E nós também não somos os mesmos.

Só ele: – Mmacgiver salvaria a Venezuela.
“Maduro vai processar o Parlamento venezuelano….”( DN 1/6)
Quem sabe… Segundo algumas informações (não sei se credíveis) Maduro terá tido alguns contactos com a Suiça, ultimamente. Mas não terá sido para comprar canivetes… 🙂
Por muitos anos que viva, nunca hei-de esquecer aquele episódio em que estavam prisioneiros numa sala prestes a ser inundada por ácido , e de repente eu digo ” ele vai neutralizá-lo com chocolate” . Não pensei para mim, disse alto. Todos ouviram e daí a nada eram barras de chocolate a tapar as entradas do ácido. Olharam para mim e eu fiquei em êxtase . Puro êxtase . Apetecia-me abraçar a TV e cobri-lo de beijos. Confesso que até chorei… quase podia jurar que ele me ouviu.
O que eu aprendi a fazer com o Mcgyver! Ainda hoje quando alguém no trabalho me dá uma desculpa “daquelas” eu digo para arregaçar a manga da camisa porque aprendi umas coisas com o Macgyver.
Não acredito que o remate possa alguma vez igualar a série original, que se baseava em ciência pura, muito longe da era do digital.
Ah, tenho que confessar que sempre achei a Penny uma deslumbrada palerma. Não me admirei nem um pouco que se tornasse uma desesperada 🙂 🙂 🙂
Esse episódio do chocolate é inesquecível!
O meu gosto da ciência, vem daí!
https://scientificusblogpt.wordpress.com/2 014/01/15/quais-as-razoes-que-nos-levam-a-g ostar-da-ciencia/
É verdade. As suas capacidades eram inacreditáveis e didácticas. 🙂 Nem sempre seguindo à risca as indicações mas, pelo menos, tendo o espírito de não desistir, encontrando uma maneira de resolver os problemas…
Também tenho muitas dúvidas sobre a nova série. Mas, de facto, a ideia original é boa.
Quanto à Penny confesso que nem me lembro muito dela. 🙂
Claro reagir aos novos mísseis Soviéticos SS-20 apontados à Europa Ocidental foi uma “intensificação” da Guerra Fria. Obrigado por mais uma vez demonstrar o que tem sido o jornalismo português
Bem, eu não pretendo ser conhecedora a fundo da política americana, em fase nenhuma da sua história. Mas parece-me que é ponto assente que a visão de Reagan incluía uma importância significativa dada ao armamento. Se foi por reacção ou não, não discuto… E eu não sou jornalista nem tenho qualquer pretensão a tal. 🙂
A narrativa ideológica pró-Soviética não deixou de ser colocada.
É o mesmo que dizer que Chamberlain ou Churchill aumentaram os gastos militares. Nesse caso seria narrativa pró-Nazi e Pró-Soviética.
Tem aqui uns gráficos. http://www.usgovernmentspending.com/defe nse_spending
Peço desculpa pela confusão não pretendi afirmar que fosse jornalista. Só que os jornalistas tinham feito o seu “trabalho ideológico”.
Que bom a Ana ter-se lembrado desta série.
Eu também não perdia um episódio, até costumava gravar para rever mais tarde.
E o Richard Dean Anderson tinha um charme incrível, não tinha?
🙂 Antonieta
Todos os que têm idade para isso se lembram. 🙂
E sim, o seu sorriso era muito cativante. Já para não falar no facto de ser um homem de acção muito inteligente.
Actualmente, com 66 anos, está um bocadinho diferente (pelo menos, de acordo com algumas fotos que vi na net ). Mas isso também não interessa nada…
Mais uma série que adorava em miúdo. Creio que não sobrevive muito bem a uma revisitação, mas deixa óptimas memórias do seu tempo.
Exactamente. E também não me parece que seja fácil criar uma série nova com a personagem. Mas, pelo sim, pelo não, vou tentar ver, pelo menos, um episódio.
Quando passou na RTP eu estava fora de Portugal e lá onde vivia não havia ‘McGyver’. Vi-a uma década mais tarde e vibrei com ela como se ainda fosse adolescente. Desconfio que este regresso da série, com outro protagonista, não terá o mesmo sucesso.
Sim. Não será fácil criar um argumento interessante e que não se repita. E a tarefa de substituir o Richard Dean Anderson também deve ser bem complicada para outro actor.