O último passo na Portela


jpt,

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É assim no aeroporto da Portela, uma execrável sala de fumadores, com uma extracção de fumo praticamente inexistente, e sem higiene. A empresa à qual o Estado concessionou o negócio aeroportuário deixa esta imagem do país – e para os que confundam a prevenção do tabagismo com o mero javardismo vou antecipando, enquanto murmuro desde já os impropérios merecidos, que vão lá ver o acesso à internet do aeroporto da Portela (agora nomeado segundo o candidato luso a generalíssimo), escrito num imundo portunhol – isto num país onde os maçónicos produzem textos sobre “o potencial económico da língua portuguesa” e os altos quadros ADSE se ofendem com a tradução simultânea dos representantes da Guiné Equatorial … Ainda bem que (me) prometi não escrever “palavrões”. Nem um mero “merda”.

32 comentários em “O último passo na Portela”

  1. Se cada um dos utentes de locais públicos, limpasse o que suja, ao invés de pensar que alguém há-de limpar, o mundo seria um lugar muito agradável de habitar.

    1. Eu gosto muito de blogar. Faço-o desde 2003. E foi-me extremamente agradável ser convidado para escrever no Delito de Opinião. Mas o que é triste, e tão notório, é a degenerescência do espaço convivencial, conversacional, que foram os blogs. Se num pequeno blog como o meu individual isso se nota no silêncio (os comentários e conversas passaram para o fb e o twitter) aqui, num blog ainda com muitos leitores, isso nota-se no vácuo dos comentários – na presunção apatetada dos comentadores com “atitude” (no meu último postal falei de “escravismo”, um termo com décadas de presença na historiografia e apareceram-me uns patetas com pretensões doutorais a dar lições de português). Fale-se do que se falar há sempre gente com esse viés, que não é discordância, é sò renhanha. E agora aparece-me esta parva a achar que cada vez que vou a um sanitário público tenho que o lavar. Porque se dizem tantas asneiras (anónimas ou pseudónimas) nos comentários dos blogs? Isto desgasta, caramba

      1. Mais desgastam as respostas prepotentes e presunçosas como as do senhor, embora não me sinta nada desgastada, muito menos agastada, antes divertida com a sua grosseria.
        Ai , quando vai a um sanitário público não puxa o autoclismo nem limpa a porcaria que fizer? Se lhe derem um tabuleiro com tudo o que pedir para seu consumo, ao abandonar o local deixa-o ficar na mesa ao invés de, usando o mínimo de civismo, colocá-lo nos espaços apropriados para o efeito? Francamente…o bom é dizer mal, criticar por criticar e não olhar para si.
        Vê-se quem é o parvalhão aqui…

        1. Nem todos conhecem o significado de civismo .
          A grosseria é detestável, é uma das coisas que mais
          me incomoda no nosso país. Por vezes sinto-me agredida
          e se não fosse a ” obrigação ” de visitar a família nunca mais
          aqui voltava. Para os que têm a sorte de viver em países civilizados
          o choque é brutal.

      2. Comentar num blogue individual pressupõe que o bloguista não se encerre nos seus postais. Comentários sem continuidade morrem num monólogo de parte a parte.

        1. Para os espectadores em casa, “monólogo” é um diálogo com gente bronca. Eles falam e nós dizemos que sim. Qualquer outro cenário chama-se “confrontação”.

          (Olá. Seguindo o seu exemplo reservei-me o direito de me reservar alguns direitos.)

          1. Interessante esse intróito, “para os espectadores” – aparenta assim achar que este comentário lhe seria dirigido… Mas não, o comentário era mesmo sequente do do bloguista que lançou o postal – que não comentei, apesar de apreciar a escrita de jpt.

            Monólogo é conversa a um, independentemente do teor.
            Após o ver generalizar, lamento agora que António queira particularizar um estilo de discurso tão generalizado – de poetas a iletrados, de filósofos a imbecis, muitos são os que monologam.
            O confronto resulta de conversa entre umbigos, não de monólogo e certamente não de diálogo.
            Dizer sim a broncos é frete; há quem goste de fretes, claro, mas penso que dizer adeus é suficiente – e eles que façam o que quiserem.

            (O direito sempre foi seu. Relembro que foi o senhor que afirmou não comentar os meus comentários e me pediu para não comentar os seus, não o inverso. Pedido que declinei, como sabe; não por procurar confrontações pessoais, atitude própria de gente bronca, mas porque o que se escreve num blogue não se cinge a dois comentadores e há afirmações que, independentemente de quem as profira, me exigem aplauso ou contraditório.

            E, como lhe disse em postais anteriores, não estou interessada num diálogo em que se discutem os comentadores em vez das suas ideias.)

      3. correndo o risco da renhanha, digo-lhe que se está a irritar, talvez em demasia, com o comentário. Já dei por mim a lavar e a limpar coisas que não me pertencem e em lugares públicos. E não o digo com orgulho, suponho que seja apenas hábito das mãos visto que não penso nisso, elas é que se mexem sozinhas; se me sentasse nessa mesa era capaz de me pôr a despejar cinzeiros e deitar ao lixo o que lhe pertence (ok, não resolvia senão o meu problema que era sentar-me numa mesa limpa). E concordo, o civismo dá jeito, mas é elegância em desuso (penso ser o que o comentário traduz).
        Não amofine. Há um dia novo todos os dias:).
        Ficámos pior do que estávamos em termos de limpeza no aeroporto? Ora bolas. É sempre a descer. Não há melhoras.

        1. Anónimo eu não me estou a irritar em demasia com este comentário. Mas com a sucessão de comentários. Como referi blogo há 15, cruzei os tempos das polémicas entre blogs e nos comentários, e conheci-as e ainda as vejo no FB. O problema não é com a discordância. É com a pertinência do que se diz, com a pertinência das atitudes que conduzem a locução. Não é mais nada para além disso. As pessoas vêm ler para botar com presunção (e depois chamar presunçoso ao exasperado – veja aqui a resposta da senhora que diz da obrigatoriedade de puxar o autoclismo. Vem botar, de mão na anca, a sua opinião mas sem perceber – o que o postal mostra é um sítio sem autoclismo, é esse o problema, é essa a minha indignação, irritação. Pegando no seu exemplo, na sua disponibilidade para limpar mesas e cinzeiros – a minha irritação é que este é o único mobiliário – não há outros cinzeiros; outras mesas em melhor estado e qualquer caixote. O que a imagem mostra é o comportamento cívico possível dos uitilizadores, que congregam no parco e porco espaço os dejectos ante a indiferença da empresa responsável. E qual a reacção dos comentadores? PErguntar se não haveria uma alternativa? Nada disso. Nada disso, mas imediatamente ter uma resposta de contraposção. E não é neste postal, é constante; uma canseira, uma atitude eunuca, um paradigma luíslavoura nestes comentários que é uma grande chatice. E é isso que o comentário verdadeiramente traduz.

          1. “O que a imagem mostra é o comportamento cívico possível dos utilizadores”.
            O que não pode deixar de ser óbvio para quem veja a foto: não há uma única ponta de cigarro, um papel no chão…

            Tem toda a razão, eu também me “passava” com alguns comentários.

      4. Ó homem ria-se. Eu parti o caco a imaginar-me a entrar num urinol e receber à entrada um kit de balde e esfregona, cif, fabuloso, uma esponja e uns panos vileda. Nalgumas casas de banho públicas já me contentava com papel higiénico.

          1. Também eu. E sou um bom e jovial conversador. E aprecio muito a desconversa. Mais uma vez: a única questão é a atitude.

  2. é, de facto, inaceitável o tratamento que é dado aos fumadores de há uns anos para cá. e cá.

    a soberba com que alguns (muitos) não fumadores se nos dirigem e/ou atuam para connosco chega a ser inqualificável.

    1. Esse é o problema. Os fumadores são (somos) viciados? Devem ser acantonados para não poluírem o ar alheio? Sim. Devem ser encerrados em sítios neste estado? Não. Isto é como se se instalassem salas de xuto pejadas de seringas usadas, garrotes esfiados e vómitos secos espalhados pela sala. E é um traço generalizado nos aeroportos

      1. Precisamente. É exactamente isso o que considero de mais execrável na imagem que publica. O incomensurável desrespeito e desdém, a maneira como se tratam os maiores contribuintes para o erário público (de junto com os automobilistas, estes tratados com menos hostilidade, apesar de tudo…).
        Deixei de fumar – acho que este desrespeito me ajudou imenso… -, mas “isto” (que aliás injecta alguns comentários que aqui podem ler-se) é absolutamente inaceitável.

  3. Continue.
    Não perco nada do que que escreve, umas vezes gosto mais outras somenos. E ainda bem.
    Há quem se julgue sempre ou quase sempre um primor (em tudo), convenhamos que é duma canseira!

    Quanto ao aeroporto, o que observei pela última vez que viajei (2016) também não me agradou, nem a espera para tomar um simples café, nem a simpatia, nem o desleixo no que toca a limpeza em certos espaços.

  4. A brigada dos bons costumes que já se instalou no blogue podia muito bem ir limpar para outros sítios.
    Eu olho para esta foto e vejo que os serviços de limpeza – pagos pelo utente – não estão a fazer o serviço. E que muito provavelmente quem ali fumou tantos cigarros se fartou de esperar, o que é a falha de outro serviço, também pago.
    Há gente com idéias curiosas sobre muitas coisas. Respeitar os locais públicos não é limpá-los, basta não os sujar. Podiam não conspurcar blogues, por exemplo.

  5. É a economia de mercado.
    A ANA foi privatizada, presta o serviço mínimo que lhe permite o lucro máximo. Ninguém lhe paga se não limpar e pressionar os porcos para serem asseados aborrece clientes que pagam. Não vai o Estado, depois de passar os lucros gastar dinheiro a gerir coisa alheia.
    Resta aos utentes serem asseados e pressionarem os que o não são.
    Teremos que esperar que uma mão invisível resolva as coisas.

    1. Acho que é mais do que isso, é uma autocracia anti-fumadores. De facto um pouco mais de climatização numa sala, meia dúzia de peças de mobiliário e uma passagem de 15 em 15 minutos de um trabalhador de limpeza não baixaria os lucros (ou aumentaria os prejuízos) da empresa.

  6. Jpt, Portugal é uma latrina. Por terras gallegas….hotéis com vista para praias de cortar a respiração a 40€noite. Os portugueses só estão bem a enganar-se….Portugal é um urinol.

      1. Jpt, agora em Cudillero, nas Astúrias. Vou ficar por cá. Amanhã assino a escritura.

        E depois falam no Douro e mais o camandro….Portugal é uma joldra numa jangada….

    1. Quoque tu, Petrus?!

      Nem todo o Portugal é uma latrina, há é portugueses que gostam do estilo casinha. Portugueses e passantes.
      Incluindo os que passam por São Bento. Mas como a ANA é uma porreira, está tudo bem.

  7. Mirando bem o lixo que há pelas ruas chego a uma conclusão: muito dele é originado pelos serviços de recolha.
    Beatas de cigarro serão incúria dos utentes da via pública – mas em abono da justiça é raro haver onde depositar beatas com segurança. Maços vazios, pacotes de ice tea, embalagens de twix, serão incúria. Já embalagens de fraldas, de litros de leite ou instruções de montagem de armários não são propriamente o tipo de coisas que se trazem no bolso. O lixo é mal recolhido e o vento faz o resto.
    Mas quantas vezes é que eu pago a recolha do lixo?

    – pago no IRS, cuja receita serve para o estado cumprir as suas obrigações básicas
    – pago no IVA, cuja receita serve para o estado cumprir as suas obrigações básicas
    – pago no IA, cuja receita serve para o estado cumprir as suas obrigações básicas
    – pago no imposto de selo, cuja receita serve para o estado cumprir as suas obrigações básicas
    – pago no ISP, cuja receita serve para o estado cumprir as suas obrigações básicas
    – pago no IMI, cuja receita serve para a câmara municipal cumprir as suas obrigações básicas
    – pago na taxa de recolha de resíduos sólidos, cuja receita serve para a câmara municipal cumprir as suas obrigações básicas

    Por favor, isentem-me de IRS, IVA, IA, ISP, IMI, SELO, TRRS e forneçam-me uma vassoura e uma pá.

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