
O Iowa é normalmente considerado o tiro de partida para a nomeação do candidato democrata às presidenciais americanas, podendo atribuir ao vencedor da noite um avanço considerável na corrida. Foi assim com Barack Obama que emergiu decisivamente do Iowa como o candidato presidencial dos democratas em 2008. Mas já não parece que vá ser assim em 2020. As confusões no apuramento do vencedor, com Peter Buttigieg a cantar vitória, apesar de estar taco a taco com Bernie Sanders, e o afundamento de Joe Biden não auguram nada de bom para a candidatura democrata, que aliás se afundou na tentativa desastrada de impeachment de Donald Trump. Esse foi um erro de principiante de quem pareceu esquecer que um processo de impeachment não é apenas do foro criminal, mas também eminentemente político. Neste âmbito, um processo de impeachment pode ser facilmente decretado perante um presidente que perdeu o apoio popular, como aconteceu com Dilma Rousseff no Brasil, e iria facilmente acontecer com Richard Nixon após o escândalo Watergate. Mas não haveria qualquer possibilidade de o decretar perante um Presidente que mantém intacta a sua base de apoio popular, como é o caso de Trump. Como bem disseram os senadores republicanos, isso seria visto como um golpe de Estado por metade do país, uma situação em que obviamente o Senado nunca se poderia envolver.
Restam assim as eleições de Novembro e estas manifestamente começaram mal para os democratas. Pela primeira vez em muitos anos, corre-se o risco de não emergir das primárias um candidato definido, o que deixaria a nomeação presidencial para uma convenção aberta, onde até Hillary Clinton poderia voltar a ter hipóteses de ser nomeada. Vamos ver se New Hampshire permite recuperar do cenário do Iowa. Mas manifestamente as coisas não estão fáceis para os democratas. Trump soma e segue, e a menos que de facto surja um candidato democrata forte, tudo aponta para que seja facilmente reeleito em Novembro.

Boa análise que só peca (na minha opinião) por optimista para os democratas.
Basta olhar para os potenciais candidatos vencedores e aquilo que Trump faria deles perante os eleitores por convencer (como escreveste, a base está mobilizada e Trump não precisa de fazer mais que os lembrar da data).
– Joe Biden: Trump já definiu tudo e Biden insiste em o ajudar. “Sleepy Joe Biden” vai ser presa fácil para Trump. Um debate entre os dois, mesmo que Biden não tenha gaffes e limpe o chão com Trump em termos de retórica e argumentos, vai resultar num banho de sangue de imagem. Biden não tem a menor hipótese pelo que vi até gora. Talvez há 4 anos.
– Warren e Sanders: são “os comunistas” que vão implementar a União das Repúblicas Socialistas Americanas.
– Buttigieg é panasca. Não vai ser dito necessariamente desta forma, mas imagino o que os Rush Limbaughs deste mundo (mesmo doente) não farão disso.
– Com Bloomberg é por ser um da elite, mas não vai ser preciso porque não é escolhido. Kobluchar não sei como faria, mas também não é escolhida.
Sinceramente penso que desta vez Trump até é bem capaz de vencer o voto popular…
Acho que a sua análise está bastante correta. Mas eu arriscava mais. Arrisco que trump ganha contra no matter who.
Trump ganha porque o make america great again, não anda longe da verdade. Só não vêem isso os comunas anticapitalistas cegos, ou os europeus mal habituados, que andaram durante anos a taxar produtos americanos e a exportar para a América produtos isentos de taxas.
Acabou o tacho e a Europa está à beira de um ataque de nervos. Mas o certo é que o americano paga menos impostos, tem acesso a mais empregos e tem incentivos na criação do seu próprio negócio.
A classe mais baixa tem emprego, a média paga menos impostos, a alta aumenta a produtividade e desde logo, o lucro.
Por tudo isso, o homem ganha, seja contra quem for.
Parece-me que os democratas estão a seguir o caminho dos trabalhistas no Reino Unido. Quando o partido está profundamente infiltrado pela extrema esquerda e por um discurso extremista, vulgar e odioso como ontem se viu no gesto de cabeça perdida da “speaker” do Congresso que rasgou o discurso do Presidente em público, está tudo dito. Trump ao pé destes radicais até parece um moderado.
Ainda que percam as eleições o impeachment tinha de ser feito.
Se uma besta do calibre do Trump acreditar que não tem limites, não há limite para o que possa inventar.
Ganhem os democratas o Senado e mantenham o Congresso.
Trump soma e segue, e […] tudo aponta para que seja facilmente reeleito em Novembro.
Sempre apontou. A economia está ótima e todos os últimos presidentes têm sistematicamente sido reeleitos, pelo que não há qualquer razão para que Trump não o seja também.
Por defeito, a não ser que haja uma catástrofe, todos os presidentes dos EUA são reeleitos. O resto, são folhetins para entreter a populaça.
Bernie é o perdedor nomeado, para vergonha dos democratas que ao atribuírem no passado a primazia a Hillary, uma perdedora, perderam outrora um inequívoco vencedor.
Os democratas não sabem ao que vêm e não sabem por onde ir desde que Trump lhes mostrou como seria possível derrotar a máquina de propaganda que através dos media possuíam e ainda possuem, mas sem qualquer efeito sobre o eleitorado.
No processo de impeachment algo surpreendente chamou minha atenção: como foi possível chamar à colação a questão ucraniana quando é sabido que Trump aumenta o budget com a defesa para reforçar também a soberania do que resta da Ucrânia? Isto é vital para os americanos que ainda vivem uma espécie de guerra fria.
Se os democratas conseguem perder o norte sobre o que é uma questão nacional e patriótica que galvaniza os eleitores, como poderão eles não perder em toda a linha?
Obrigado pela reflexão e parabéns pela recente eleição
Até lá a elite “bien pensant ” vai reagir. Mas com o risco Bernie até parte da elite pode preferir Trump.
É tudo resultado da competição destrutiva na Esquerda, os Democratas viraram para a extrema esquerda fruto da influência da monocultura das Universidades – negando a sua própria razão – e do Jornalismo a cada dia que passa cada mais extremista, racista e anti a própria cultura. O projecto 1619 do New York Times está aí para o demonstrar.
O processo de impeachment foi uma negação das práticas constitucionais americanas , pois não existe voto de desconfiança, mas os Democratas usaram o impeachment como voto de desconfiança. Algo que era de excepção poderá ter-se transformado em algo comum a ser usado contra qualquer presidente.
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Ainda muita água vai passar debaixo das pontes.
lucklucky