O TGV poderá ser outras coisas mas, é também um comboio. E um comboio não se deve atrasar. Os atrasos são muito desagradáveis para os passageiros. Sobretudo, para aqueles que fazem de andar de comboio um hobby. Penso que se chama o hobby da construção. Por isso, apresento algumas medidas, de que sou o único irresponsável, para diminuir os custos de construção e exploração:
– Circulação em monovia de uma única composição. As idas serão à 2ª, 4ª e 6ª e os regressos à 3ª, 5ª e Sábado. O Domingo será para descanso do pouco pessoal e manutenção do escasso material circulante. Será construída uma rotunda no Poceirão para a composição inverter a marcha. A locomotiva será desligada nas descidas. Nas subidas, os passageiros saem e empurram. Para além de pagarem bilhete, os passageiros pagarão também portagens. Para facilitar a cobrança, circularão com um chip na testa. Tal como nas SCUT, os estrangeiros pagarão mais. O controlo de passagens será efectuado pessoalmente pelo Secretário de Estado Valter Lemos. Que será colocado em cima de um pórtico. Vai dar gosto ver aqueles números… Marketing, muito marketing para atrair passageiros. A Ministra Isabel Alçada, de olhos arregalados, sorriso esticado para lá dos lóbulos das orelhas e um tudo-nada saltitante, gravará uma mensagem promocional: “há um tempo para tudo, mas o tempo para viajar é mêmo para andar de TGV”. A animação a bordo será outra prioridade. O Ministro Mendonça interpretará ao vivo, na carruagem-bar, o sucesso popular Apitó Comboio. Serão organizadas viagens temáticas! No Halloween, o Ministro Teixeira dos Santos apresentará dados absolutamente realistas sobre a evolução das contas públicas, incluindo os das parcerias impúdico-privadas (assustador, não?). No 1º de Abril, o Ministro da Economia, Toupeira da Silva e a Ministra do Trabalho, de cujo nome não me quero lembrar, cantarão, ao desafio, números muito animadores sobre o desemprego. Sócrates fará jogging entre as carruagens e, num programa de fidelização absolutamente inovador, serão oferecidos Magalhães devolvidos pelo Chávez aos passageiros frequentes. Nos intervalos da animação, serão servidas Tigeladas de Abrantes aos passageiros. Às refeições, Pisa. A cultura não será esquecida: o Emídio Rangel será o cicerone de visitas guiadas, incluídas no preço do bilhete, ao vasto património do Poceirão que só é conhecido pelos que lá estão.
O problema nestas coisas é que, a certa altura, um tipo já não sabe se é o TGV que não avança se é o país que está no destroço do Poceirão, a caminho do Caia.
*(versão piorada de comentário publicado quando ainda não estava deste lado)


Apita o comboio e vai a apitar…
Ups… descarrilou!
Achas mesmo que o ministro Mendonça sabe cantar? É que eu arranjo-lhe já um palco. Um palco móvel, tipo vai-vem.
Assentava-lhe a matar. Isso e um cai-cai.
e o cluster!!??
Percebo a sua indignação, tric. Mas, não vejo necessidade de insultar o Valter Lemos
.
Quem? Valter Lemos?
Aqui há eco!
Não é eco…
É o comboio/TGV a apitar.
Agora, chamarem Valter Lemos ao sapo é que me parece uma crueldadezinha para o girino.
Bem observado! Isso vem-nos lembrar que a realidade tem sempre 2 lados. E que há sempre um lado certo e um errado. E que este último é sempre aquele em que o Lemos se encontrar.