“It takes an almost heroic act of denial to look at this chart and see a success story, a vindication for austerity policies.” – Paul Krugman, in Sucess, European Style, NYT, 13/01/2014
“It takes an almost heroic act of denial to look at this chart and see a success story, a vindication for austerity policies.” – Paul Krugman, in Sucess, European Style, NYT, 13/01/2014
Chamo em especial a vossa atenção para o link do artigo para o texto de Fintan O´Toole: Ireland’s Rebound is European Blarney.
Então quando um sistema bancário sobrevalorizado passa a valer muito menos queria que acontecesse o quê?
Isto são coisa básicas que uma pessoa deveria ser capaz de pensar e distinguir.
O chocante é dissonância cognitica que isto tudo implica*.
O autor quer a riqueza da economia especulativa e ao mesmo tempo está contra ela…
*Assumindo que as pessoas estão a ser honestas e não a jogar nos dois tabuleiros.
Krugman não está contra a economia especulativa. Desde que seja o Estado a especular.
Referia-me ao autor do post.
Sobre o Krugman não tenho dúvidas nenhumas que é desonesto.
Mas o GDP (PIB em português) não é uma medida adequada da riqueza de um país.
No caso da Irlanda, o PIB pré-crise estava inflacionado pelas vendas de casas a preços loucos.
Ou seja, a bolha no preço do imobiliário, embora não refletindo qualquer riqueza real, fazia aumentar loucamente o PIB pré-crise.
Fazem-me confusão certas afirmações.
“A Irlanda está melhor, o que acontece é que os indicadores estavam sobrevalorizados”.
É verdade.
E os indicadores atuais são os corretos?
Não há maquilhagem ou escolha de indicadores quando se afirma que a situação atual é melhor, ou está a melhorar?
Se considerarmos que é melhor ter salários mais baixos, mais desemprego, pior acesso à saúde, escolas mais cheias, menos serviços na província, então estamos melhor.
O que me incomoda é que o discurso vigente retirou dos objetivos do governo (mesmo a longo prazo) a melhoria da qualidade de vida da população em geral.
É caso para perguntarmos se alcançaremos a felicidade vivendo todos como escravos para pagar as dívidas dos BPN e das PPP e garantindo produtos baratos para exportação.
Os objetivos deste governo parecem ser todos externos: produzir exportações baratas (que outros compram) e pagar as dívidas externas. Não seria mau governar a pensar na vida dos governados.
“E os indicadores atuais são os corretos?”
Não porque medir o GDP tem muitos buracos.
Mas nesse caso porque não critica o post?
-Um buraco claro é nunca estar incluída a dívida por ex.
Este regime passou 40 anos a dar coisas às pessoas(e aos próprios) que só foi possível com défice, por outras palavras dívida crescer.
Ora os ordenados e o crescimento do GDP reflectiu essa dívida, mas não o seu pagamento. Portugal chgeou aos 22000 euros per capita no ano do topo da bolha e 20-25% desse valor deve ter sido dinheiro emprestado e valorização excessiva e não produção real. Quando acaba o crédito acabam naturalmente esses valores.
Outro buraco claro é a Tecnologia.
-Se os produtos melhoram mesmo que não haja melhor ordenado a qualidade de vida melhora. Isto é óbvio muito difícil de quantificar.
Outro é a Inflação/Desvalorização/Tecnologia.
-Eu com menos ordenado consigo comprar mais estou pior? Não.
Há 10 anos para comprar um bom computador precisava de 1500 euros. Hoje um de 500 já faz tudo o que o outro faz.