
Quem anda tão convencido que os programas de ajustamento impostos pela troika aos países “ajudados” vão conduzir ao milagre do retorno aos mercados deve atentar nesta notícia. No seu relatório sobre a Grécia, a própria troika reconhece que em caso algum a Grécia regressará aos mercados em 2015 e que por isso nesse ano irá precisar de mais 50.000 milhões de euros. Isto depois de um programa que obriga a Grécia a despedir 150.000 funcionários em três anos, dos quais 15.000 já em 2012, reduzir o salário mínimo e o subsídio de desemprego em 20% e cortar as pensões em 15%.
É evidente que com estas medidas nem em 2015 nem sequer em 2115 a Grécia irá conseguir regressar aos mercados, pelo que o seu destino é ir de programa de ajustamento em programa de ajustamento até atingir o colapso total, quando da troika lhe disserem: “Basta! Já não emprestamos mais nada”.
E a Portugal vai suceder exactamente a mesma coisa, pois o regresso aos mercados em 2013 é outra miragem, com os valores já conhecidos de agravamento da recessão e do desemprego.
Por isso a sensação que tenho em relação a este programas de ajustamento é a de os políticos europeus estarem a representar uma peça teatral. Toda a gente sabe que não vão resultar, mas é preciso continuar a representar a peça na esperança de que os espectadores não se apercebam demasiado cedo de qual é o fim. Mas um dia a realidade impor-se-á à ficção e as pessoas perceberão a enorme tragédia para onde foram atiradas.

1.-É preciso retirar rapidamente a Saúde, a Educação e a Segurança Social do ESTADO que come os nossos impostos, até ao dia em que…não houver contribuintes ou, a manterem a treta e a besta (o Estado)não houver nada no Fundo…. (já esteve mais longe esse dia)
2.-É preciso captar gente rica (e que aqui no burgo a inveja dominou…mas como estamos de mão estendida…a inveja fica para…tempos de vacas gordas), baixando impostos a quem produz e exerce funções nucleares de uma comunidade.
Mas a Grécia pura e simplesmente talvez não precise de regressar aos mercados em 2015.
O défice primário (i.e. antes do pagamento de juros) do Estado grego está a cair muito rapidamente. Se em 2015 já não existir défice primário, a Grécia pode nessa altura fazer default (deixar de pagar os juros da dívida) porque o seu Estado já será autosuficiente. Não precisará então de pedir dinheiro emprestado a ninguém, isto é, não precisará sequer de ir aos mercados.
E quanto custa aos países europeus a bancarrota da Grécia? Mais ou menos do que aquilo que já foi gasto, acrescido dos 50 mil milhões?
Os viciados no défice, dívida continuam com o pensamento de “regressar aos mercados”
Mas como raio alguém retorna aos mercados com mais de 100% de Dívida Publica?
E o que é que interessa regressar aos mercados a não ser para comprar votos e levar o país para a próxima bancarrota?