
Putin está a perder a guerra que desencadeou a 24 de Fevereiro, quando ordenou às suas forças armadas que ocupassem Kiev e depusessem Zelenski sem demora. Nenhum destes objectivos foi atingido, ao contrário do que logo garantiram alguns majores-generais portugueses fiéis a Moscovo. Hoje começou a evacuar Quérson, um dos seus maiores “troféus de caça” nestes oito meses de agressão ao país vizinho.
É verdade que nos últimos dias têm sido lançados, de território russo, novos mísseis sobre Kiev, vitimando dezenas de civis, e drones com origem no Irão vão danificando infra-estruturas ucranianas. Mas isso só reforça esta evidência: a táctica do terror é própria dos derrotados no plano militar.
A partir de agora a maior incógnita começa a ser sobre o futuro da Rússia, não sobre o futuro da Ucrânia.
ADENDA:
Prémio Sakharov 2022, do Parlamento Europeu, distingue o povo ucraniano. Não podia ser mais apropriado.

Tudo vai ficar bem?
O futuro da Rússia não será muito diferente do seu passado. Guerras, repressão, perseguições, ditadores e seguidores. Dificilmente algum dia serão uma democracia.
Faz agora cem anos, a Rússia estava mergulhada numa das mais sangrentas e devastadoras guerras civis do século XX.
A incógnita é a única certeza, Pedro. Há dias comecei um texto sobre esse assunto e não o terminei exactamente por não saber como o fazer. O que é que se pode esperar após a queda de Putin? Um outro ditador? A desagregação da Federação Russa? É muita incerteza junta.
Há imensas forças centrífugas na Federação Russa, construção política tão artificial como a defunta URSS, Paulo. Se for verdade que a história se repete em ciclos longos, um cenário provável na Rússia pós-Putin é outra guerra civil. A que ali ocorreu há cem anos causou cerca de um milhão de mortos – mais do que a guerra civil espanhola dos anos 30.
Esta invasão da Ucrânia não provoca só feridas no país invadido que levarão gerações a sarar. Pode provocar também fracturas gravíssimas na própria Rússia – que aliás já se esboçam em diversas formas.
1ª guerra contra civis desarmados.
já não pilim para comprar bola de cristal ou ir à bruxa
O Golias Putin, batido em terreno militar pelo David ucraniano, vinga-se matando velhos e crianças à bomba.
Puro terrorismo de Estado.
Por incrível que pareça é que ainda existem pessoas que defendem este regime russo. E pior que isso, não o fazem por convocatória, apenas porque isso representa uma oportunidade para acusar e atacar os EUA e as democracias ocidentais. Não é uma corrente de opinião, é apenas uma obsessão traumática.
Não falta quem idolatre o terrorismo. Faz-lhes disparar a adrenalina, verem o Putin mandar matar crianças e velhos.
Mijaíl Shólojov in EL DESTINO DE UN HOMBRE
a primera primavera después de la guerra
fue en el Alto Don excepcional: llegó impetuosa, y el deshielo se produjo rápido, a un tiempo. A fines de marzo, soplaron de las costas del mar Azov templados vientos y, dos días más tarde, ya estaban completamente desnudas las arenas
de la margen izquierda del Don; se alzó, abombándose,
la nieve que llenaba barranquillos y cañadas, mientras los riachuelos de la estepa, rompiendo el hielo, corrían
retozones, primaverales, y los caminos se ponían casi intransitables
Nobel da Literatura 1965.
Mais um comunista.
Mijail Shólojov
“Após o triunfo bolchevique , Sholokhov estabeleceu-se em Moscou, onde começou sua carreira de escritor. Ingressou no Partido Comunista em 1932 e em 1937 foi eleito para o parlamento soviético . A publicação de The Gentle Don , que lhe rendeu o Prêmio Lenin em 1941 , fez dele o escritor mais influente da União Soviética . Sholokhov acompanhou Nikita Khrushchev em 1959em sua viagem à Europa Ocidental e aos Estados Unidos, e em 1961 foi eleito para o Comitê Central. Na década de 1980, sessenta e nove milhões de cópias de suas obras foram impressas em oitenta e quatro idiomas da União Soviética. Em seus discursos e escritos jornalísticos sempre apoiou as políticas oficiais do governo da época.”
Excelente capa.
Concordo. Capa digna de aplauso.