
José António Abreu: «Como hoje está um bocadinho fresco, talvez venha a propósito. Embora, na verdade e apesar de estar a ficar velho, eu não odeie o frio; tendo é a gostar de pessoas que odeiam.»
Eu: «Regressei a estes versos de Manuel António Pina ao saber, há escassos minutos, da sua morte. Sabia-o gravemente doente mas imaginei sempre que teria uma vez mais capacidade de resistir. Era há muito seu leitor, admirador dos seus textos inconfundíveis. Em verso e em prosa. Calou-se a voz do Prémio Camões 2011, de um dos nossos melhores cronistas, de um escritor “condenado à poesia”, de um grande jornalista que foi capaz de manter através dos anos um olhar de espanto jovial e juvenil perante os pequenos milagres quotidianos sem calar palavras de indignação perante todas as formas de injustiça que ainda sufocam o ser humano.»
