É nestas alturas que certos profissionais da indignação se tornam mais eloquentes. Pelo silêncio. Ao assobiarem para o ar e fingirem que não reparam na barbárie instalada pela “revolução islâmica” de Teerão, três décadas após Khomeini ter ali tomado o poder com o aplauso de muitos bem-pensantes da Europa. O filósofo Michel Foucault, num arrebatamento beato, chegou a chamar-lhe “santo”. O Partido Socialista Francês, em 1979, declarou tratar-se de “um movimento popular de excepcional dimensão na história contemporânea”. O regime teocrático iraniano afinal fez mergulhar o país nas trevas pré-medievais, legalizando práticas aberrantes como a lapidação. Foucault e outros, por ignorância ou estupidez, estavam enganados. Mas os piores são os outros. Os que sabem e calam.
Publicado hoje no DN


Exactamente.
É isso mesmo, Pedro. E não me venham falar do direito às diferenças culturais: barbárie é barbárie, seja cometida por quem for e em nome do que for. Neste caso (como infelizmente noutros tantos, em várias latitudes e crenças), em nome de um deus qualquer. São os piores crimes e os mais cobardes, os que se cometem com a desculpa de uma vontade divina, sempre tão conveniente para os humanos…
Muitos dos nossos comentadores de política internacional e vários blogueiros esgotam a indignação quando olham para Gaza, Ana. Tudo o resto, do Irão à Coreia do Norte, os deixa indiferentes.
Bem sei.
São, de facto, práticas aberrantes em tempos de trevas pré-medievais. Inacreditável o que lá se passa! É verdadeira barbárie.
E são tantos os que sabem e calam…
Obrigado, Pedro, por (re)lembrar esta terrível realidade que, no apressado curso do(s) tempo(s), tendemos a tolerar.
Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.
Um nojo! Um esterco!
Lapidar. Eu sou (fui) uma pró- Reza Pahlevi convicta, nesta altura dos idos de 78/80. Depois conheci persas (gosto de dizer assim), em Paris e mesmo em Portugal. Refugiados do tempo das luzes em Teerão, tempo esse em que acreditaram, e muito bem. Esta história é um capítulo sórdido – mais um -, por estas deserdadas paragens do oriente. Tanto capital desperdiçado!