Os nossos comentadores, insatisfeitos com o julgamento dos pedófilos da Casa Pia, querem agora acalmar as suas inquietações no Prós e Contras, em sites com filmes proibidos e na doce ruminação das conferências de imprensa.
É fácil desqualificar um veredicto, em especial se tiver duas mil páginas que ninguém leu. Há sempre pormenores suspeitos, merdas infundadas, contradições fulgurantes.
A justiça é complexa? Felizmente a televisão é simples. Carlos Cruz, como peixe na água, agradece-nos.

Pois, tenho mesmo que rever urgentemente a minha definição de serviço público…
Já somos dois.
Raras vezes tenho visto tão ferido o princípio constitucional da igualdade dos cidadãos como nestes dias pós-acórdão do processo Casa Pia. A omnipresença de Carlos Cruz (o «arguido bom»), do seu advogado e agora também do bastonário da Ordem (mandando às malvas o dever de reserva inerente às funções que exerce) em tudo quanto é orgão de informação, procurando achincalhar o acórdão e os magistrados, em contraste com o nulo tempo de antena reservado a Carlos Silvino (o «arguido mau»), diz muito sobre o estado desta ‘República’, a poucos dias do centenário.
É uma tristeza. E não sei como o Daniel Oliveira, que ainda considero uma pessoa razoável, se deixou meter naquela embrulhada.
Já agora, como vejo geralmente o nosso estaminé ao telemóvel ainda não te disse, mas andas a passar os meus destinos de fins de semana na série “Amar Portugal”. Só falta a praia de Santa Luzia, ao pé de Tavira, e dois ou três coisinhas secretas.
Eheheh. Alguns refúgios secretos têm de ficar assim mesmo: secretos. Quanto ao Daniel, as opiniões dele quanto a pedófilos – condenados ou não em tribunal – variam. Depende se os abusadores usam ou não batina.
Considero inaceitável com o tempo de antena que os diversos canais têm dado a Carlos Cruz. E as vítimas que ele tem vindo a desprezar ninguém as ouve? O bastonário (com letra muito minúscula) já não engana ninguém, isto é, passamos a ter saudades de Bastonários como os Drs . Pires de Lima ou Augusto Lopes Cardoso, que obviamente não se embrulhavam nesta polémica. Como ainda vou acreditando na justiça, embora seja muito lenta para mim Carlos Cruz é culpado por muitas entrevistas que agora dê. Não era ele que se preparava para cavar a alta velocidade num jeep BMW de alta cilindrada?
Lamentável como o nosso serviço público se demite de forma clamorosa das suas responsabilidades com tamanha leviandade e indignidade. A coberto de um pretenso esclarecimento de consciência cívica desqualifica-se (como diz) incoerentemente e de maneira não inocente uma decisão judicial… Mas, ainda mais deprimente é a reacção dos cidadãos [(é ouvir os impropérios no(s) dia(s) seguinte(s)] e a sua brutal acomodação ao que lhes entra pelos ouvidos num belo e bem sucedido exercício de manipulação (manipulação ruidosa, atrever-me-ia a dizer, cujo som apenas a alguns desperta).
Como comentador, subscrevo os comentários de Rui Rocha e do Pedro Correia. E aquele em tu mesmo referes o Daniel Oliveira. Definitivamente, não há saco.
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