"Toda a gente sabe hoje, depois de o saber, que há geometrias chamadas não-euclidianas, isto é, que partem de postulados diferentes dos de Euclides, e chegam a conclusões diferentes. Estas geometrias têm cada uma um desenvolvimento lógico: são sistemas interpretativos independentes, independentemente aplicáveis à realidade. Foi fecundo em matemática e além da matemática (Einstein bastante lhe deve) este processo de multiplicar as geometrias ‘verdadeiras’, e fazer, por assim dizer, abstracções de vários tipos na mesma realidade objectiva" – Álvaro de Campos, in Aviso por Causa da Moral e outros Textos.
Não fossem as geometrias não-euclidianas e o Expresso e uma mentira passaria "incólume à História". Não uma mentira, mas "a mentira".
Graças a um assessor político do Presidente da República ficámos a saber que à História também não passará a verdade. Para quê?, perguntar-se-á, se tanto o silêncio como o verbo irado mereceram inequívoco apoio da própria Presidência da República.
Não sei se alguém pensava que ia ficar a saber se houve ou não houve conversa com um jornalista do Público; se tendo havido tal conversa isso foi do conhecimento ou patrocinada pelo Presidente da República; se um simples desmentido seria suficiente para iludir factos a que foi dada publicidade na página oficial do PSD; se o descaminho de um e-mail transforma em mentira o seu conteúdo; se foi esse descaminho que tornou o e-mail despropositado e o afastou da realidade e, finalmente, se a intriga que cresceu e se infiltrou foi promovida pelos mesmos que levaram à demissão de Martins da Cruz do governo de Durão Barroso ou ao afastamento do dito assessor político da direcção do Diário de Notícias.
Por uma vez "a mentira" não passará incólume à história. É essa a missão dos assessores políticos de um Presidente da República: impedir que as mentiras passem incólumes à história depois da poeira assentar. Quem escreve a História, com "h" maiúsculo que é como ela é vista, tem o direito de impedi-lo. É um facto indiscutível. Em Boliqueime já todos o perceberam. Daí que também já não se lembrem de nada.
Um Presidente da República não escreve a História. Um Presidente da República não é menos do que foi um Governador de Macau. Ele pode bem ter um assessor político pago pelos contribuintes para escrever a História por ele. Não precisa de nenhuma fundação. O Presidente da República é um génio.
Ainda acredito que o prof. José Hermano Saraiva há-de vir explicar-nos esta genialidade. Isso e a aplicação das geometrias não-euclidianas à análise política dos factos.

Soberbo.
Que chorrilho de disparates!
Ah! Agora sim. Ficámos muito mais esclarecidos com este seu contributo. Muito obrigado.
Não tem de quê.
Eu sei que não.
Folgo muito.
Percebe-se. Podia aproveitar as folgas para pensar.
Parabéns à prima.
Excelente, Sérgio. Depois de estar caladinho tantotempo, o melhor era ter continuado assim. Ao escrver aquilo caiu no ridículo.
Vou-lhe reservar um lugar na minha caderneta de cromos.