O saque fiscal.


Luís Menezes Leitão,

Colocar no último escalão do IRS pessoas com rendimentos acima de 80.000 euros significa falsear completamente a progressividade do imposto sobre o rendimento. Decidido a fazer um saque fiscal a todos os cidadãos, o Governo nem sequer hesita em qualificar como ricos pessoas de rendimentos médios. Sinceramente, acho que já é tempo de este Governo se ir embora. Para equilibrar o défice, subindo continuamente os impostos, um simples contabilista chegaria. De um verdadeiro governo, exigir-se-ia muito mais.

11 comentários em “O saque fiscal.”

  1. 80.000/14= 5700 euros/mês.

    Tendo em conta que o ordenado médio é de aproximadamente 800 euros/mês, gostava de perceber a que país é que se refere quando fala em rendimentos médios no escalão mais alto.

  2. Num país onde o a maioria dos vencimentos mensais anda abaixo dos mil euros, não me parece que 80 mil /ano seja um rendimento médio.
    Hoje os portugueses perceberam finalmente o que lhes está a cair em cima. No que me diz respeito, e porque o meu rendimento familiar tambem leva um valente rombo, espero que estes sacrificios sirvam para no futuro todos pagarmos menos impostos.
    Claro que em alternativa podemos rasgar o memorando e mandar os credores às urtigas; ou pedir à troika para ficar cá até 2020 ou 2025. Mas estas alternativas são solução?

  3. Para se reduzir o menos possível o emprego público, é mais simples aumentar impostos e denominar de RICOS …quem tem 7500 euros de rendimento mensal.

    Pensava este país que tinha centenas de ricos a sério…é o próprio povo português que, ou andava parvo, ou finge bem.

    IDEIA única desmistificadora:
    A Burguesia lusitana:
    …camisa “gigolo”, com discurso “esburacante”, oleado capilarmente, é ele, montado na sua máquina, e com cabeças-de-vidro mais novos bem-vestidos, mas broncos de adn, bem artilhados de “gadjês” (não, não é o termo romani que deu “gajo” na lusitana fala, e que naquela bela língua significa “estrangeiro”…é brinquedo virtual)
    A chafarrica que dê lucro ao final do ano de 70 000 euros…ainda as há. Muitas houve.
    IRC a pagar em Maio do ano seguinte: 25% x 70000 = 17 500€. Paga-se de uma só vez! Chatice.
    Ora, os “usos correntes do comércio” impõem o endividamento para pagar estes valores no agonizante Maio. Fica-se com a sensação de que é preciso fazer um grande esforço para pagar este valor.
    E como é que se foge legalmente ao IRC?
    Chegamos a Dezembro ….Sabendo que há lucro, efetua-se despesa. Não, não é o Papá Noel…
    Compra-se um A5, por exemplo, com prestações suaves de 800€ mensais, que seja.
    A desvalorização do carro será de 25% no primeiro ano. A máquina custou 80 000. Assim, declara-se 20 000€ de despesa nesse ano, reduzindo o lucro de 70 000 para 50 000€.
    Só já pagarei de IRC 25% de 50 000, …12 500.
    (É muito guito, pá!)
    Compra-se 5 Iphones: 1 pra mim, outro prá filha e ainda outro prá esposa, e prá Soraya, e prá insubstituível Dulce.
    Compro um méc pra mim e outro prá filha que também já está a precisar. Um novo lcd também.
    Gastei 10 000€ e vou pagar em 50 prestações. Conta tudo para despesa na empresa. De 50 000 de lucro já desci para 40 000.
    Como a miúda já fez 18 anos, compro-lhe um comercial por 10 000€, sendo que o IVA dessa compra é devolvido pelo estado e 25% do valor do veículo é abatido à despesa. O lucro desce para 37 500, ficando um IRC para pagar de 1/4 desse valor (9 mil e tal…). Bom, o melhor é parar…, só para dizer que tive lucro e assim não tenho as Finanças atrás de mim, que é o que pode acontecer a quem reporta prejuízos.
    Fiquei a pagar em prestações mensais (800 + 200 + 200) = 1200 euros a pagar por 4 anos e pico… mas um …A5!, telegaitas de topo, computadores, e… acima de tudo, a felicidade da …filhota, cheia de pica para a faculdade.
    E no partido…dou lições de moral aos empresários lá da terra que andam metidos com o tiranete local ou com berberes de pouca parra…agora, faliram, é a vida.
    Mas…vejam…
    Náu, lúk uél, sou ou nun sou unh rico de Pertual, …ahn??

    Agora, rising to earth (as empresas têm dias contados, com tanta juridificação e patrulhamento)…é o Estado que chama rico a rendimentos anuais acima de 80 000 euros…

    Bénbindos à nuôba era…

  4. “Quando eles vieram contra os judeus eu não falei, quando eles vieram contra a liberdade dos artistas eu não falei, quando eles vieram contra mim não havia ninguém para falar…”

    Pois é quando nos toca a nós já não somos ricos?
    Para o autor do post já estaria bem se fosse para milionários?

    Mesmo deixando as questões de ética fora ainda não perceberam que os impostos sobre os ricos são “alibi moral” para impostos sobre todos os outros, pois é aí que está o dinheiro que tapa buracos?

  5. o Governo nem sequer hesita em qualificar como ricos pessoas de rendimentos médios

    (1) Um rendimento de 80.000 euros está, infelizmente, muito longe da média em Portugal.

    (2) O governo não classificou ninguém, que eu saiba, como “rico” nem “pobre”. Os escalões do IRS nada têm a ver com adjetivações.

  6. Num momento em que o programa “televisivo” com maior audiência a nível mundial é o “Perdoa-me” (até a Merkel foi fazer o mesmo à Grécia), estes continuam a fazer de carrascos.
    Quem sabe o Luís não possa escrever sobre isto que aqui vou linkar:

    http://noticias.sapo.pt/economia/artigo/fmi-calculou-mal-o-impacto-das-m_4980.html

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