8 comentários em “O saber não ocupa lugar”

  1. Nem o saber, nem as memórias. Mas fazem uma vida, ou tanto dela. Os Lusíadas levam-me a Macau, em Agosto de 1997. Impunha-se visitar o jardim, a gruta. E lá se esteve. As voltas da vida fizeram-me perder as fotografias desse punhado de dias únicos em que, uma e outra vez, a meio mundo de casa, dava comigo a pensar que “então isto vai para os chineses…”. Ainda que “naquilo” só no hotel, no banco e na livraria encontrasse quem falasse português. Perdi as fotos, não as memórias.

    A Constituição da República Portuguesa estudava-a eu, por esses dias, numa opção tardiamente tomada – ou tomada quando a vida o permitiu – e foi em férias desse estudo (e da profissão, ao tempo) que senti essas comoções de benigno e melancólico colonialismo – e seria? – anacrónico.

    Os dicionários. Onde posso hoje (em alfarrabistas, apenas?), perdidos os que tinha, encontrar bons dicionários da língua portuguesa que não se curvem perante a aberração ortográfica destes tempos? Só assim serão bons. Como já o foram.

    Costa

    1. Quase que nos encontrámos em Macau, Costa. Terra onde vivi largos anos e que tão bem conheço.
      Na primeira vez que lá estive, com apenas dez anos, visitei a gruta de Camões – no jardim homónimo. E gosto sempre de rever essas fotografias – com o Porto Interior ali tão perto.
      ‘Os Lusíadas’, neste exemplar anotado pelo meu ex-professor Zacarias Nascimento, são um livro de consulta permanente. Inesgotáveis, as lições que nos transmite.
      Também a Constituição anotada pelos professores Gomes Canotilho e Vital Moreira é uma peça de consulta muito frequente. Falta-me o segundo volume, hei-de adquiri-lo.
      O passarinho, que volta e meia se passeia livremente numa casa que sempre foi amiga de animais, só demonstra apetência pela cultura. Que mais podemos nós pedir a um animal que vive debaixo do mesmo tecto?

      1. No meu caso a incursão foi brevíssima, rápida e superficial visita de turista, e nada me autoriza a considerar que se repita. Mas, depois de alguns anos de acompanhamento deste blogue, sabia que tocava um tema querido para si (e não lhe custará acreditar que é para mim memória tão breve quanto também querida).

        Passarinhos só assim: livres para voar pela casa, mesmo com o risco de os ver fugir pela janela. O mais parecido foi o trabalhoso – num apartamento, imagine, e com visitas ao veterinário… – asilo proporcionado há muito tempo a uma gaivota de asa ferida. Até recuperar e ser largada (oportunidade que gloriosa e entusiasticamente aproveitou!) numa praia, tão diferente do animal ferido, exausto e indefeso que tão facilmente se deixara apanhar.

        Ora, passarinhos, livres, pela casa… E como com dois saudáveis gatos que são por aqui os verdadeiros donos disto tudo?

        Costa

        1. É verdade, meu caro.
          Eu posso dar-me ao luxo de ter passarinhos soltos (e cultos) numa casa e gatos noutra. Cada qual no seu ‘habitat’.
          Uma vez um canário voou-me da janela aberta. Mas não foi longe e acabou por voltar. Nunca mais esqueci: é raro sucederem coisas destas.

          Foi em Macau, precisamente.
          Tenciono em breve manter aqui um fio regular de memórias do Oriente. Vai sendo tempo.

          Um abraço, neste domingo chuvoso.

  2. Velhos tempos em que vendia enciclopedias de várias cores a escolha para condizer com a mobilia ou a cor das paredes. O nº volumes também era variavel, conforme oespaço que detectavamos nas estantes.

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