Nunca cessarei de me espantar com o reduzido valor da vida humana na moeda corrente do tráfego noticioso. Um indivíduo comete um crime horroroso, arrastando com premeditação para a morte centena e meia de inocentes a bordo de um avião como se fossem reses a caminho do açougue. E logo de todo o lado despontam peças amáveis, que o tratam familiarmente pelo nome próprio, atribuem o massacre de que foi responsável aos efeitos de uma arreliadora “depressão”, difundem incessantemente fotografias do pacato e risonho rapaz que seria antes de se ter “descontrolado” e divulgam testemunhos abonatórios acerca da personalidade do visado, assegurando ao mundo que se tratava de uma pessoa tranquila, um rapaz “competente e sonhador”.
E – cherchez la femme – jamais esquecem de mencionar, vezes sem conta, que o sujeito se viu abandonado pela namorada. Sugerindo assim ao leitor ou espectador incauto que a responsabilidade suprema do massacre não terá sido do assassino mas da rapariga que recusou prolongar o namoro. Nestes momentos surge sempre um psicólogo a referir a condição depressiva como causa do “acidente” (benigno vocábulo utilizado em profusão) e talvez nem falte até um sociólogo de pacotilha a designar o indivíduo como “vítima” de uma sociedade injusta ou do sistema capitalista, que “é por natureza repressor”.
Já lemos e ouvimos de tudo nesta sociedade-espectáculo que cultiva a emoção em sessões contínuas mas segmentadas em capítulos sucintos e precários. Por isso a indignação de muito boa gente tem prazos de validade cada vez mais curtos e é dirigida a alvos móveis, que variam consoante a tendência do momento.
Neste caso, por exemplo, a primeira vaga de estridência nas redes sociais dirigiu-se contra a idade avançada da aeronave da Germanwings, uma companhia aérea de baixo custo integrada no grupo Lufthansa. Sem investigação, sem aprofundamento dos factos, sem nada comprovado: bastou alguém acender um rastilho para logo milhares de almas ferverem de fúria contra a companhia aérea que se permitia utilizar aparelhos tão “antigos”. Na escala de valores contemporâneos, como sabemos, ser novo é sinónimo de ser bom.
O problema é que não se tratou de um “acidente”, não foi um azar, não foi um capricho divino. Foi um homicídio premeditado pelo tal jovem sorridente e desportivo cujas imagens nos invadem o domicílio à hora dos telediários. Com o nome impresso por toda a parte, irresistível tentação para outros psicopatas que anseiam por minutos de fama à custa do sangue alheio.
Em vez de uma bomba ou uma AK-47, o tal tipo amável optou antes por um Airbus 320 como instrumento do massacre. “Descontrolou-se”, repete alguém. Como já sucedera com aquele assassino norueguês, um monstro de sorriso gélido que em 2011 matou a sangue-frio 77 adolescentes num acampamento de Verão.
Também ele contou com a benevolência de psiquiatras que logo o consideraram “inimputável” – como se o mal não estivesse inscrito desde os confins dos tempos na condição humana. Também ele teve o nome e o rosto impressos por toda a parte.
Um e outro, celebridades instantâneas à escala planetária. Neste mesmo mundo em que tantos benfeitores permanecem anónimos e jamais serão procurados para notícia de telejornal.
Leitura complementar:


abandonado pela namorada […] a rapariga que recusou prolongar o namoro
Curioso eufemismo. A partir de agora, um abandono será descrito como “recusa de prolongar o namoro”. Presumo que um divórcio deverá ser descrito como “recusa de prolongar o casamento”.
Se o Pedro procurar na wikipedia nomes como “Heinrich Himmler” ou “Reinhard Heydrich”, também encontrará lá fotografias dessas pessoas em poses sorridentes e simpáticas, e descrições do seu lado humano.
Concordo e aplaudo o texto.
Como já ouvi por aí: – “…Uma sociedade injusta ou do sistema capitalista “é por natureza repressor” . É verdade. Assim se justifica o morte assassinada de 50 milhões de vitimas nos Gulag!
Se um esfomeado matasse 150 pessoas para ter o que dar de comer aos filhos não deixava de ser um homicida que deveria ser julgado e condenado sem atenuantes. Mas não deixava de ser positivo que nessa altura se discutisse a fome no mundo e como erradicá-la.
Algumas perguntas, ao correr do teclado:
1. Matar 150 pessoas tira a fome de alguém?
2. O piloto em causa tinha fome?
3. Algum motivo justifica a morte de 150 inocentes? Ou de 15? Ou de 5? Ou de um?
4. Matar alguém aos comandos de um avião é menos chocante do que matar à bala ou à bomba?
5. Quanto vale afinal uma vida humana? Muito? Pouco? Nada? Tudo?
Pelos vistos não me fiz entender. O que eu quis exemplificar foi:
1- Um homicida deve ser considerado como tal independentemente dos seus motivos (maldade, loucura, sobrevivência, etc), porque acho que deve haver responsabilidade mesmo que não haja capacidade de discernimento.
2 – Embora se trate de um homicida, deve ser analisado e discutido para se perceber o que transforma uma pessoa normal em alguém capaz de matar o seu semelhante e se tomarem medidas que evitem que novos casos apareçam. Encarar a pessoa como um monstro só faz com que outras pessoas que têm problemas similares tenham medo de pedir ajuda, adoeçam com mais gravidade sem nenhuma espécie de controlo e surjam novos casos.
3 – Ninguém sabe os motivos que essas pessoas têm para cometer estes actos. O transtorno por vezes é de tal ordem que os doentes alucinam momentaneamente e pensam que estão ao lado de “extra-terrestres” e consideram que matá-los é a sua maneira de salvar o mundo. E dizendo isto não digo que se devem desculpar, apenas que se devem analisar e debater para a generalidade das pessoas saber o que nos pode alterar a mim, a si e a todos e tentarmos evitar que isto se volte a repetir com a frequência que se tem vindo a demonstrar.
A melhor maneira de evitar que crimes destes possam repetir-se é evitar um certo discurso jornalístico muito benevolente que quase transforma assassinos em heróis. Pessoas bondosas, bons vizinhos, filhos exemplares, cidadãos cumpridores, eventualmente com pouca sorte ao amor, etc, etc.
Os “transtornos” deste, para usar a sua expressão, podem perfeitamente ser emulados por outros igualmente “transtornados” e sedentos dos 15 dias de fama que os imortalizarão para sempre nos noticiários de todo o mundo, mesmo à custa das maiores atrocidades. O próximo, em vez de estoirar com 150 vidas humanas, pode estoirar com 300 para obter ainda maior eco mediático.
O meu texto chama a atenção para este risco. Parece-me suficientemente claro. Não é, aliás, a primeira vez que o faço. E voltarei a abordar o tema sempre que assim o entender e as circunstâncias infelizmente o justifiquem.
Você não percebeu o comentário anterior
Pedro Barrento?
Pedro Correia – Jornal de Almada? Se sim, encontra-me no Facebook.
Pedro Garcia Barrento – Diário Popular?
(Lá não te encontro, pois não tenho FB)
Não quero deixar o meu email aqui. Vai ao meu blog e contacta-me:
https://ideasforarevolutioneng.wordpress.c om/
Assim farei. Gostei deste “reencontro” tão surpreendente, quando já não o esperava. Durante anos perguntei por ti a várias pessoas sem nunca conseguir saber nada a teu respeito.
Era só “Googlar” e o meu nome aparecia.
Vejo que sim agora. Mas durante anos, quando pesquisei, não encontrei nada – nomeadamente em editoras. E deram-me pistas que – concluo hoje – afinal estavam erradas.
O Pedro Correia parece incapaz de conceber que alguns indivíduos, por razões biológicas e/ou sociais, sofram de distúrbios mentais e realmente não têm plena consciência das suas acções. Vejo-o escrever com grande regularidade, e qualidade, sobre literatura aqui, mas às vezes parece-me que essas leituras são desperdiçadas em si, se não consegue aceitar o quanto de irracional, inefável e inexplicável existe no comportamento humano, e que o poder da razão é, muitas vezes, um mito herdado do Iluminismo e cujos buracos já foram apontados repetidamente desde então.
Pelo contrário, Miguel, tenho escrito muitas vezes sobre a irracionalidade e as pulsões ‘animais’ do ser humano que escapam a todas as cartilhas racionalistas. Tenho poucas ilusões sobre a natureza humana.
O meu ponto, neste caso, não tem nada a ver com isso. Tem a ver com a persistente tentativa jornalística de “humanizar” um assassino. Já tinha acontecido com B, o psicopata que assassinou 77 jovens na Noruega em 2011 e volta a acontecer agora. Bom filho, bom vizinho, bom desportista, cidadão pacato e cumpridor. Um belo dia acordou mal disposto e deu-lhe para se suicidar levando atrás dele centena e meia de pessoas que nada tinham a ver com as suas obsessões ou com as suas paranóias.
Essa é a narrativa dominante. Como se cada notícia tivesse a obrigação “deontológica” de se equiparar a uma fita de Hollywood. Como se nos quisessem convencer a todos que afinal não existem rapazes maus.
Interessa-me muito saber quais foram os antecedentes, para que se não repitam. Aliás neste caso já não será possível aos homens aplicarem qualquer castigo ao criminoso.
Quanto à invocação das penas do inferno e dos castigos divinos sobre um pecador, acho-os um pouco ridículos.
E considerar-me uma bússola moral parece-me presunçoso.
Não me parece nada presunçoso haver uma “bússola moral” que permita distinguir entre assassino e assassinados.
O facto de o assassínio ter sido cometido aos comandos de um avião, para o caso, é irrelevante.
Pelo contrário, absurdo para mim é haver quem não se guie por “bússolas morais” e faça até gala disso. O que equivale a meter vítimas e carrascos no mesmo saco da indiferença.
Percebo que isso se adequa muito ao ar do tempo. Mas nunca deixarei de remar na direcção oposta.
Penso que há mais a tentativa de compreender ou explicar as causas da parte da imprensa do que o louvor do assassino. Não vi isso em lado nenhum.
Ora o que tem importância é conhecer as causas para evitar repetições.
Também não percebo o que pretende da imprensa.
Que os apresentadores de TV cuspam no chão sempre que se diz o nome do homem?
Ou prefere uma solução à israelita e que a casa onde a família dele vive seja demolida?
Já cá faltava a inevitável alusão a Israel, sempre insinuada a (des)propósito de qualquer assunto. Nunca cessarei de me espantar com a real dimensão do anti-semitismo em certo imaginário europeu.
Subscrevo inteiramente a opinião expressa por jo.
Não vejo nenhum acto laudatório por parte da imprensa para com o alegado suicida que não queria morrer sozinho. Apenas a tentativa de racionalizar algo que ultrapassa o senso comum. A velhinha pergunta “Porquê?”
Já as comparações com o assassino norueguês são perfeitamente descabidas. Não existiu qualquer instinto suicida nesse caso.
Também misturar atentados bombistas e AK47 com este caso da Germanwings me parece perfeitamente descabido. Os atentados bombistas têm motivações políticas, não se devem a estados de loucura momentânea. Condenáveis sem dúvida mas num plano completamente diferente.
Por último, talvez não fosse má ideia esperar pela divulgação do conteúdo da segunda caixa negra do avião. A história da respiração tranquila que se “ouvia” na gravação parece-me perto do inverosímil. Construiu-se muito rapidamente uma narrativa com base em poucos factos.
O conteúdo da segunda caixa negra já foi conhecido e divulgado. Nada altera ao que já se sabia. Registo, no entanto, que para si, os atentados bombistas têm “motivações políticas”. Ignorava até que ponto o conceito de política, na sua perspectiva, está já tão pervertido.
Para mim são puros actos de barbárie. Ponto final. A política nada tem a ver com isto.
O facto de os atentados bombistas serem uma barbárie não lhes retira as motivações políticas. São actos de guerra, se não compreende isso, não percebe nada de política internacional. Quando os EUA lançaram as bombas atómicas no Japão, foi um acto de barbárie mas com motivação política. Qualquer acto de guerra é uma faceta da barbárie (porque sempre inclui vítimas civis, os chamados danos colaterais, segundo a doutrina Cheney). A grande diferença é a sua visibilidade: ninguém se interessa realmente com o que se passa na Líbia, na Síria ou no Iraque mas quando toca à nossa porta, é a barbárie.
Mas isto nada tem a ver com o caso da Germanwings, exemplo acabado da loucura de um ser humano.
P.S. Faça um esforço por resistir à tentação de fazer trocadilhos com o meu nick. São tão básicos!! Ocorrem-me alguns em relação a Correia mas não vou por aí.
Já deu o salto que pretendia, do assassino da Germanwings para a bomba atómica em Hiroxima e a invasão do Iraque pelos EUA. Tão fatal como as andorinhas voltarem todos os anos pela Primavera.
Parece-me o momento ideal para não perturbar a sua incólume militância anti-EUA a propósito de tudo quanto mexe, deixando-o a dialogar com os seus botões.
P. S. – Se não aguenta trocadilhos sobre a alcunha que escolheu para si próprio, tem muito bom remédio: escolha outra.
Quem começou com o paralelo descabido entre o suicida da Germanwings e ataques bombistas e AK47 não fui eu.
Deve sofrer de algum comportamento obsessivo-compulsivo em matéria de comentários: qualquer comentário que saia fora do que considera ser A Verdade, leva logo com o epíteto de militância anti-EUA. Viu-me referir a invasão do Iraque pelos EUA ou foi a sua mente formatada que leu o que não estava escrito?
Os exemplos que dei referem-se a teatros de guerra conhecidos, nem sequer emiti juízos de valor sobre as razões que assistem ou não aos intervenientes.
Para comentador, sofre de militância aguda, é um handicap. Não sei se tem tratamento.
Não é suicida, é assassino.
O que faz toda a diferença.
Essa diferença “apenas” aumenta a perplexidade. Não se trata de elogiar o suicida, como defende que a imprensa o faz.A pergunta “Porquê?” é feita em corpo 72 bold. Se fosse apenas um assassínio, teríamos de concluir que a primeira intenção teria sido a de matar 150 pessoas. Não é o caso. Para a mente do suicida (dentro das limitações de tentar analisar a mente de um suicida) as 150 pessoas foram um veículo para o seu statement final.
Mas isso merece-lhe repúdio frontal e categórico ou apenas um benevolente olhar de coleópetro? É que já tenho visto na Rede indignações muito mais inflamadas a propósito do abate de um cão ou de umas farpas espetadas no cachaço de um touro do que perante este massacre cometido por um sujeito que, abusando do seu momentâneo poder absoluto perante seres indefesos, usa um avião como instrumento de morte de centena e meia de seres humanos.
Para quem está sempre cheio de moral é muito estranho o Jo enfia-la na gaveta neste caso.
Não na verdade não é estranho, é só marxismo.
Bom.
Mas se olharmos para os motivos é muito pior.
Durante décadas o Marxismo usou o “desespero” – real ou fabricado – como arma de ataque e neutralização, segundo a premissa:
Opressão => Desespero => Suicídio+Assassínio de inocentes.
Com o passar do tempo já estamos no patamar seguinte a essa utilização política que estamos a ver.
Esta táctica Marxista já passou a fazer parte da Cultura Ocidental.
E a partir daí temos a sociedade toda a funcionar com esta premissa.
Se se soubesse hoje que co-piloto pertencia a um partido xenófobo muita gente ficaria mais horrorizada por esse facto que por ele ter assassinado 150 inocentes.
Ou se o co-piloto tivesse morto um cão brutalmente.
Este mecanismo mediático nasceu para justificar os atentados terroristas e a violência de Esquerda em geral.
Os atentados suicidas palestinianos foram apoiados por milhões no Ocidente, mesmo quando os mandantes escolhiam pessoas especialmente vulneráveis e caídas em desgraça na sociedade palestiniana.
É claro que muitos jornalistas sabiam e era importante esconder essa parte.
O objectivo era fabricar o “desespero” e se as pessoas estão desesperadas para se suicidarem então crimes inomináveis estão a acontecer. É a lógica da coisa.
E essas décadas de (des)informação marxista ficaram na nossa cultura.
O azar recente do Marxismo é que o Islamismo , outro movimento totalitário exagerou nos atentados suicidas…
Há uma diferença entre o louco da Noruega e este. O da Noruega tem prazer em fazer mal, em destruir o outro e sente-se feliz em fazê-lo, o que mostra ser um psicopata puro, este não era psicopata porque o psicopata não se mata, mata. O problema aqui, é no ser-se adulto e como adultos que são, ninguém pode fazer nada e se o fizer, ainda pode ser ele penalizado porque se meteu na vida alheia. Ninguém poder dizer nem fazer nada porque são maiores, como se o ser maior, fosse sinónimo de se estar no pleno das suas faculdades e a realidade tem-nos mostrado tantas vezes que não é assim. A companhia aérea também não está isenta de culpas, pois é inadmissível que nesta profissão, não se façam testes psíquicos e psicológicos. Provavelmente se os pais soubessem a situação do filho porque até agora não sabemos se sabiam e o denunciassem, ainda poderiam ser eles a serem as vítimas, pois o filho mostrava ser uma pessoa do melhor e provavelmente ninguém acreditaria neles e o filho ainda poderia processá-los e metê-los em trabalhos. É tudo muito complexo, enquanto médicos e familiares não puderem alertar o que na realidade se passa com um cidadão que está em degradação total, mas que para o mundo, aparenta ser impecável, para que ninguém desconfie das suas intenções premeditadas.
Há uma diferença entre o da Noruega e este: o outro matou 77 pessoas, este “só” matou 150.
Outra diferença: o assassino da Noruega foi considerado “inimputável” por sumidades da psicologia clínica, sempre disponíveis para desfazer toda a noção de responsabilidade individual dos homicidas. O alemão não chegou a receber esse benevolente rótulo porque entretanto fez estatelar o avião a toda a velocidade contra uma montanha.
Ambos, para mim, são o rosto do Mal. Porque o Mal existe, digam os psicólogos clínicos o que disserem. E lamento, num e noutro caso, que os nomes e e os retratos deles sejam difundidos a todo o momento pela comunicação social, numa espécie de incentivo involuntário a que surjam outras bestas com vontade de conquistar notoriedade à custa de vidas alheias.
Eu ‘adorei’ o rodapé de um noticiário televisivo, mantido no ar durante longos minutos:
“L***** queria que o seu nome fosse famoso.” (Ou algo do género.)
E, não querendo politizar a questão, também neste caso houve quem, pelo menos durante algum tempo, conseguisse culpar a austeridade (não, não foi a Ana Gomes): 7/maximo-pradera-tambien-politiza-la-tra gedia-aerea-de-los-alpes-1276544199/
http://www.libremercado.com/2015-03-2
Há sempre um imbecil a atribuir “causas sociais” a tudo quanto mexe. Da subida das marés à extinção dos rinocerontes brancos, da proliferação das gaivotas no interior de algumas grandes cidades à queda do Belenenses na tabela classificativa.
Sabe-se lá se a “depressão” do simpático rapaz que assassinou 150 seres humanos, incluindo pelo menos dois bebés, não se deveu à “espiral recessiva” do capitalismo europeu. E não me surpreenderia que a namorada lhe tivesse dado com os pés por não ter afinal ocorrido em Portugal o “segundo resgate” durante anos profetizado em Portugal pelas luminárias televisivas.
http :/ observador.pt /2015/03/31 afinal-lufthansa-ja-sabia-dos-problemas-p sicologicos-do-copiloto /. E deixaram-no voar?
Tudo isto é muito estranho e cada vez mais. Os testes de ADN são rápidos demais para pedaços de corpos, aparece um telemóvel onde se ouve tudo e imagine-se, no meio de tanto pavor, há tempo e sangue frio para ligar o telemóvel que por milagre fica intacto, mas não se pode mostrar…. Ninguém sabia dos problemas do piloto, agora já se sabe e para cúmulo a caixa negra que tem os maiores dados não aparece. Estranho, muito estranho, estranhíssimo………
Eu também acho tudo muito estranho desde que anunciaram que o Elvis tinha morrido subitamente naquele Verão quente de 1977. Por mais que digam o contrário, continuo convencido de que ele foi raptado por extraterrestres e levado à força para uma nave espacial.
Como é que pode ter a certeza que o individuo foi culpado da queda do avião? Com toda a certeza que você não estava lá e sobreviveu!… Tem acesso a informação que não seja contraditória como a que diariamente é emitida por quem parece ter algo a esconder?… A rapidez com que se concluiu acerca do culpado ainda sem sequer ter sido analisado o conteúdo da caixa negra não é suspeito, logo após um entendido ter afirmado publicamente que se iria demorar muito tempo (meses, se bem me recordo) até essa análise ficar completa? E a outra caixa negra? Deve ter-se desintegrado, não?… Talvez tivesse sido feita de titânio “made in China”! E mesmo que seja encontrada, é você que me garante que o que lá está registado, ou mesmo o que está registado na que foi encontrada, é o que os porta-vozes oficiais declaram… Afinal você é dono da verdade ou um ingénuo bem-intencionado? E, já agora, essa dos 150 inocentes…. Quando as nucleares começarem a rebentar vai ver se há inocentes no mundo… Ó homem, ninguém é inocente… Há sorte e azar… Bem e mal… Ingenuidade e astúcia… E por aí fora… Humanos inocentes não!… Todos somos culpados…
É um clássico. Aparece sempre um leitor destes. A dizer frases do género “todos somos culpados”. O que é uma maneira chique de dizer que ninguém é culpado de coisa alguma.
Outro clássico é proclamar que não existem inocentes.
Mas se ninguém é culpado, nem se reconhece sequer a inocência aos bebés que seguiam a bordo, em que ficamos?
Talvez o melhor seja “inverter o paradigma”, como agora se diz. Culpadas são as vítimas. Culpada é a ex-namorada do sujeito: por que raio pôs fim à relação? Culpada é a sociedade ocidental. Culpado é o sistema capitalista.
Inocente, há um. O assassino. Vítima da sociedade, vítima do capitalismo, vítima da namorada que lhe deu com os pés.
Parece que muitos dos críticos e juízes de ocasião se tão a esquecer do mar de problemas que todos nós de uma maneira ou de outra enfrentamos diariamente. Secalhar esta noticia poderia ter sido outra, “familiares, amigos e colegas não compreendem o despedimento de um piloto que apesar dos problemas era competente, sabia dos seus dramas e estava a tratar-se, não deveria a sociedade e a empresa apoia-lo?”
Duvido que haja alguém que possa assumir-se imaculado na luta diária com a realidade e que, não se ponha no lugar deste piloto e pense no gigante universo de gente que apesar dos problemas continua com a sua vida. Este decidiu não continuar, quem o poderia prever? Tem de se assumir que nem tudo pode ser evitado, podendo correr-se o risco de se lançar uma caça às bruxas e permitir que a ocultação seja assumida como a única alternativa para se continuar em sociedade com emprego.
A ver se consegui entender o seu raciocínio: como “todos nós enfrentamos um mar de problemas”, a melhor forma de resolvê-los é optar pelo suicídio – de preferência conduzindo 150 pessoas ao mesmo destino sem lhes pedir opinião sobre o assunto.
Por um lado nem consigo digamos compreender para que escreve o Pedro Correia ( PC ) , se o mesmo pensa e escreve toda a gente, desde logo a mais simples, no caso nao digo simploria, também porque o caso é apresentado como o PC o descreve, e só podemos digerir o que nos impingem. Em doses. Mas o PC está equivocado, também por isto : critica as reaçoes á prim eira noticia, mas reage á segunda noticia como se fosse a ultima e definitiva. Ainda por cima juiz, sem a presença do réu, cujo, até este momento nem se conhece testamento politico. E nem vou rir dessa dos “benfeitores anoninos “, sendo que o proprio termo benfeitor ´é mais que suspeito. Voltando ao tema. estranho que os conteudos das caixas negras sejam publicos, nao sejam secretos, ademais decorre investigaçao criminal. um especialista estranhou que, relativamente á primeira, só se ouvisse a respiraçao do assassino, impossivel dado o barulho proprio do aviao. E eu, nada especialista, até me ocorreu, que se calhar a porta encravou mesmo. Sim, porque é deveras estranho que o assassino, a metros do solo, nao tenha dito nada, isto segundo relatos da caixa negra secreta mas pelos vistos divulgada. Nao falou nada, porque ? teria a voz embargada ? na segunda fase, a policia tinha que descobrir, vá lá saber-se ás ordens de quem, que foi premeditado, e hoje fez saber que o assassino ate consultou sites de suicidio, coisa pouco e que nada explica, até me vou dispensar de relatar sites que se consultam e que nao se praticam. A vingança serve-se fria, provavelmente aconteceu mesmo assim como é noticiado, mas, terra a terra, gostaria de ver provas, por exemplo uma carta deixada pelo morto, ou ter vendido tudo e estoirado a conta bancaria.
Haja alguém coerente. Desconfia de benfeitores e concede todo o benefício da dúvida ao assassino.
Enfim, só faltou uma palavra – uma palavrinha apenas – sobre as vítimas. Mas compreendo que não pode haver espaço para tudo.
Sr. Pedro, lamento dizer-lhe que você não é dono da razão e que este caso é um caso muito duvidoso para que você faça juízo de valor do “suposto” homícida…homícida,que pode muito bem não o ser, pois nestes casos (vagos e contraditórios) prefiro dar sempre o benefício da dúvida. olações, fanticídios…etc, etc, etc. Por detrás de cada uma delas está “o rosto humano” do homícida…simpático, bem falante, enganador, sociável. Exemplo mais claro são os rostos dos Políticos que Governam o Mundo, mas esses você não aponta. Pois garanto-lhe que a “caneta” de um Político mata mais gente, que qualquer uma arma de fogo ou um qualquer outro acidente. E ao contrário do “suposto” co-piloto homícida, estes (os Políticos) têem a consciencia do que fazem, tal como um traficante que vende droga, ou um proxeneta.
Quanto ás vítimas, lamento profundamente a sua partida…como acredito na continuidade, julgo que este não é, não foi,nem será o verdadeiro fim…mas esta é a minha mais profunda e pessoal opinião e convicção.
Sr. Pedro, como deve saber todos os dias morrem milhares de pessoas, pelas mais variadas razões,fome,doença,guerra,assassinato,vi
Você reclama as vidas dos dois bébés (concordo, é grave), mas pergunto-lhe você faz o mesmo pelos bébés da Síria, da Palestina, do Iraque, da Indía? Você faz o mesmo pelas crianças que morrem aos poucos por dentro, porque não têem esperança, porque são adultos antes de tempo?
Pergunto-lhe quantos rostos existem por detrás disto tudo? rostos coniventes, mas simpáticos, indeferentes,mas sociáveis…quantos?
Digo-lhe que de todas as mortes que atrás descrevi, a pior de todas elas é a morte do espírito, esta é devastadora…é a mais devastadora…leva tudo.
E quantos recorrem a ela para matar? quantos?…Não tem número, no entanto no meio dela você encontra, Pais ,Filhos, Avós, Crianças…Famílias, e você preocupa-se? é indeferente?
A semente do mal nasce com o homem, DEUS reconhece isso mesmo, no velho testamento, JESUS fala disso no novo testamento. Cabe ao Homem destruir essa semente e DEUS deu-nos a cada um de nós a capacidade de destinguir o bem do mal, de destinguir aquilo que nos faz bem do que nos faz mal. Só precisamos de um abanão a sério. Pois o mal não vem de fora, ele vem de dentro,lá bem do fundo…da escuridão, se o meu espírito está na escuridão, como poderei amar? como poderei olhar o outro da mesma forma que olho para mim?
Ora se mergulhado na escuridão, perco o amor, a paz e a esperança…como poderei fazer o bem, como poderei amar?
Será que foi isto que aconteceu ao Jovem? ou será manipulação mediática?
Ou estará a companhia aérea a esconder a sua culpa? E a depositá-la em alguém com rosto?
Será que o avião estava em condições? será que tinha condições?
Sr. Pedro não sei se o texto que escreveu foi postado na melhor altura, se não seria melhor te-lo escrito após a conclusão deste caso.
Porque assim a frio, dá a entender que você é do Género de pessoa que faz rapidamente juizo de valor. O que não abona nada a seu favor, visto que do género está o mundo cheio, veja-se o 1ºministro Grego que até pela roupa lhe desenharam o perfil .
Aguarde-mos,
Cumprimentos.
1. Quem não mata não é homicida? Para mim é.
2. Registo que trata o assassino por Jovem. Assim mesmo, com um carinhoso J maiúsculo. Notável.
3. Acusa-me de “fazer juízos de valor rápidos”. Tem razão. Estou do lado das vítimas, muito rapidamente. E contra os assassinos, rapidamente também.
4. Menciona tráfico de droga, proxenetismo, os bebés da Síria e da Índia, e até a roupa do primeiro-ministro grego. Não sei o que tem isto a ver com o suicida alemão que matou 150 pessoas no avião que (des)comandava. Areia demais para a minha camioneta.
Os seus textos, não sendo brilhantes nas análises que apresentam, conseguem deixar-se ler. Mas à medida que vou lendo os seus comentários aos comentários que não alinham caninamente com as teses que apresenta inicialmente, fica cada vez mais difícil lê-lo. Assim, perto da intragável demagogia. Refreie essa sua veia de responder a tudo. Não se exponha tanto, só perde valor.
Não desperdice os seus conselhos comigo, Makiavel. Procure um príncipe.
acrescento, pode ser que os policiais leiam o post. Eles que nos digam , porque foi naquele dia e nao no anterior ou noutro dia. Se calhar era o dia de aniversario da ex -namorada … Senhores policias, localizem a namorada e perguntem-lhe a data de aniversario, e a data do rompimento.
Deve ter sido isso. A culpa foi da ex-namorada.
Cherchez la femme, cherchez la femme…
Mayday, Mayday…
Se houve algo que o presente texto me ofereceu, foi ter aumentado as minhas certezas quanto às muitas incertezas que ainda proliferam sobre a realidade deste Desastre/Acidente/Homicídio aéreo e que a gravidade do mesmo não me permite comentar ou construir teorias de forma leviana.- Estaria a entrar no mesmo processo em que todos acabam por cair : Teorias e julgamentos precipitados que como expressa o texto surgiram desde os primeiros momentos para à medida que novos dados e provas iam surgindo acabavam por cair por terra…e muitas mais irão cair, no longo processo da recolha de todas as peças do avião, de todos ‘os pedaços’ de vida por recuperar dos destroços, de todos os inquéritos. – Uma coisa Eu sei, por experiência Profissional, Ainda estão por apurar A qualidade do Funcionamento da Medicina do Trabalho e dos Departamentos de Higiene e Segurança e Recursos Humanos…-
É que ‘Nisto’ de Empresas de grande dimensão, intocáveis uma coisa há muito aprendi:
Podemos chegar à verdade dos factos, mas jamais conheceremos a verdade por detrás da verdade…
Uma vez mais, um(a) leitor(a) a “justificar” o assassino e sem uma palavra, uma só palavrinha sequer, de pesar pelas vítimas deste crime abominável.
São sinais dos tempos, que revelam bem a lassidão ética e moral dominante em certos circuitos de opinião.
Registo no entanto, com algum agrado, uma réstia de pudor naqueles que defendem o indefensável: conservam-se no anonimato. Como se tivessem vergonha daquilo que escrevem.
Crime abominável…
Estou de acordo – só ainda não sei quem o cometeu…
E A ABOMINÁVEL MATANÇA ocorrida ontem numa escola no Quénia?
Não merece meia página de reflexão?
De facto vivemos numa Abominável Sociedade em que 150 mortes na Europa são bem mais valorizadas que um massacre com um nº de vitimas ainda não estimado – mas que ascende a 150 vidas – Massacre esse já reivindicado (i.e. já sabemos quem o cometeu)
… Mas isso é lá no Quénia, Verdade???
Já agora e a título informativo – não escondo cobardemente o meu nome, simplesmente o nome do meu Blog invoca a Essência e conteúdo do mesmo.
'sawabona' significa: "Eu te respeito, te valorizo. Tu és importante para mim"
ass: Margarida Gouveia – Gestora Sénior de Recursos Humanos com especialidade em Direito do Trabalho comparado, Psicóloga Organizacional e Comunicação das Organizações.
Muito bem, Sawabona. Estamos portanto de acordo que se tratou de um crime abominável. O facto de ter sido cometido por um suicida não o torna menos “desculpável”.
A matança no Quénia, que ocorreu na quinta-feira, tem sido noticiada em todo o mundo. O Papa destacou esse tema na homilia de ontem, Domingo de Páscoa. Aliás como o morticínio ocorrido há duas semanas em duas mesquitas do Iémene. E a recente matança de turistas na Tunísia. E os inomináveis actos de violência cometidos na Nigéria por essas bestas humanas que dão pelo nome de Boko Haram.
Infelizmente a banalização destas atrocidades produz um certo efeito de anestesia em muitos de nós. Devemos combater essa tentação. É o que procuro fazer, na simples parte que me toca.