O rito do espanto e do começo


Pedro Correia,

Um beijinho de boas-vindas, Sofia. Que a luz que te iluminou neste radioso dia de Inverno te acompanhe todo o tempo, vida fora. Muitos parabéns aos teus pais, a Ana Margarida e o Henrique: estão ambos em estado de graça, pois o nascimento de um filho querido e desejado é sempre um momento raro de felicidade que serve de antídoto solar a todas as sombras quotidianas. Chegaste com 3,350kg de peso. Dizem-me que tens os cabelos da Mãe e os olhos do Pai. Herdarás certamente a inteligência, a sensibilidade e o talento de ambos. Chamas-te assim e não é por acaso. Ouço, enternecido, a notícia do teu nascimento e lembro-me dos versos eternos de outra Sophia. Deixo-tos como bilhete destinado a assinalar a tua primeira madrugada no mundo: «O mar azul e branco e as luzidias / Pedras: o arfado espaço / Onde o que está lavado se relava / Para o rito do espanto e do começo / Onde sou a mim mesma devolvida / Em sal espuma e concha regressada / À praia inicial da minha vida.»

5 comentários em “O rito do espanto e do começo”

  1. Parabéns, querida Ana Margarida! Para começar, porque a tua pequena Sofia tem bom gosto… olha o dia que ela escolheu para nascer! Beijinhos

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