O que mais falta


Pedro Correia,

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Pedir desculpa, pedir licença, agradecer. Três pequenas frases. Se as usássemos mais, em cada dia, daríamos um excelente contributo para melhorar a nossa vida e a relação com os outros.

Mais do que os défices financeiros que nos têm afectado, sofremos de um grave défice de ternura e simpatia. Perante familiares, amigos, colegas, vizinhos.

O mundo não precisa de movimentos insurreccionais ou revoluções: precisa apenas de pequenos gestos. Uma palavra, um olhar, um sorriso, um aceno. Parece o mais simples mas é o que mais falta.

0 comentários em “O que mais falta”

  1. Concordo com o post.
    Pedir licença e agradecer são coisas que ainda bastante gente faz. Agora, pedir desculpa, isso é coisa que, claramente, muita gente nunca aprendeu a fazer. A mim, a minha mãe ensinou-me, quando era criança, a fazê-lo — contra a minha veemente resistência, claro. Mas há hoje muita gente que jamais recebeu tal educação. Ou então, quiçá, recebeu a educação diretamente oposta – a de que nunca se deve pedir desculpa.

    1. Bem real essa cobardia.
      E há o outro lado da moeda: a complacência com as grosserias e desonestidades quando se vê posse, lucros e favores.

  2. É verdade.
    Entre nós, porém, não há tanto o défice de simpatia.
    Nem mesmo o de civismo.
    É mais, muito mais, o défice de cidadania.
    O que é trágico!
    João de Brito

  3. Bem…discordo! no que respeita a *”ternura”!
    Sermos educados; “pedir licença” – “agradecer” – e eventualmente “pedir desculpa” numa situação que se justifique, aí concordo consigo.
    Acima de tudo devemos ser mais tolerantes [com peso conta e medida, porque também existem situações que não são de todo toleráveis, a tal coisa de que para tudo há “um limite”, bom senso].
    Pedro, basta sermos cordiais com os outros. Empáticos.

    [*não tenho que ser amorosa/carinhosa/ternurenta com, por ex., o superior hierárquico/chefe/director…nem com a sra./sr. taxista…nem com o empregado/a do restaurante, e por aí fora. ser educada e respeitar os outros, sim! é óbvio]

    1. Cumprir os mínimos, é o que defendo. Mas isso raras vezes acontece. Quantas vezes não há um “obrigado” ou um simples “bom dia”.
      Se desejarmos “bom dia” a alguém – ainda que não conheçamos essa pessoa – contribuímos para melhorar o dia dessa pessoa. E o nosso também, pois estas coisas funcionam sempre nos dois sentidos. Dar e receber. Louvar a alegria de estar vivo.

      1. Não se trata de cumprir “os mínimos”, trata-se de regras de boa educação, e como diz o ditado “de pequenino se torce o pepino!”
        Quanto à “ternura”, para lá do núcleo familiar, nem 8 nem 80.

        Obrigada, Pedro Correia. Tenha um bom dia. 🙂

      1. Não seja por isso, pois se da História ainda lhe chega o eco pela pena dum humilde comentador, dos abismos do Cosmos nem isso – apenas um estalido surdo e um infinito silêncio. Vanitas vanitatum omnia vanitas. Se, como dizia o outro, a metafísica é a consequência de uma má digestão, um sorriso como ‘a solução’ não é mais do que o seu reverso: um estômago contente, que aliás se recomenda a todos. Não é por algumas vezes ser preciso purgar que as gentes devam deitar para o chão o chocolate sem o saborear.

      1. Agradeço, sinceramente, porque preciso delas.
        Já agora deseje também que uma amabilidade não traga dissimulada uma faca.

  4. Depois de aturadas análises e estudos científicos ( ), feitos com base em amostras que vão surgindo dia a dia, cheguei à conclusão que o que mais impede alguém de ser cortês, polido, educado e terno é o medo.

    Medo de parecer menos do que acha ser ou quer fazer crer que é. Ou medo da rejeição.

    Quem se impõe pela indelicadeza pouco vale.

    Se estivesse em posição de avaliar candidatos a emprego, antes de tudo tentaria perceber se o candidato é uma pessoa educada, se sabe respeitar os outros. Seria condição primeira.

    Tudo melhora quando se lida com pessoas educadas.

    E já agora, obrigada e desculpem, mas se me dão licença vou acabar de trabalhar 😉

    Isabel

  5. Plenamente de acordo com a sua observação. Falta-nos convivialidade, civilidade, educação social básica. Tudo isso e um módico de simpatia faria a vida muito mais fácil e mais agradável de ser vivida.
    Francisco

  6. Tem razão, custa pouco ou nada e falta muito. Muitíssimo. Não sei se é o que mais falta. Mas a delicadeza rareia. Pena, porque é bonita de ver, ouvir e sentir.

  7. Pedro,
    Falas em falta de simpatia e de empatia para com pessoas conhecidas, vizinhos, colegas de trabalho e tal mas isso é um “mal” geral que se estende à forma como tratamos as pessoas que nos atendem, nos servem, nos ajudam, nos multam.
    Refiro-me à caixa do supermercado, ao funcionário dos correios, dos seguros, do banco, ao funcionário da emel (das emeis do país todo, eu consegui ser multado no Inverno em Vila Real de Santo António).
    Um “se faz favor” e um “obrigado”, “um não se importa de” soam sempre melhor que “isto aqui é sempre a mesma me#da, perdemos muito tempo”
    Lá está, não é com vinagre que se apanham moscas, comportamento gera comportamento e para mal disposto, mal disposto e meio.
    No meu “metier” quem me trata bem, tem tudo de mim, quem me trata mal só tem a perder, e às vezes é tão simples… um sorriso, uma palavra cúmplice.

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