Não foi por esta ilha que comecei David Vann mas pela outra, a de Caribou. Prendi-me logo àquela escrita de mundo fechado e passado incessante a alagar o quotidiano dorido das personagens. E a paisagem. A paisagem impiedosa, também ela personagem e das agrestes. Ou alter-ego das personagens. Espelho, às vezes.
A ilha que leio é A ilha de Sukkwan, editada pela Ahab numa tradução de José Lima e há por lá um pai, Jim, e um filho, Roy, enclausurados em si mesmos. Jim já falhou demasiado e nem sempre falhou melhor, do trabalho ao amor. O desafio de passarem um ano juntos na ilha, longe do mundo, é um projecto de beatitude rapidamente transformada em frio, solidão, medo. Incapacidade. Ódio também. Roy, nos seus treze anos, é o menos frágil. Menos passado, menos peso a puxá-lo para o fundo, para a águas negras que Vann conhece como ninguém.
Eu sabia, porque li as críticas, que a dado momento uma reviravolta narrativa iria surpreender o leitor. Já lá cheguei. Grandioso. Evito aqui o fascinante porque é o raio de um adjectivo que não combina com o tom do texto.
Digo como se lê David Vann: a respirar de vez em quando. Depois fecha-se o livro, sorve-se uma grande golfada de ar e dizemos que já passou.
E agora conta tu, João André. Que andas a ler?


Grande livro. Um dos meus preferidos dos últimos anos. Tenho aqui A Ilha de Caribou – em inglês, que entretanto a Ahab, talvez a minha editora favorita durante um par de anos, adoptou o AO – mas ainda não o li.
É todo um mundo, não é, jaa? Um conhecer a perda como ninguém. Olha que a Ahab vai editar, creio que ainda este mês, um outro magnífico: Karl Ove Knausgård. Uma chatice o AO, uma chatice.
Do Knausgard já li o primeiro da série Min Kamp. Até fazia tenções de escrever sobre ele. Mas é um outro estilo.
E, infelizmente, o que a Ahab edita agora só me é relevante como sugestão de procura na Amazon.
Este não conheço nem tenho vontade porque li a Ilha de Caribou e não gostei nada. A narrativa pareceu-nos o guião de um mau filme de fim-de-semana. A própria linguagem, em determinados momentos, parece saída de um romance de cordel. Enfim, muito aclamado pela crítica mas incapaz de me cativar.
Grande coisa é a diversidade do mundo, caro Filipe de Arede Nunes.
Concordo consigo Ivone, a diversidade é uma coisa fabulosa. Isto dos livros (ou de qualquer outra coisa) tem disto, há uns que gostam e outros que nem tanto. Quando escrevo sobre livros tenho sempre isso em consideração o que não significa que pense que devemos deixar de escrever o que pensamos. O prazer da leitura é pessoal mas a discussão sobre eles (para que valha a pena escrever sobre o que se lê) deve ser de todos. Isto claro, na minha modesta opinião.
Parece-me bastante bom, vou ter que o ler… (:
É o que faz de melhor, Tiago Rocha. Depois diga.