O que estou a ler (10)


Patrícia Reis,

“Na minha casa não havia livros. Vi um livro pela primeira vez naquele dia em que parti o vidro da escola com uma fisga, feita com um ramo em forma de Y, duas tiras de pneu e um bocado de couro.”

 

É assim que começa o livro “Antiquários” do escritor argentino Pablo De Santis (Prémio Planeta – Casa de América 2007, Prémio da Academia Argentina de Letras 2008 com o livro anterior, “O Enigma de Paris”, já editado em Portugal pela mesma editora, Dom Quixote).

Eu gosto de misturar leituras – acho que tenho esse defeito ou qualidade, partilho com o Pedro Correia:) – e não consigo ler apenas um livro, mas escolhi este por ter um começo que me agarrou de imediato e por estar relacionado com máquinas de escrever (uma pancada minha), jornalismo, misticismo, livros antigos e antiquários.

É fantástico? Sim, é uma fantasia, com várias voltas e revoltas, com surpresas e momentos que nos transportam para Buenos Aires na década de cinquenta do século passado. Ao mesmo tempo, vou relendo coisas, mas “Os Antiquários”, li em dois dias. Não é um livro grande, tem 231 páginas, a tradução é de Helena Pitta. A escrita é apelativa, a história transporta-nos com facilidade. Como gosto de literatura latino americana e gostei muito do livro anterior, lá fui por arrasto para esta fantasia. Nos tempos que correm, onde todos precisamos de um pouco mais de imaginação para viver, diria que é um livro aconselhável. Se pelo meio estiver a “Rua de Nenhures” de Pedro Tamen (poesia), pois melhor.

E agora a bola fica do lado do Pedro Correia.

Boas leituras 

2 comentários em “O que estou a ler (10)”

  1. Grande começo, de facto: apetece logo ler o resto.
    (Acabei de receber a bola, Patrícia. E prometo passá-la em condições, em profundidade e com mudança de flanco. Como se fosse o Pirlo.)

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