Adendas
1. Que os banqueiros não percebiam os riscos para os seus próprios bancos de negociar em produtos derivados é um facto há muito estabelecido.
2. A primeira obrigação de um funcionário de qualquer empresa é seguir as indicações do seu empregador, desde que estas não impliquem violação da lei.
3. Interessa-me acima de tudo a acção dos governantes. Consideraria motivo de escândalo que os governantes de então tivessem comprado o produto que o actual secretário de Estado vendia. Não compraram. É menos uma coisa a acrescentar à longuíssima lista de erros que cometeram.
4. Para ministros e secretários de Estado das finanças é quase inevitável ir buscar pessoal que trabalhou em bancos.
5. O secretário de Estado não poderá alegar não perceber do assunto.
6. Como sempre, o ponto fundamental é o nível (intensidade e qualidade) do escrutínio existente sobre os governantes. Reconheço que em Portugal ainda é fraco e alvo de enormes distorções. Muito fica por detectar, barbaridades passam por entre encolheres de ombros e factos menores geram histeria.

Na realidade, jaa, foi necessário ocorrer esta crise para nos apercebermos o quão ingénuos são os banqueiros assim como os seus derivados e/ou sucedâneos. De tal forma são ingénuos que quem paga a conta são os que lhes colocam o dinheiro na mão e, agora, aqueles que ficam sem pão.
No curriculum vitae do “suspeito”:
2009 a 2012: Diretor da EP – Estradas de Portugal, SA, com a responsabilidade do “Departamento económico e
financeiro da Direção de Concessões (DC)”; membro das Comissões de Negociação dos contratos das concessões Interior Norte, Beira
interior, Algarve, Norte Litoral, Douro Litoral e Litoral Centro.
Percebe-se de onde vem a notícia; mas também se percebe o silêncio oficial…
Por triste que seja dizer isto, é verdade que “promissora gente jovem” (hoje já não tão jovem) caiu na esparrela dos derivados. Estavam, em bancos, correctoras, etc…
Pior que isso, mesmo depois de avisados, e tendo-lhes sido mostrado por A+B que a coisa iria rebentar, continuar a acreditar na coisa… simplesmente porque era moda. Era moda na LSE, em Columbia, naqueloutra francesa, sei lá… era a moda dos MBA, e pronto.
E o tuga, mesmo o chico-esperto ou inteligente, é fácil de emprenhar de ouvido.
Gosta de citar os drudas da moda, para estar na moda, e armar-se aos cucos, mas está a borrifar-se para o conteúdo… quer é fazer o figurão no bairro.
Quando o NASDAQ caiu deveriam ter aprendido, mas não aprenderam, porque isto nem é gente burra, é simplesmente teimosa que nem burros, que funciona em manada. Mais vale ser roubado na discoteca da moda, do que ir à do lado, onde não vai “quem interessa”.
Ainda hoje não interessa, nada interessa, porque continua tudo a ser questão de estar na moda, nem que seja falido. O país foi entregue às Lili Caneças e aos José Castelo-Branco… nem que tenha que fazer plásticas em cima de plásticas, ou travestir-se.
Por isso, caro JAA, o problema dessa nova gente governamental nem é tanto a sua imoralidade, é mesmo a sua nulidade completa. A prova disso é que você vem defender um governante com o qualificativo de ele ser bom “cigano” na venda de produtos tóxicos.
É verdade que não se tratava de lixo tóxico, porque isso é mais negócio da mafia napolitana.
E na sequência do seu ponto 5, um mafioso napolitano pode ser quem mais perceba do negócio do lixo tóxico, e seria aceitável colocá-lo no Ministério da Justiça?
– Percebe que está a assistir em directo à falência de um regime político que nos levou à falência?
Que mal tem? Se querem moralizar a bebedeira colectiva queiram fazer o favor de mandar para casa mais de metade dos deputados que assentando o cu no parlamento em nosso nome, estão lá com punhos de renda a tratar de negociatas privadas. Alguém já ouviu fala por exemplo em escritórios de advogados? Tanta merda á frente do nariz não deita cheiro? Ou é do vinho?
Para ministros e secretários de Estado das finanças é quase inevitável ir buscar pessoal que trabalhou em bancos.
A atual ministra e os dois anteriores ministros das Finanças nunca trabalharam em bancos. Trabalharam na academia ou em instituições públicas.
Os americanos chamam a isto o problema da porta giratória (revolving door): os gestores que saltam de um lugar numa empresa privada que tem negócios com o Estado para o próprio Estado, e posteriormente vice-versa.
Salazar tinha uma consciência clara desse problema, e por isso insistia que os funcionários públicos deviam ter segurança no emprego, para que não se sentissem tentados a deixar de servir o Estado e se passarem para a privada.
Sobre os pontos 1 e 2: ninguém está a criticar os bancos por venderem swaps, nem os funcionários bancários por tentarem impingi-los aos seus clientes. O que se está a criticar é o Estado por contratar como secretário de Estado um indivíduo que já esteve nessa atividade.
Os responsaveis deste governo têm uma habilidade especial para dar tiros nos pés, quando se lembram de convidar para lá desempenhar funções pessoas que de algum modo estejam comprometidas com a governação socialista.
Das duas uma: ou cada vez é mais escasso o campo de recrutamento de gente minimamente competente, preparada e interessada em ir para o governo, ou então vivemos mesmo na républica dos interesses, (se calhar é a isto que o bardo Alegre chama “ética républicana”), e temos de rever todo o sistema politico em que vivemos. Um regime semi qualquer coisa, não vai a lado nenhum.
Se o secretário de estado do tesouro fez aquilo de é acusado, deve demitir-se e quanto mais depressa, melhor. Dito isto, o que eu gostava mesmo era de ver o tal papel com a proposta do banco ao Sócrates, a que os media dizem que tiveram acesso, e descrito com tanto pormenor. Mas isso se calhar já é pedir demais…