O que escrevi no DELITO sobre Seguro


Pedro Correia,

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«António José Seguro, única voz discordante de uma das mais lamentáveis sessões parlamentares desta legislatura, marcou pontos no PS. Mas marcou sobretudo pontos no País, que importa mais do que qualquer partido.»

13 de Maio 2009

 

«Numa bancada parlamentar domesticada, onde raras foram as vozes dissonantes, António José Seguro destacou-se pela qualidade e pelo desassombro das suas intervenções, várias vezes fora do coro unânime a que José Sócrates quis reduzir o grupo parlamentar socialista.»

18 de Agosto 2009

 

«António José Seguro, o próximo líder do PS, assinou um notável artigo no Expresso que devia merecer reflexão nos blogues alinhados com José Sócrates. Sintomaticamente, nenhum deles o menciona.»

3 de Maio 2010

 

«O problema, para Assis, é que Seguro pode medir-se facilmente com ele em termos de currículo político e partidário. A diferença entre ambos reside sobretudo na distância crítica que o deputado eleito por Braga soube manter em relação a Sócrates.»

12 de Julho 2011

 

«Era já também então evidente, para quem soubesse olhar, por que motivo Seguro partia em vantagem perante qualquer outro adversário interno: enquanto Sócrates domava o partido, e o vergava ao seu mando, do deputado natural de Penamacor e eleito por Braga partiram iniciativas que o distinguiram e enobreceram.»

24 de Julho 2011

 

«Interessa-lhe estabelecer fronteiras à esquerda com o BE e o PCP: o estilo de oposição do PS, como partido dotado de vocação governativa, não pode confundir-se com as manobras tácticas de bloquistas e comunistas, que disputam entre si o campeonato da esquerda radical. O PS só tem a beneficiar com isso. E o País também.»

4 de Novembro 2011

 

«As guerras políticas começam a perder-se na batalha dos princípios. Por este motivo, António José Seguro tem a maior conveniência em demarcar-se desde já das infelizes declarações do vice-presidente da sua bancada parlamentar.»

15 de Dezembro 2011

 

«Não consegue convencer ilustres socialistas, que lhe vão apertando o cerco, conscientes que a recuperação da economia portuguesa daqui a um ano já será realidade, de acordo com as previsões do Banco de Portugal: aguardar pacientemente um longo processo de desgaste dos rivais internos deixou de ser a palavra de ordem.»

23 de Janeiro 2013

 

«Soares nunca resistiu à tentação de condicionar as lideranças de todos os secretários-gerais que lhe sucederam no Largo do Rato – de Vítor Constâncio a Sócrates. A deselegante ameaça que hoje deixou no ar constitui um excelente teste para Seguro. Este só pode agradecer-lhe a oportunidade que o fundador do partido acaba de lhe proporcionar para demonstrar a sua efectiva capacidade de liderança.»

18 de Julho 2013

 

«O PS continua a ser visto, em largos sectores da sociedade, como o partido que trouxe a tróica para Portugal. Este é um estigma de que Seguro precisa de se libertar — tarefa nada fácil, por se tratar de uma evidência histórica, mas não impossível pois na altura o actual líder socialista integrava a tímida oposição interna ao executivo de Sócrates.»

3 de Outubro 2013

 

«Fundamental é a imagem de moderação que Seguro transmite aos portugueses. Separando o PS da esquerda radical, que serve para subtrair e não para somar. Mostrando, em suma, uma atitude responsável no plano institucional, própria de um líder político que está pronto para governar. (…) Estamos, provavelmente, perante o primeiro passo do próximo ciclo político em Portugal. Há longos percursos que começam por muito menos.»

19 de Dezembro 2013

 

«António José Seguro – que contou sempre com um grupo parlamentar profundamente hostil – serviu enquanto nada havia a fazer senão carregar tijolo após o partido ter ficado quase reduzido a escombros nas legislativas de 2011 e não havia novas eleições no horizonte.»

5 de Junho 2014

 

«Foi quase confrangedora a passividade de Costa perante um Seguro que lhe lançava palavras duríssimas como se manejasse uma funda. Manteve-se imperturbável enquanto ouvia o secretário-geral chamar-lhe de tudo um pouco: desleal, traidor, irresponsável, ziguezagueante. “Em público dizes uma coisa enquanto no partido dizes outra!” Há esfinges bastante mais expressivas.»

9 de Setembro 2014

 

«Consciente de que a mesma receita não resulta em duas noites consecutivas, evitou levar novamente o debate para o campo dos juízos de carácter do seu antagonista. Fez bem: assim evitou uma medalha adicional no campeonato da lamúria.»

10 de Setembro 2014

 

«Costa não deixou de levitar no reino das abstracções e Seguro agarrou-se à sua proposta de reforma eleitoral em jeito de tábua de salvação quando o País em geral e o PS em particular esperariam dele uma solução luminosa para combater alguma chaga social (…) . O autarca apressou-se a chamar-lhe «populista», rótulo de que se usa e abusa em Portugal. A verdade é que, em termos concretos, Seguro levou pelo menos esta proposta a debate enquanto o rival ficou em branco.»

23 de Setembro 2014

 

«Seguro liderou o partido durante mais de três anos muito difíceis, em que mais ninguém se dispôs a fazê-lo. Três anos muito difíceis devido ao estado de emergência financeira em que Portugal se encontrava. Três anos muito difíceis para o PS enquanto partido da oposição num quadro político dominado pelo memorando negociado e assinado pelos próprios socialistas quando ainda eram governo, antes do mandato de Seguro. Três anos em que, apesar disso, o PS registou três vitórias eleitorais.»

29 de Setembro 2014

 

«Abandona a cena política amargurado, certamente. Mas tem desde logo um motivo para se orgulhar: lega ao PS o mais concorrido processo de participação eleitoral de que há memória numa força política portuguesa, alargando a escolha do líder (embora erradamente, a meu ver, designada de “candidatura a primeiro-ministro”) a militantes sem quotas em dia e a cidadãos sem filiação partidária.»

8 de Outubro 2014

 

«Todos aqueles que ainda há ainda bem pouco criticavam duramente António José Seguro por pretender romper com o “legado” de José Sócrates no PS metem a partir de hoje, oficialmente, a viola no saco. Incluindo Ferro Rodrigues, que há escassas três semanas tributou um rasgado elogio a Sócrates no plenário da AR. Incluindo Ascenso Simões, que há menos de um mês exigia ver a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a reluzir na lapela do ex-primeiro-ministro. Seguro só cometeu um pecado, fatal em política: teve razão antes do tempo.»

25 de Novembro 2014

 

«Seguro mereceu esta prenda de aniversário antecipada: corredor de fundo em vez de velocista, é um dos políticos com mais qualidades humanas que conheço.»

12 de Março 2016

 

«Reapareceu para deixar um sério alerta contra os extremismos: “É fundamental ter comportamentos éticos que sirvam de exemplo ao conjunto da sociedade, haver rigor na gestão dos dinheiros públicos e responder aos problemas concretos das pessoas.” Deixando aquele “até breve” no ar. Cada um interprete como quiser.»

28 de Maio 2021

 

«É um nome a ter em conta na próxima campanha presidencial.»

3 de Julho 2023

 

«O afastamento fez-lhe bem: vincou nele as virtudes da moderação, do consenso, da abertura ao diálogo. Em evidente contraciclo com o crescente radicalismo da política portuguesa.»

22 de Novembro 2024

13 comentários em “O que escrevi no DELITO sobre Seguro”

    1. Acompanho há longos anos o percurso do novo PR, Paulo. Desde que o conheci, ainda no século passado. E é com agrado que assinalo uma linha firme de coerência neste percurso.

    1. Obrigado, Teresa.
      Agrada-me, em particular, ter escrito «António José Seguro, o próximo líder do PS», em Maio de 2010», quando Sócrates ainda segurava no leme do partido, e apontá-lo como «um nome a ter em conta na próxima campanha presidencial», em Julho de 2023, quando nenhum palrador televisivo esboçava tal cenário.

  1. Notável sucessão de momentos de análise “a quente” sobre o político e o homem, que a passagem do tempo veio confirmar contra as expectativas generalizadas. Aliás, muito útil para refrescar e apurar memórias.

    Ocorre-me a citação da Margaret Atwood, do “Olho de Gato”, que o Pedro nos trouxe no postal uns andares abaixo, sobre o passado não ser excêntrico quando estamos a vivê-lo; mas no sentido de também o futuro não o ser, desde que se saiba ler o presente.

    1. Essa citação vem a propósito, Zebra. É também por isto que tudo faço e farei para que a memória dos blogues – e dos blogues SAPO em particular – não se dissolva no éter.
      Questão de serviço público.

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