«Uma doutrina que não tem lugar para a sua própria morte é uma doutrina mortal. O marxismo comporta como nota essencial a afirmação de que tudo muda, tudo se transforma, tudo morre. Excepto o marxismo. Ora, é exactamente por este lado que ele influencia, convence, age, transforma, isto é, sendo aquilo que diz que não se pode ser.»
Eduardo Lourenço, citado por Luciana Leiderfarb (Expresso, 18 de Dezembro 2021)

Cheira à teimosa burrice «esquerda/direita», que já não convence ninguém, e é já um debate esgotado.
Os da «direita» querem à força que haja uma «esquerda», e vice-versa. Já ninguém vai nessa cantiga. Já não estamos na primeira metade do século passado. Hoje, esse dualismo já não colhe. É uma peça de museu.
«Marxismo vs Capitalismo» são as duas faces de uma oscilação perpetrada por quem de facto sempre teve o Poder (económico, militar e político). É o jogo com o qual conseguiram enganar o Povo.
São aquelas oscilações dicotómicas que servem para entreter o Povo, pondo-o em debates estéreis e improdutivos, permitindo a quem tem o Poder ficar a salvo de chatices e ameaças.
Essa dicotomia e essa pseudo-oposição são os ossos dados ao Povo para ir mordendo, enquanto o Poder se mantém a salvo.
“Já não estamos na primeira metade do século passado.” Concordo, estamos na primeira metade deste século.
“Hoje, esse dualismo já não colhe. É uma peça de museu.” Quer dizer que já não há uns que trabalham a troco de um salário e outros que decidem o destino a dar ao que esses produziram? Nesta custa-me a acreditar.
1 – O que mudou e provocou o erro de análise do marxismo foi a relação — entre “os que trabalham a troco de um salário” e “os que decidem o destino a dar ao que esses produziram” – não conduzir a uma “contradição” capaz de ter força suficiente para provocar a “luta de classes”, tal que a teoria preconizava. E, portanto, essa interpretação materialista do desenvolvimento histórico das sociedades assente nessa contradição sucumbiu.
2 – Ao contrário daquilo que o Marxismo teorizou, não foi a “infraestrutura” (relações económicas) que provocou as mudanças na superestrutura (relações sociais) nas sociedades do século XX e início do séc.XXI. O “trabalho” (entendido como o marxismo o entende) deixou de ter a preponderância que tinha na formação do “lucro” que o Capitalismo continuou a acumular, e que os Políticos decidem distribuir pelos “eleitores” (povo).
3 – Ao contrário daquilo que o Marxismo teorizou, não foram as “atividades económicas necessárias para satisfazer as necessidades materiais da sociedade humana” que determinaram o “modo de produção” (a forma de organização económica). E, portanto, não foi essa “infraestrutura” que originou os fenómenos sociais, os sistemas jurídicos, a moralidade e a ideologia no séc. XX e início do séc.XXI.
4 – E no presente e futuro ainda se vislumbra menos que seja essa “contradição” — que o marxismo propõe para da transformação e mudança social (e essa inevitável “luta de classes”, de onde o proletariado sairia vitorioso) – o motor do desenvolvimento das sociedades humanas.
5 – Por duas razões que são fáceis de verificar: Primeiro, porque a acumulação do lucro depende cada vez menos do trabalho do proletariado; em segundo lugar, porque a distribuição por parte de quem detém o “capital” e guarda os lucros de “coisas” (como o “bem-estar”, a “ilusão da democracia, ao irem votar e debaterem nos media e redes-sociais os males do capitalismo e das assimetrias”, os “serviços nacionais de saúde, transportes, educação, etc.”) cria um bloco-central (classe dos subvencionados, classe dos funcionários públicos, e classes médias e altas) que evita a confrontação e o grau de antagonismo que o Marxismo profetizava.
6 – Sobre a mudança no “trabalho” e na força do proletariado, apenas um exemplo (passo a citar): — O setor de construção na China fez um novo avanço na automatização de obras com o projeto da barragem Yangqu. Uma hidroeléctrica no sopé do Tibete que estará concluída em 2024. A parede da barragem, com 180 metros de altura, está a ser construída através do uso de inteligência artificial, que consegue manipular escavadoras, camiões, tratores, e demais máquinas e ferramentas, como se fossem camadas de impressões 3D … sem um único trabalhador”.
7 – Ou seja, o “lucro capitalista” é gerado cada vez menos pelo “proletariado” – aquele tipo de “trabalhadores” que, segundo o marxismo, teriam a tal “capacidade revolucionária para mudar a sociedade”, e obrigar “inevitavelmente a caminharmos para o socialismo e comunismo”.
Por isso é que, na minha crítica, chamo à «oscilação PS/PSD» protagonizada pelo «par de namorados Costa/Marcelo» de: «apaziguadores de conflitos e contradições». E a esse «bloco-central da oscilação PS/PSD» que nos governa desde 25nov1975, de: «regime abrilista».
Tretas.
Marxismo é simplesmente o retorno ao Primitivo. Não há separação de poderes, não há limitações ao Poder no Marxismo.
Num ápice uma caminhada de 4000 anos de história – começando na Grécia – para a modernidade, ou seja o reconhecimento do indíviduo por oposto só ao grupo deitadas ao lixo.
Marxismo é Primitivo.
Por isso provocaram mais de 100 milhões de mortos devido a todo o poder que se arrogam de ter sobre as outras pessoas.
Os mais Marxistas conseguiram no Cambodja assassinar 25% da população.
Boa parte dos Marxistas do 25 de Abril provocaram 1 milhão de mortos. E não provocaram mais porque 1- a geografia não ajuda a logistica cá. 2- Boa parte dos Marxistas por cá eram só Marxistas há 48 horas, ainda lhes restava um pouco de cultura portuguesa. Fossem eles doutrinados Marxistas e teríamos outra mortandade por cá, pois o objectivo é sempre o Poder Total sobre os outros.
Boa noite, Pedro
Sábias palavras as de Eduardo Lourenço (e já agora de Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma).
Assim sendo o capitalismo há-de vir a ser outra qualquer coisa, menos capitalismo.
Obrigado pela informação-
Zé Onofre
O tempo da transformação é que define esquerda/ direita.
A esquerda diz-se capaz de controlar esse tempo, de o estabelecer a grito.
Esse é sentimento irresistível a todo o idiota arrogante.
O que a geringonça deu e o que a guerra da Ucrânia está a dar por cá !!
Bem, vamos ver se não haverá noites de cristal, obrigação de uso de distintivos e campos de concentração.
Ah! e fados a el rei de Portugal.
Faz parte do programa de filosofia abordar a teoria da Justiça de John Rawls e nesse âmbito, ao posicioná-lo como um defensor do liberalismo e da equidade, discutimos os extremos: os libertários e os igualitaristas, cujo expoente (destes últimos) são as doutrinas marxistas. O assunto presta-se a muita discussão e o que noto, desde que dou este tema, é que os alunos não se inclinam nada para as ideias que defendem o igualitarismo como justiça social. Não vejo nas gerações mais novas nenhum interesse por essa ideologia.
Se parassem de analisar a poesia do profeta Marx como alguma coisa de racional saíam a lucrar.
(Sei que ele disse que era “científico”, o que é que queriam ele que dissesse no século XIX?)
É racional, conhece as emoções humanas para conquistar poder. Que é o único objectivo do Marxismo.