O PSD a votos (4)


Pedro Correia,

Há 25 anos que o PSD vive dominado pela figura tutelar de Aníbal Cavaco Silva. É um ciclo que já devia ter terminado. Se tem ambições de futuro, o partido laranja devia iniciar um novo ciclo, sem qualquer resquício de tutela cavaquista. É algo que já se percebeu que não sucederá nesta campanha interna, onde o cavaquismo surge em força. Alexandre Relvas, o director da campanha presidencial de Cavaco Silva, é um dos principais apoiantes de José Pedro Aguiar Branco. Carlos Blanco de Morais, consultor do Presidente da República para os assuntos constitucionais, contribui para a elaboração da moção de estratégia de Passos Coelho. E Eduardo Catroga, que foi o ministro das Finanças preferido de Cavaco Silva, inclui-se entre os apoiantes de primeira linha de Paulo Rangel. Estes – e vários outros – garantem a perpetuação do cavaquismo um quarto de século depois na Rua de São Caetano à Lapa, ganhe quem ganhar. E ou muito me engano ou isso constitui uma péssima notícia para o PSD.

18 comentários em “O PSD a votos (4)”

    1. 3 homens que, de uma forma ou outra, estão ligados a CS. Mas com pesos diferentes. Ser-se conselheiro para os Assuntos Constitucionais não pode assemelhar-se a Ministro ou Director de campanha. Pelo que, parece-me, o peso cavaquista é mais “ligeiro” na candidatura de Passos Coelho.

  1. Pedro Correia: tenho uma má relação com os “-ismos”, que considero a maioria das vezes como conceitos redutores de uma dada realidade política. Abro excepção para os casos em que a distância nos permite dispor de lucidez e espírito crítico suficientes. E dispor ainda, acima de tudo, de um bom acervo de estudos plurais na área das ciências sociais, que supõem o prévio apuramento rigoroso dos dados histórico-factuais.
    Talvez por isso, confesso, tenho dificuldade em perceber exactamente o que é que se pretende dizer com o termo “cavaquismo”.
    – Isso é o quê?
    – Uma certa orientação política, no plano dos valores? – Uma certa praxis em concreto? – Um período histórico em particular? -Um conjunto de pessoas, que compõem o inner circle do modelo?
    E a noção de “cavaquismo” sustenta-se em quê? Numa sincronia? Numa diacronia?
    Caracteriza uma cultura, uma mentalidade? Ou antes uma fase que segue a reboque do agente?
    Sinceramente, desconheço.
    E é por isso que estranho a sua análise, posta desta maneira.
    Até porque, quer vc. centre a ideia na(s) pessoa(s) de Cavaco Silva, quer a centre no plano de uma certa visão para o país e de certos valores de acção, como consegue passar ao lado dos resultados eleitorais que ele obteve e, muito provavelmente, virá a obter de novo? Então ele é passado, ou ainda mexe? Ele dá votos, ou não dá votos? É uma referência estratégica, ou não é? Identifica a pulsão de uma larga margem eleitores na área social-democrata, ou não?
    Essas coisa é que contam.
    Logo, não me parece que aqui haja fantasmas, há seguidores de uma realidade nua e crua, sem anúncio de morte (et pour cause?)
    Talvez vc. se refira antes à insustentável leveza de Cavaco Silva…

    1. A partir do momento em que Cavaco Silva entrou em Belém, devia ter deixado completamente de lado as intromissões na vida interna do PSD, Chloé. Infelizmente as coisas não se têm passado assim. Tal como Mário Soares, já em Belém, continuou a influenciar os assuntos internos do PS. Quanto a mim muito mal, tanto num caso como noutro.

      1. Certo, compreendo o seu ponto de vista.
        Mas – já sabe que sem querer abrir brechas no agradável ‘pavimento’ do Delito -, não concordo.
        Não concordo que CS se intrometa dessa maneira na vida interna do PSD.
        O que se passa é que ele ainda é, goste-se ou não, um referencial activo na identidade do partido.
        Só que a coisa funciona muito mais em sentido inverso do que aquilo que vc. aponta:
        – Afinal quem convoca quem?

  2. O post colocado pelo Pedro Correia sugere uma discussão muito interessante: desde 1995 (e do célebre tabu) quantas lideranças estáveis já gerou o PSD? Uma liderança partidária forte e responsável deve preparar um conjunto de quadros capazes de assegurarem a continuidade de um projecto político. Foi isso que o cavaquismo fez? Cavaco teve essa preocupação? Nogueira, Durão, Santana, Mendes, Menezes e Ferreira Leite cresceram todas politicamente no (e com) o cavaquismo – excluo propositadamente o Marcelo, por motivos óbvios. Quantos deles tinham um projecto político sólido e capaz para o país? Ficámos sempre com a sensação que todos eles estavam de passagem até aparecer um novo…Cavaco. Que todos eles chegaram ao poder (com excepção de Santana) utilizando estratégias partidárias menos solidárias para os respectivos predecessores – um modus operandi muito cínico, muito calculista, muito..cavaquista?

  3. O Pedro Correia afirma que o PSD deve libertar-se dessa coisa tenebrosa que dá pelo nome de “figura tutelar de Cavaco”. Só não explica porquê. Mas ok, é giro e está na moda dizer estas coisas. Esmiuçado, esmiuçado, este post não diz nada. Só me ocorre perguntar-lhe: e depois? Qual o problema?

    1. Pergunta você, a poucos dias de se completarem cinco anos de governos Sócrates, com os resultados brilhantes que estão à vista de todos: qual é o problema?
      O problema, do ponto de vista do PSD, é ter governado apenas três dos últimos 15 anos. Parece-lhe pouco, nesta óptica?
      A direcção cessante do PSD, inspiradíssima por Belém, perdeu estrondosamente as legislativas de Setembro de 2009 para o PS de Sócrates – uma proeza digna de registo. Várias vozes avisaram para o desastre que se adivinhava – entre elas, se me permite a imodéstia, a minha. Os arquivos deste blogue comprovam isso mesmo. Acredite que não sou daqueles que gostam de fazer prognósticos no fim dos jogos.
      Visto da perspectiva do partido do Governo, como é óbvio, o desaire eleitoral do PSD de há cinco meses não constitui problema algum – antes pelo contrário.
      Mas agradeço-lhe a crítica. Quando necessitar de inspiração para reflectir com mais profundidade sobre a vida política portuguesa, já sei a que porta hei-de bater. À sua.

  4. No final da disputa, teremos um lider » 32% que se arrastará penosamente até ás eleições contestado internamente. Nestas, terá um resultado entre os 26 e os 32 %,limite de um partido sem ideologia, sem espaço, e sem alma. Infelizmente.

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