Nesta série de posts, que hoje termino, tenho defendido a ideia de que José Sócrates se empenhará em impedir Manuel Alegre de ser o novo Presidente da República, mesmo que lhe dê o seu apoio. Em síntese, tenho exposto a ideia de que entre Alegre e Cavaco, Sócrates prefere governar em minoria sob a presidência do segundo o que significa que, ainda que apoiando o primeiro, discreta e eficazmente tudo fará para assegurar-se de que Alegre fica pelo caminho.
Estará assim Sócrates a empenhar-se num derrota pessoal, atendendo a que ele próprio entrou em conflito com o Cavaco Silva? Não me parece.
Em primeiro lugar, a derrota de Alegre será imputada ao próprio. Há 5 anos que Alegre prepara a sua recandidatura, há 5 anos que recolhe apoios, há 5 anos que cuida da sua imagem e da sua estratégia e há 5 anos que exibe o seu potencial e recorda o seu milhão de votos. Não há portanto qualquer razão para que perca estas eleições.
Em segundo lugar, uma derrota de Alegre, efectivamente o candidato melhor colocado para defrontar Cavaco, será uma derrota da ala esquerda do PS. Arrumados Soares e Alegre, José Sócrates reforça não só o seu peso no partido, como faz notar que a sua estratégia de ocupação do espaço político do PSD (sempre com um pezinho em cima do Bloco) é a melhor receita para manter o PS no poder por bem mais dos que as expectáveis duas legislaturas. Sócrates terá assim mais sossego para decidir o seu futuro e o futuro do PS, livrando-o do peso da ala de Alegre.
Em terceiro lugar, a reeleição de um Presidente é a coisa mais fácil de explicar politicamente, pelo que não haverá muita gente a associar José Sócrates à derrota. Aliás, a necessidade de paz institucional entre Presidente e Primeiro-Ministro será, por aquela altura, de tal ordem que ambos se esforçarão por dar o assunto presidencial como encerrado.
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Esta série de posts é um mero exercício de especulação sobre a forma como vejo a questão presidencial neste momento. Mas pareceu-me mais interessante expô-la com antecedência de forma a testá-la diariamente. A ela voltarei quando começarem a existir os sinais que a demonstram ou refutam.

É isso mesmo.Boa análise que poderá muito bem validada daqui a largos meses.
Agora já não há como voltar atrás. A ver vamos. De qualquer forma, o importante é olhar para além das aparências. Não espero que Sócrates seja evidente na sua vontade de fazer escorregar Alegre.
Fiquei sem fôlego por esta análise rebuscada, mas é capaz de ter razão.
Imagine que isto teria sido um só post… 🙂
Estimulante série, Adolfo. Dá pano para mangas. E será ainda mais estimulante confrontá-la com a evolução dos acontecimentos, já não tarda muito.
Já se notam alguns sinais Pedro. Por que razão está Alegre com o único apoio do Bloco? Por que razão os socialistas insistem em lançar outros nomes?
Óptimo! Mas não se esqueça do que lhe disse há dias: o candidato de Sócrates é… Sócrates.
Volte a pensar nisto, quando puder.
eu gosto do Manuel Alegre. Ele é um homem de pulso forte.
Carlos
No plano de uma teoria política, seria levada a concordar com tudo o que o Carlos aqui prevê.
Mas não estamos num plano do previsível. Porquê?
Porque são insondáveis as verdadeiras motivações da candidatura MA anunciada com tanta antecedência.
Assim como são insondáveis as verdeiras motivações do PM no seu conflito com o Presidente (que não penso se vá resolver como diz. Ultrapassou o ponto de não retorno).
Ainda vamos ter muitas surpresas neste tema das presidenciais. Mas, claro, esta é apenas a minha modesta e falível opinião.
Esse milhão de votos não se repetirá. Os votantes em MA 2006 não são os mesmos de 2011. Em 2011 serão essencialmente do PS e do BE. Os independentes votarão noutro candidato, quem sabe talvez mesmo em Cavaco.
Ana
Oh… oh… acho que enviei um comentário com o nome errado, Adolfo!
“Sorry”… o comentário sobre a candidatura de MA é mesmo para o seu post “O Presidente de Sócrates” e não para o post a seguir, do Carlos. Fixei o nome por engano.
(Céus!, ando a trocar muita coisa ultimamente, e ainda só vamos em Janeiro…)