O Polígrafo, a queda de Medina e os Olivais


#$&%#,

meter-03-true-but-dark.png

A propósito dos hipotéticos efeitos nos resultados eleitorais de Lisboa tidos pela reportagem da “Sábado” sobre as práticas aquisitivas da presidente da junta de freguesia de Arroios, o Polígrafo tem hoje um artigo – de Carlos Gonçalo Morais – que mostra terem sido substanciais as perdas da candidatura de Medina nessa freguesia. E através da comparação com as outras freguesias lisboetas onde o PS não ganhou a freguesia (perdendo a presidência ou repetindo a derrota) evidencia ser Arroios uma das freguesias onde a punição eleitoral do PS, tanto para a Câmara como para a Junta, foi maior, apenas ultrapassada pela acontecida no Lumiar, deixando assim implícito (quase explícito…) que o desvendar daquelas deselegantes práticas da presidente da Junta terão lesado a candidatura camarária do partido incumbente. Para comprovar isso o artigo apresenta uma tabela com os resultados dessas freguesias. E conclui, certeiramente, que “é verdadeiro que a freguesia presidida por Margarida Martins – Arroios – foi uma daquelas em que o PS perdeu mais votos nas últimas autárquicas em Lisboa, quer para a Câmara Municipal, quer para a Assembleia de Freguesia, com a erosão a ser ainda maior para Margarida Martins do que para Fernando Medina.”

Eu direi que é “Verdadeiro, Mas…”. E recordo este meu postal, “Os Olivais e a derrota de Medina” – nisso para ele apelando à atenção do Polígrafo, se tal for possível. É certo que na freguesia dos Olivais o PS não perdeu a presidência da Junta (o critério que o artigo escolheu para a comparação). Mas as suas perdas foram substanciais, e isso será um dado interessante para esta reflexão sobre o peso global da derrota em Arroios. 

Para o evidenciar vou aduzir Olivais à lista de freguesias apresentadas pelo Polígrafo:

 

I. Perdas do PS nas freguesias onde deixou de ser a força política mais votada para a Câmara Municipal (Fernando Medina) + Olivais

Freguesia Votos Pontos percentuais
OLIVAIS 2377 12,92
Lumiar 1.977 11,07
Arroios 1.839 11,17
Alvalade 1.343 8,97
São Domingos de Benfica 1.272 7,74
Avenidas Novas 1.031 8,43
Areeiro 946 8,82
Parque das Nações 647 8,68

 

II. Perdas do PS nas Assembleias de Freguesia onde deixou de ser a força política mais votada (candidatos às juntas) + Olivais

Freguesia Votos Pontos percentuais
OLIVAIS 3280 18,8
Lumiar 1.977 11,07
Arroios 1.839 11,17
Alvalade 1.343 8,97
São Domingos de Benfica  1.272 7,74
Avenidas Novas 1.031 8,43
Areeiro 946 8,82
Parque das Nações 647 8,68

 

Por isso este meu sorridente “Verdadeiro, Mas” ao cuidadoso artigo do Polígrafo, pois a derrota do PS não se deve apenas – como aqui comprovo – ao acontecido nas freguesias onde a coligação “Novos Tempos” ganhou a freguesia. Repito o que disse há dias: as perdas do PS nos Olivais são superiores à distância (2194 votos) entre as candidaturas de Moedas e de Medina.

Enfim, é provável que com tudo o que aconteceu nos últimos quinze dias a concelhia do PS, alguns dos simpatizantes desse partido e até Fernando Medina estejam algo magoados com o desempenho de Margarida Martins em Arroios, e ela própria algo dorida com o ocorrido. Mas sosseguem ela e os seus correligionários. Pois, de facto, quem rebentou com aquilo tudo foi a “nossa” Rute Lima, presidente dos Olivais e colunista do prestigiado boletim “Público”. Como os números o comprovam.

ADENDA: só agora reparo que o Correio da Manhã já publicara esta esclarecedora imagem –

olivais votos.jpg

 

 

5 comentários em “O Polígrafo, a queda de Medina e os Olivais”

  1. Costuma-se dizer quem desdenha quer comprar por isso cuidado arrisca-se a fazer parte das doce dos Olivais:
    Rute Lima ,Wanda Stuart, Ághata e o jpt

    Como diria o outro a menina/o dança?

    Zé Luís

    1. Danço, e meneio-me bem, em modo másculo. Quanto a cantorias sou mudo. Como tal no tal apelativo quarteto farei o número do play-back

  2. Cheira-me a narrativa que está a ser construída: o Medina perdeu porque, a poucos dias das eleições, veio a público que Margarida Martins se abastecia de borla – e, sendo assim, vamos lá apontar os holofotes para a revista em questão e para os interesses que estariam por trás da notícia.

    Acontece que, se esta “narrativa” realmente pegar de estaca no espaço público, eu tenho outra para troca: que interesses estariam por trás do adiamento, para poucos dias depois das eleições, da notícia de como a Câmara de Lisboa é responsável, sozinha, por dois terços das dívidas de todas as autarquias do país?

    1. Joáo Sousa, sim, pode dar azo a essa “narrativa”. Eu boto isto para obstar a isso: a derrota de Medina (e do PS) dever-se-á a vários factores. E que acima de tudo se prendem com a sua presidência. E neste postal venho com dois factores: por um lado, como fregués dos Olivais insisto naquilo que fui escrevendo ao longo dos anos (no postal “a derrota de Medina e os Olivais” elenquei vários postais em que abordei o assunto): naquela freguesia o PS tinha uma presidência e uma lista completamente desajustada para esta era e para a capital. E isto é falar também da presidência da câmara e da concelhia do partido. Foram severamente punidos por isso. E assim se pode ver que não são as tropelias de Arrroios que lhes custaram a Câmara, mas o exercício arrogante e desajustado de Medina bem como o modelo de gestão autárquico nas freguesias que lhes valeram a derrota – e sobre isso haja quem pegue nesta enorme vergonha que é a vitória em Campo de Ourique (onde também vivi). Fui observador e supervisor eleitoral em várias eleições em diferentes países, de escassa tradição em eleições democráticas. Tive formação e forte experiência empírica nisso. E em cima desse estrado “de experiência feito” é-me óbvio que a ser verdade o que a imprensa narra sobre Campo de Ourique ali houve “chapelada”. Que o próprio PS – ainda por cima com uma lista encabeçada pelo filho do seu secretário-geral e actual PM – não peça recontagem é um sinal da catastrófica situação em que vegeta aquele partido, e esta concelhia.

      Dito isto, o que referes é também assunto sumarento para um postal. Haja quem o escreva. É-me interessante que na sexta-feira anterior às eleições o colega da secretária-geral adjunta escreva na “Sábado” avisando os eleitores da Figueira da Foz que Santana Lopes criou muita dívida muniicpal há vinte anos. Mas, e apesar de ser omnipresente comentador político há décadas e em pelo menos três órgãos de comunicação social privada deficitários, não nos informasse que Medina provocou esta enorme dívida na actual Camara de Lisboa

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *