Uma ilha inserida no habitual circuito turístico grego revela-se um caso digno de figurar no Guinness: 700 dos 35 mil habitantes de Zaquintos recebem pensões de invalidez por terem perdido a vista. A insólita cegueira, ocasionada talvez pela intensidade dos raios solares ou por inesperados efeitos da maresia das translúcidas águas jónicas, custa aos contribuintes gregos a módica quantia de 6,4 milhões de euros anuais. Menciono a expressão “contribuintes gregos” como flor de retórica: todos sabemos quem paga realmente esta factura no país que detém o recorde europeu de evasão fiscal.
Agora, devido à mais que provável pressão dos tenebrosos fiscais alemães, o Ministério da Saúde ateniense lembrou-se de pôr em prática aquilo que há muito se impunha: cada “invisual” terá de fazer prova prévia de invalidez antes de continuar a empochar a pensão. Uma maçada para aqueles que alegam serem cegos de nascença enquanto passeiam alegremente pela ilha sem necessidade de cão-guia nem bengala.
Aposto que todos votariam não no referendo que Papandreou anunciou sem nunca ter intenção de o levar à prática, como o próprio primeiro-ministro grego confessou à Sky News. O pior cego é sempre o que não quer ver.
Imagem: um dos belos areais de Zaquintos, a “ilha dos cegos”


Uma excelente oportunidade para os portugueses expulsarem, digo, exportarem o sinistro Macedo dos impostos antes que ele acabe definitivamente com o SNS por cá.
Que tem isso a ver com as falcatruas gregas, Zé?
Então, Pedro, vamos lá pensar devagarinho.
Eles, os gregos, não querem pagar impostos. Logo, precisam de um cobrador sem escrúpulos. Não têm que temer que ele lhes destrua a Economia, como fez por cá, pois eles já se encarregaram de a destruir.
Por outro lado, os portugueses precisam, e muito, do SNS “tendencialmente gratruito”. A população portuguesa é agora maioritariamente composta por velhos que auferem reformas exíguas. Qualquer dificuldade acrescida no acesso aos cuidados de saúde neste momento representa o fim, sublinho, o fim, para muita gente.
Finalmente, o dito indivíduo teria a suprema oportunidade de perseguir gente desobediente para o resto da sua vida. Um prazer intenso e continuado para um inquisidor, digo, cobrador.
Percebeu agora, Pedro? São só vantagens para todas as partes… É melhor ainda do que exportar jogadores de futebol com conta no “bés”.
Agora percebi. O ministro a que se refere, caro Zé, distinguiu-se, como director-geral dos Impostos sob a tutela de três ministros das Finanças, na primeira linha do combate à fraude fiscal em Portugal. Um facto que é reconhecido até por alguns dos seus mais tenazes adversários políticos. Os gregos, campeões europeus da fuga aos impostos, estarão a precisar de alguém assim.
Lá, como cá, os abusos e aproveitamentos dos dinheiros do Estado para uma vida fácil em prejuízo de quem paga impostos é transversal a todas as classes sociais… embora alguns se limitem a denunciar excessos nos mais ricos (que existe) e outros não apenas acusem os aproveitamentos das classes mais baixas (individualmente menos onerosos mas em quantidade superior), mas todos contribuem para a situação a que a Grécia e Portugal chegaram.
É sempre mais fácil ver o argueiro no olho do vizinho.
Pedro, eu diria que «o pior cego é o que recebe pensões de invalidez por não ter perdido a vista».
Que ironia do destino esta, de haver tantos ‘cegos’ numa ilha com tanta beleza para admirar como Zaquintos… Mas os maiores ceguinhos na Grécia não são estes, não… . O grande problema, é que a Grécia, a começar pelo PM, tem um “governo que é cego” e aqui, sim, voltamos ao título do post: “O pior cego é o que não quer ver”.
Olhos que não vêem, coração que não sente.