A propósito de um despedimento colectivo na Soares da Costa, estas declarações do presidente do Sindicato da Construção de Portugal avisando que o Ministro Álvaro Santos Pereira está a «autorizar a despedir quando deveria mas é relançar o sector» e que «poderá se tornar o coveiro do sector» são deliciosas de miopia. Eu percebo que o senhor tenha de defender os interesses dos seus associados mas conviria ainda assim explicar-lhe duas coisas. A primeira é que nenhum Ministro tem o poder de alterar a realidade por decreto. Incrivelmente, parecemos continuar a acreditar que basta uma assinatura ministerial et voilá. Os trabalhadores ficam e a empresa em questão segue, próspera e feliz (mas não com lucros elevados que isso seria ofensivo). A segunda coisa que conviria explicar a este senhor e a muitos outros senhores (e senhoras) que por aí andam é que nas últimas duas décadas o sector da construção civil cresceu muito mais do que deveria ter crescido, mercê de obras públicas que iam levar-nos à riqueza e acabaram por ajudar a levar-nos ao abismo, e de um sector imobiliário em overdrive que, ajudado por autarquias sequiosas de receitas, gerou milhares de espaços devolutos. É pena que não se tenha apostado na requalificação urbana (por exemplo: uma lei da rendas adequada, associada a um programa de venda a baixo preço de imóveis públicos degradados, com uma obrigação associada de requalificação dos mesmos por parte do comprador, poderia ter ajudado a criar cidades muito menos vazias e degradadas) mas, neste momento, com tanta oferta disponível, nem isso terá razão de ser. O sector da construção civil vai perder peso, sim. É inevitável e duro para quem nele trabalha mas nunca devia ter engordado tanto.
O peso certo da construção civil
escafandro,


Nunca percebi como é que este senhor de Braga, funcionário de um sindicato da construção civil, tem tão boa imprensa. Ele pode aparecer a dizer asneiras, como acontece com frequência, que tem logo lugar nos noticiários da Tv, e nas páginas dos jornais, sempre sem contraditório.
E, vá lá saber-se porquê, tornou-se uma pessoa muito viajada, estendendo a sua actividade ao estrangeiro, de que também fala com alguma regularidade, a modos de jornalista.
Agora, aparece como representante do Sindicato da Construção de Portugal, sem se entender bem o que é que isso representa – já foi de Braga, já foi do Norte, agora é de Portugal. E, diz jaa que o sector está a perder peso. Não parece…
À força mas está. Veja-se o túnel do Marão parado, o TGV que não avança, a redução da construção de empreendimentos. Não há dinheiro – ou melhor, não há crédito -, pelo que o sector tem de emagrecer. E estes despedimentos colectivos indicam-no, Tiro ao Alvo. Que a visibilidade dos sindicatos não diminua talvez seja natural, em tempo de dificuldades para os trabalhadores.
“nenhum Ministro tem o poder de alterar a realidade”, pois é Sr jaa, realmente aquele sindicalista ainda não percebeu que os ministros PS/PSD/CDS só lá estão para arranjar tachos para os amigos, querer que eles resolvam algum problema do país, era exigir-lhes uma tarefa “colossal”.
O que vale é que há inteligentes como o senhor para nos avisar, bem haja.
De nada, sempre ao dispor. Mas não percebi uma coisa. Acha que o Ministro tem o poder de alterar a realidade por decreto? Proibia o despedimento e tudo ficava bem na Soares da Costa?… Ou decretava um programa de obras públicas, apesar de as que existem – como o túnel do Marão, onde a Soares da Costa é líder – passarem por dificuldades de financiamento? Ah, já sei: mandava imprimir dinheiro na cave do Ministério.
Olhe que essa de mandar imprimir dinheiro não era má, afinal não é o que faz os EUA, exemplo supremo para os nossos ministros neo-liberais?
Mas afinal para que estão lá os ministros? Para arranjar uns tachos para os Catrogas, Cardonas e companhia, tal como antes os ministros de Sócrates?
Há e também devem servir para assegurar que a policia e os tribunais estejam sempre prontos para defender o capital.
A. Silva: não sei muito bem para que é que eles lá estão; sei que não devem lá estar para dar dinheiro público (que agora nem abunda) a um sector onde os efeitos dele serão no mínimo temporários e no máximo perniciosos.
Na verdade o que falta a este ministro e a este governo (tal como aos anteriores), é um projecto de desenvolvimento para o país e assim, as empresas, trabalhadores e país, estão ao sabor das politicas dessa coisa sagrada a que se chama “mercado”!
Subscrevo. Além do mais as PPP/encostos ao Estado cá (nos States/Flórida foram adiadas para a Soares da Costa) apresentam estes trágicos números de que ninguém quer falar e que nos arruinaram: http://www.dgtf.pt/parcerias-publico-pri vadas/relatorios-ppp-e-concessoes/anuais
Ou seja as forças visíveis (banca do regime e bloco central) + forças invisíveis (maçonaria, opus dei) são os principais beneficiários do alto preço pago pela energia e pela mobilidade em Portugal:
Mota-Engil: 24,26%
BES/GES: 22,61%
Grupo Mello: 15,31%
Soares da Costa: 13,73%
Espanhóis: 8,03%
Se não fossem todos os políticos corruptos que temos tido e este país poderia ser uma Dinamarca.
Enfim, não há humor que resista! 🙁
Cheio de louras e louros com um metro e oitenta de altura? 😉
(O humor tem de resistir, pelo menos enquanto não pagar imposto.)