É raro o dia em que não leio notícias que tenham a palavra Magalhães no corpo do texto. Há dias, discutia se o Magalhães resume de facto esta legislatura, com amigos que o negavam veementemente. Para eles, há mais neste governo que o computadorzinho azul. Se tivesse a paciência (e tempo) necessários, garanto que faria um clipping das notícias diárias, para provar com dados concretos a prioridade nacional. Mesmo não levando este projecto para a frente, levantam-se-me já algumas dúvidas. Não tenho a certeza se esta mania do Magalhães tem origem nos media, verdadeiros obcecados, ou se vem de cima, do governo. Bom, no plano interno não sei mesmo responder. Parece que a febre magalhaneira colou mesmo, em pais, crianças, professores e jornalistas, tornando-se o centro do debate sobre educação. Já só falta mesmo desfilarem pela Avenida abaixo reivindicando um Magalhães para cada tomada (ou o contrário, também seria um relevante avanço tecnológico, como os quadros eléctricos das escolas assinalam).
Hoje, descubro que o Magalhães, qual droga leve que tudo inebria, até já tem uma perninha na actividade ilícita: parece que aquilo é tão bom que até já há mercado negro, com desvios de material e atribuições erradas. Ainda pensando nas minhas dúvidas de direcção da importância (isto é um bocadinho ovo e galinha, eu sei), acho que a resposta nas relações internacionais é mais simples. Afinal, os contratos viajam de avião pela mão dos nossos governantes, não pelas insistências dos media. A presença do computador nas nossas relações externas parece ser motivo de alegria para os nossos governantes, que o trazem na boca como um credo solucionador. De Cabo Verde à Venezuela, o intrépido navegante arrepia caminho, em nome da redenção informática. E isto parece-me tudo muito triste. E muito pobre, sob todos os pontos de vista.

Febre «magalhaneira»? Tenho de rever o meu vocabulário. Tenho usado o termo ‘magalhânica’!
🙂
acho que se presta a tudo.
Diz que o camarada Hugo Chávez está um bocado chateado comos erros de castelhano (ele diz bolivariano) do Magalhães.
Minha cara,
Atrevi-me a pensar assim, minutos atrás
http://atributos-1.blogspot.com/2009/03/o-m agalhaes.html
Melhores cumprimentos
JM
Caro José Magalhães, depois do descrédito e da péssima reputação que este governo deu ao seu respeitável nome, eu, se fosse a si, pedia uma indemnização!
Como um credo solucionador
nas bocas dos (des)governantes,
este “nosso” computador
tem feito figuras tocantes!
A “socialista” tecnologia
é feita de muita ficção,
a verborreica demagogia
é uma límpida aberração!
O mexilhão actualizado
de conhecimentos informáticos,
sente um país descredibilizado
por erros sistemáticos!
Parecia-me bem nomearem o Magalhães para a Provedoria da Justiça.
Ana Margarida Craveiro:
Concordo consigo em absoluto, tenho é pena de ver o nome do meu país associado a este computador, mas claro o responsável tem nome, um tal Pinto de Sousa que infelizmente temos como PM.
Tal como a dita personagem diria, porreiro pá.
Repito um comentário que fiz num outro blogue: adequa-se que o Magalhães circule no mercado negro porque o Magalhães é, desde início, um negócio muito obscuro.
É que para este triste «magalhães», a coisa já está tão negra, tão negra, que ele já não tem nada de azul… De tanto andar pelo mercado negro e pelos referidos negócios obscuros, já está mesmo preto!
Já tinha falado do insucesso do computador Magalhães. Já tinha falado do papel, pouco recomendável, que tem feito quem o oferece (José Sócrates). Ainda não tinha ainda falado de quem recebe o computador de borla ou a preços irrisórios.
Conhecia casos reais, mas que não poderia provar aqui no blogue. Corria então o risco de me acusarem de ser preconceituoso, ou até algo pior.
Pelos vistos não demorou muito para que tudo chegasse á praça pública: O Magalhães anda a ser vendido no “mercado negro”. Ou seja, famílias que beneficiam do programa e-escolinhas, recebem o computador e depois, em vez de o utilizar para a educação dos filhos, vendem-no para fazer dinheiro.
Atenção !! Mais grave é o que se passa também no programa e-escolas, em que os computadores oferecidos, em troca de valores irrisórios, são mais valiosos e mais facilmente vendidos.
Adorei essa da «febre magalhaneira», que aliás está cada vez mais elevada. Basta ler os blogues pró-governamentais.