Num mundo em que a História acelera, em Cuba parece ter parado. A sensação de irrealidade que nos chega da ilha comunista, aprisionada há mais de meio século por uma “revolução” que a pôs à margem dos sonhos e aspirações da generalidade dos povos, atingiu por estes dias o cume:
– O congresso do Partido Comunista Cubano reuniu enfim, com nove anos de atraso, em clara violação dos seus próprios estatutos.
– Soube-se agora que o primeiro secretário do partido, Fidel Castro, havia secretamente transferido estas funções em 2006 para o irmão, o general Raúl Castro, também em flagrante violação das normas estatutárias.
– Procedeu-se à “renovação” do partido nomeando para braço direito de Raúl, com 80 anos incompletos, um dos cabecilhas da revolução, José Machado Ventura, com 80 anos já feitos.
– A Comissão Política do PCC, que integra 15 dirigentes, conta com três novos membros – todos com mais de 50 anos, idade em que ainda se é jovem para os padrões cubanos.
– Numa suprema demonstração de cinismo, Raúl, figura cimeira do regime desde 1959, vem agora estabelecer um limite de dez anos para o exercício de cargos políticos. Seguida à letra, no caso dele, a norma permitir-lhe-á governar até aos 90 anos. Mas na Cuba comunista, onde a biologia manda mais do que a ideologia, nunca se sabe: os governantes são os primeiros a violar as próprias normas que impõem ao povo.
O que este congresso que devia ter ocorrido em 2002 confirma é a manutenção de um regime de partido único, profundamente hierarquizado, em que as hostes partidárias se confundem com as forças armadas (que embolsam 60% das receitas turísticas) e o aparelho de Estado. Um regime em que a cúpula do poder permanece nas mãos de membros da mesma família há 52 anos. Um regime que destruiu o tecido produtivo do país e hoje se vê forçado a importar 80% do que ali se come. Um regime mergulhado num irreversível e penoso crepúsculo, confundindo o seu destino com o do país.
Há meio século, a palavra de ordem era “socialismo” – a toda a velocidade. Agora a palavra que está nas mentes de todos é “capitalismo” – o mais devagar possível. Com mais de dois milhões de cubanos forçados a viver fora da ilha e milhão e meio à beira do desemprego porque o Estado-patrão deixou de ter verba para pagar os magros salários – os segundos mais baixos do hemisfério ocidental – e as esquálidas pensões de reforma de oito euros mensais.
Cuba é hoje uma nação envelhecida, sem esperança, com a segunda mais larga população de idosos da América Latina: 46% da população tem mais de 40 anos. Os jovens tudo fazem para abandonar um país onde o partido-Estado persiste em oprimir a sociedade. Em nome da “liberdade”, o que torna tudo ainda mais trágico.



São estes exemplos que nos ajudam a valorizar a democracia que temos.
Penso o mesmo, Fonte Próxima.
são tudo inCubices e imoralidades.
mas se ninguem tem força para mudar…
Mudará quando a biologia finalmente impuser a sua lei, Francisco. Há regimes que só caem assim. De podres.