O Papa no Iraque


João Pedro Pimenta,

Chegou ao fim uma das mais delicadas e perigosas, mas também uma das mais significativas, viagens pastorais do Papa. Entre a pandemia e as bombas que o infeliz país tem sofrido há vários anos, a viagem ao Iraque parece ter corrido muito bem e permitiu cumprir vários objectivos, como o encontro com o Ayatollah Sistani, a grande autoridade xiita do Iraque, as vítimas do Daesh e as celebrações com as tão massacradas (e antiquíssimas) igrejas da Mesopotâmia, e são tantas, apesar dos fiéis mingarem por causa das perseguições e da violência.

 

O Papa conseguiu ainda ir a Mosul, a vizinha da antiga Nínive, no coração da Mesopotâmia, a cidade ocupada e devastada pelo Daesh, há poucos anos. Tinha sido precisamente na principal mesquita de Mosul que o “emir” al Baghadi proclamara o Estado Islâmico, em 2014, e anunciou que conquistaria Roma. Aconteceu precisamente o contrário: o Bispo de Roma é que entrou em Mosul, mas sem armas. Lembra um pouco a pergunta de Estaline, entre risos: “quantas divisões armadas tem o Vaticano?”. A verdade é que o regime de Estaline já não existe, mas o Papa continua a saudar as multidões na Praça de S. Pedro ou em qualquer outro local. Até no Iraque, em 2021.

 

 

19 comentários em “O Papa no Iraque”

  1. Pelos livros de história bem sabemos que a igreja foi demasiadas vezes instigadora e perpetradora de conflitos e agressões.
    A Igreja Católica na actualidade é completamente diferente e para melhor. Sendo formada por pessoas tem naturalmente alguns maus elementos entre muitos mais que são efectivamente bons.
    Esta viagem está carregada de um grande simbolismo histórico e político, mas acima de tudo o que sobressai é o apelo à paz tão necessária, tão difícil mas que nestes dias pareceu possível.

  2. Nunca serão os reis, os chefes ou os poderosos a fazerem a paz. E a transformarem seja o que for.
    Esses nunca abdicarão do seu estatuto nem da sua hierarquia. Logo, impedirão sempre a mudança.
    Os que entrarão no reino dos céus nunca serão os pastores nem os de um rebanho deles.

      1. Na Arábia Saudita, na Alemanha, nos Estados Unidos em Portugal, nos laboratórios onde trabalhei éramos de 43 nacionalidades diferentes, e de 4 continentes. Todos cooperámos, partilhámos, conseguimos estar juntos no mesmo objetivo de pesquisa científica. Não houve quaisquer conflitos. Nem as diferenças de cor-de-pele, género, ideologia ou religião serviram para marcar qualquer fronteira ao relacionamento.
        Quando saímos para a rua, lá vêem os ideólogos, os pastores das religiões, os chefes políticos, os representantes do povo, os especialistas, os pseudo-sábios, os funcionários dos estados, os empresários, os comentadores dos media, criarem fronteiras e incitarem ao ódio de uns contra os outros.
        As actuais fronteiras políticas, ideológicas e religiosas, e os chefes dessas instituições, é que são a causa dos problemas das pessoas. Já não se coadunam com aquilo que as pessoas querem.
        É necessário outra territorialização política e outro regime de regulação do actual viver humano.
        Enquanto isso não acontecer, não haverá paz, nem com a humildade se resolverá nada.

    1. Pois a Guarda Suíça.
      Mas, tinha que aparecer o Estaline tal e coisa e fechar os olhos dos crimes dos nazis também podia ter incluído. Pois eram judeus, ciganos e comunistas quero lá saber, afinal os nazis também nunca perseguiram os muçulmanos.

        1. A ligação entre os nazis e os persas tem uma base étnica, a raça ariana e o nome da actual Pérsia (Irão) tem a mesma raiz etimológica.
          Já com os árabes a base de relacionamento era apenas a partilha de um inimigo comum, a potência colonial da região, ou seja, os britânicos.

  3. Mosul, […] a cidade ocupada e devastada pelo Daesh

    Errado. O Daesh não devastou Mosul. O Daesh ocupou-a, em larga medida pacificamente (porque as tropas iraquianas fugiram), mas não a estragou.

    Quem devastou Mosul foi a sua reconquista pelas tropas iraquianas e norte-americanas.

    1. O Papa celebrou missa entre 4 igrejas destruídas pelos norte-americanos e pelos governamentais iraquianos. Lavoura dixit.

      1. Não me refiro especificamente às quatro igrejas, que me interessam relativamente pouco. A imensa maior parte de Mosul (as habitações, etc) foi destruída por bombardeamentos (aéreos e terrestres) das tropas iraquianas e norte-americanas.

      1. OK. De acordo em que o Daesh destruiu muitos monumentos em muitos sítios.
        Mas a cidade em si, na sua totalidade, as casas, as estruturas de serviço público, etc, foram devastados, destruídos, reduzidos a pó, não pelo Daesh, mas pela reconquista iraquiana e americana.

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