O Orçamento de Estado para 2012 não é um documento corrente. O aumento significativo da carga fiscal ou a suspensão dos subsídios de Natal e de férias da função pública e dos pensionistas são medidas com profundas implicações na vida dos portugueses. Daí que, em rigor, só existam duas posições possíveis perante as propostas ali previstas: estar contra ou estar a favor. A neutralidade não é viável face à excepcionalidade do documento. Assim, a abstenção na votação na generalidade anunciada por António José Seguro só pode ter uma interpretação: apesar de toda a argumentação de circunstância (as medidas vão além do memorando da Troika ou há margem para reter apenas um dos subsídios), o PS aprova as medidas ali inscritas e vincula-se a elas. O Orçamento de Estado para 2012, tal como o Memorando da Troika, é também o Orçamento do PS. Neste contexto, a partir da sua aprovação, o papel de António José Seguro como líder da oposição não poderá ser o de questionar as medidas previstas. Pelo contrário, e por muito que isso lhe cause desconforto, terá de ser o de exigir a sua correcta e integral execução.
O Orçamento do PS
Rui Rocha,

De acordo, Rui. Esta abstenção, em termos políticos e no momento em que decorre, equivale a um voto favorável ao Orçamento. Não por acaso, aliás, AJS confessa (ver manchete do Expresso) que ponderou votar sim. A posição socialista face ao OE 2012 indicia também uma censura da actual direcção do PS ao Governo socialista que cessou funções em Junho.
As coisas são o que são.