O Oráculo de Nafarros


Rui Rocha,

Um tipo normal como eu, que não recolheu do seu próprio passado mais benefício do que ter passado por ele, preocupa-se sobretudo com o futuro. Mais agora que este traz cara de se apresentar imperfeito. Ora, nesta ânsia de saber o que me espera, afastada que está a hipótese de esperar sentado, e não possuindo a capacidade predictiva da FIFA que sabe agora já que algures em Junho do próximo ano vai fazer calor em Manaus, viro-me para onde posso. E se dizem que o passado é uma chave fundamental para interpretar o futuro, presumo que faço bem em ter em conta as previsões de Mário Soares para organizar a minha vida. Não há, sabemos, outro português vivo com passado tão glorioso à nossa frente. É assim desta forma que nos últimos tempos, na impossibilidade de me deslocar a Delfos, faço sempre preceder qualquer decisão fundamental da consulta do Oráculo de Nafarros. E estava, devo confessá-lo, egoisticamente descansado até há uns minutos atrás. É certo que o pitoniso, depois de ter previsto um assomo patriótico de violência com epicentro mais ou menos localizado no Alto do Pina, publicou na passada quarta-feira, na sua coluna do DN, um artigo com o sugestivo título: “As secas e os tufões”. E que a certa altura nos confronta com o nosso irremediável destino: “Reparem nos oceanos, que vão crescer muito – e inundar a Terra”. Perante isto, fui ver. Saí das minhas tamanquinhas (passei a usá-las porque são mais altas do que os sapatos e fico prevenido para o caso de o nível das águas subir), peguei no carro, e dirigi-me a Esposende. Aparentemente, estava tudo calmo. Quer junto do farol, quer do outro lado da ponte, já na praia de Ofir, a agitação marítima não apresentava sinais que despenteassem de pânico qualquer dos sucessores do catedrático Anthímio de Azevedo. O oceano Atlântico apresentava-se pacífico. Pelo sim, pelo não, pedi ao gerente do café Pé-no-Rio que me telefone se acaso vislumbrar sinais de catástrofe. E voltei a casa mais aliviado. A verdade é que, com o mar sob vigilância, a arrecadação atestada de garrafões de água para fazer face à seca prometida e as calças presas por suspensórios, um tipo sente-se muito mais seguro. O problema é que hoje li isto. Pelo visto, a questão dos Estaleiros de Viana vai arrasar o Minho. Ora bolas. Confesso que não estava a contar com este revés do destino. Mas há que saber enfrentar a adversidade. E uma coisa é certa. Em Braga é que não ficamos. Para onde vamos? Ainda não está decidido. Mas mentiria se não dissesse que uma das possibilidades mais fortes é fixarmo-nos em Idanha-a-Nova logo que o Tó Zé consiga outorgar o contrato prometido.

16 comentários em “O Oráculo de Nafarros”

  1. Se consulta com frequencia o idoso de Nafarros aconselhe-o a manter o bomnome que a historia tem reservado para ele e se porte como um responsavel ex-presidente. Despritigiar ele que deixe a brigada do reumatico que o acompanha a tarefa.Pelo que vejo nenhum dos seus muitos amigos fazem essa fineza.

  2. Também já é oráculo?
    Só conhecia os baronatos nafarricos,campograndicos e dos vaus.Com automove,chófer,guarda às ordens,afundação e o que mais lhe derem,tudo é sempre pouco em tempos de miséria.

  3. Aconselhe-se também com o Czar Cesar das Ilhas, um dos “salvadores “dos Estaleiros de Viana:

    — Pela diferença de um nó -por hora – recusou o navio Atlântida.
    Como contrapartida, alugou a um armador grego dois navios por 21 milhões de euros.
    Mais ajudas:

    Encomendou ao estaleiro espanhol (Armon) dois “ferries” por 18,3 milhões
    Cesar… Cesar…
    39, 3 milhões de ajudas.

    ….

  4. Gostaria de o ter visto à porta da Setenave e da Lisnave a defender os trabalhadores despedidos haverá trinta anos.E a marchar à frente dos esfomeados de Setúbal.

      1. Sim.Nesses tempos de salários em atraso,despedimentos,fomes,suicídios,nesses tempos estava ocupado a fazer cumprir o 2º acordo com o FMI e a publicitar como indispensáveis todas essas misérias.

  5. Rui,
    Estamos a chegar ao Natal. Já sabes que todos os anos é assim e que para outorgar o contrato prometido é preciso ter crédito, pagar o IMT e ainda ter algum para a escritura e para os registos.
    Neste momento quem é que o financia, não me dizes? Bem me parecia que não tinhas pensado nisso.
    Não te ponhas a pedir ao Pai Natal aquilo que ele nunca te poderá dar. Já basta de problemas.

  6. Não consta que o de Nafarros tenha passado a pataco a sua casa da Praia do Vau, pelo que se devem extrair as devidas ilações…

  7. para quem se previne pedindo ao gerente do café Pé-no-Rio que lhe telefone, caso vislumbre sinais de castátrofe, estamos conversados (ele é cá uma diferença entre isso e dar ouvidos ao pitonista nafarrico, ou nafarroso, ou lá o que é que lhe chama).
    e que tal talvez esperar que o anjo gabriel ou um outro qualquer ser alado lhe faça, a si, uma anunciação de catástrofe antecipada?

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