26 comentários em “O mundo é de quem o reinventa (21)”
Gostei. Parece-me muito mais prático do que aquilo que se faz em Londres. Saem de casa de manhã de ténis, colocam os sapatos de salto alto numa mala, chegam à empresa e trocam. Mulheres inteligentes e práticas. Já nós em Portugal e se a profissão exige um trajar mais formal, tentamos não cair de cima dos saltos altos, quando corremos para o trabalho e tendo em conta a nossa calçada…acho que também somos assim, mais ou menos inteligentes. É que não é mesmo nada fácil, andar de saltos, em passeios lotados de carros e cheios de buracos.
Mais vale rendermo-nos à evidência, Maria: a calçada portuguesa é muito bonita, mas só pode ter sido inventada por um homem. Devia haver um subsídio nas cidades portuguesas para saltos espatifados.
A calçada portuguesa não é má apenas para as mulheres que usam saltos altos (coisa que muitas não fazem). É má para toda a gente, devido a ser pouco uniforme (horizontal). E é perigosa para toda a gente, devido a ser muito escorregadia.
Em que sou picuinhas? Em dizer que a calçada é escorregadia? Olhe, eu já por diversas vezes escorreguei e caí no chão ao andar em calçada. Desde que não se ande com sapatos de sola bem aderente, é muito fácil cair-se no chão quando se anda em calçada portuguesa. A pedra, em geral, tende a ser escorregadia. Ou sou picuinhas por dizer que a calçada não é uniforme? Compare andar num piso liso, por exemplo o pavimento de uma ciclovia, com andar sobre calçada. A calçada é toda aos altos e baixos, o pé nunca pousa horizontalmente, fica sempre ligeiramente inclinado ou para a direita ou para a esquerda, ou para trás ou para a frente… A calçada portuguesa é, para quem anda (seja mulher ou homem), o pior piso que pode haver.
E pronto, acabou de responder a si próprio.
Não são só as mulheres em Londres. Na universidade alemã em que trabalhei, toda a gente tinha uns chinelos no gabinete para calçar mal lá chegava de manhã. Chegavam ao trabalho com as botas molhadas e enlameadas, descalçavam-nas e passavam o dia todo de chinelos.
Depende de onde se trabalha. Eu referi-me ao trabalho numa universidade onde se fazia investigação e não atendimento a clientes. Nessas condições, chinelos é o melhor. De qualquer forma, o que eu pretendia salientar é que qualquer pessoa inteligente, seja mulher ou homem, usa no trabalho sapatos diferentes daqueles que usa na rua. Na rua usa sapatos próprios para apanhar chuva e lama; no trabalho usa os sapatos que forem mais apropriados para o trabalho que executa. E não precisa de andar com os sapatos na mala – deve guardá-los no local de trabalho.
O meu trabalho nunca foi atender clientes e jamais me ocorreu essa solução, quanto mais não seja por uma questão estética. Acho deprimente estar num local de trabalho rodeada por gente de chinelos.
Questão de ponto de vista. Eu acho deprimente ver mulheres de salto alto, e pessoas em geral de ténis. E acho estúpido andar-se dentro de portas com sapatos próprios para apanhar chuva e neve. Mas prontos, gostos não se discutem.
Não se discutem, de facto. Para mim, os alemães estão muito longe do paradigma estético.
Mas lembro-lhe que nem em todos os países a lama, a chuva e a neve são o clima habitual.
Eses sapatos têm a desvantagem de fazer a mulher ainda mais baixa do que o que já é. O homem vê a mulher com metro e meio, olha-lhe para os sapatos e julga que são de saltos altos, e pensa: “sem os saltos ela só tem metro e quarenta”.
Que grande imaginação tens, Ana: olho sempre fascinado para esta tua série – e faço desde já votos para que seja muito prolongada. E que grande paciência tens também, como esta caixinha de comentários tão bem demonstra…
Gostei. Parece-me muito mais prático do que aquilo que se faz em Londres. Saem de casa de manhã de ténis, colocam os sapatos de salto alto numa mala, chegam à empresa e trocam. Mulheres inteligentes e práticas.
Já nós em Portugal e se a profissão exige um trajar mais formal, tentamos não cair de cima dos saltos altos, quando corremos para o trabalho e tendo em conta a nossa calçada…acho que também somos assim, mais ou menos inteligentes. É que não é mesmo nada fácil, andar de saltos, em passeios lotados de carros e cheios de buracos.
Mais vale rendermo-nos à evidência, Maria: a calçada portuguesa é muito bonita, mas só pode ter sido inventada por um homem. Devia haver um subsídio nas cidades portuguesas para saltos espatifados.
A calçada portuguesa não é má apenas para as mulheres que usam saltos altos (coisa que muitas não fazem). É má para toda a gente, devido a ser pouco uniforme (horizontal). E é perigosa para toda a gente, devido a ser muito escorregadia.
O Luís Lavoura é um bocadinho chato, devido a ser tão picuínhas.
Em que sou picuinhas? Em dizer que a calçada é escorregadia? Olhe, eu já por diversas vezes escorreguei e caí no chão ao andar em calçada. Desde que não se ande com sapatos de sola bem aderente, é muito fácil cair-se no chão quando se anda em calçada portuguesa. A pedra, em geral, tende a ser escorregadia.
Ou sou picuinhas por dizer que a calçada não é uniforme? Compare andar num piso liso, por exemplo o pavimento de uma ciclovia, com andar sobre calçada. A calçada é toda aos altos e baixos, o pé nunca pousa horizontalmente, fica sempre ligeiramente inclinado ou para a direita ou para a esquerda, ou para trás ou para a frente…
A calçada portuguesa é, para quem anda (seja mulher ou homem), o pior piso que pode haver.
E pronto, acabou de responder a si próprio.
Não são só as mulheres em Londres.
Na universidade alemã em que trabalhei, toda a gente tinha uns chinelos no gabinete para calçar mal lá chegava de manhã. Chegavam ao trabalho com as botas molhadas e enlameadas, descalçavam-nas e passavam o dia todo de chinelos.
Isso é fazer exactamente o contrário, Luís Lavoura. Trabalhar de chinelos não me parece um grande exemplo a seguir.
Depende de onde se trabalha. Eu referi-me ao trabalho numa universidade onde se fazia investigação e não atendimento a clientes. Nessas condições, chinelos é o melhor.
De qualquer forma, o que eu pretendia salientar é que qualquer pessoa inteligente, seja mulher ou homem, usa no trabalho sapatos diferentes daqueles que usa na rua. Na rua usa sapatos próprios para apanhar chuva e lama; no trabalho usa os sapatos que forem mais apropriados para o trabalho que executa.
E não precisa de andar com os sapatos na mala – deve guardá-los no local de trabalho.
O meu trabalho nunca foi atender clientes e jamais me ocorreu essa solução, quanto mais não seja por uma questão estética. Acho deprimente estar num local de trabalho rodeada por gente de chinelos.
Questão de ponto de vista. Eu acho deprimente ver mulheres de salto alto, e pessoas em geral de ténis. E acho estúpido andar-se dentro de portas com sapatos próprios para apanhar chuva e neve.
Mas prontos, gostos não se discutem.
Não se discutem, de facto. Para mim, os alemães estão muito longe do paradigma estético.
Mas lembro-lhe que nem em todos os países a lama, a chuva e a neve são o clima habitual.
O jeito que estes dão 🙂
É mesmo. Hei-de comprar uns destes. 🙂
Pegadas pequeninas…
Depende…
Ana, não encontrará um destes dois em um para homem? Olhe que até dava jeitito nestes tempos de crise.
Parece-me até mais fácil de conjugar, para homem. 🙂
Isso é preciosismo; não é?
Preciosismo? Essa não percebi, confesso.
Eses sapatos têm a desvantagem de fazer a mulher ainda mais baixa do que o que já é.
O homem vê a mulher com metro e meio, olha-lhe para os sapatos e julga que são de saltos altos, e pensa: “sem os saltos ela só tem metro e quarenta”.
As coisas que lhe passam pela cabeça são sempre um mistério.
Adorei. Onde é que eu posso comprar uns?
Esta sua série é fantástica. De uma imaginação sem limites.
Obrigada, Ana. Mas não posso ajudá-la… se eu soubesse onde se compram, juro que já tinha uns assim. 🙂
Que grande imaginação tens, Ana: olho sempre fascinado para esta tua série – e faço desde já votos para que seja muito prolongada.
E que grande paciência tens também, como esta caixinha de comentários tão bem demonstra…
Tenho muitas fotografias em lista de espera, sim. Mas a imaginação é de quem inventa estas coisas, eu limito-me a coleccioná-las.
Quanto à paciência, olha, tem dias… 🙂