O mundo às avessas


Pedro Correia,

jorgecoelho[1].jpg

 

Jorge Coelho (militante do PS)

«A pobreza só se resolve com o crescimento da nossa economia, só se resolve com a criação de empregos, com a criação de trabalho. É preciso haver estabilidade na nossa política fiscal porque isso é importante para o investimento externo.»

 

0[4].jpg

 

Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Uma política que pretenda diminuir as desigualdades passa também por taxar uma parte da riqueza e por garantir que essa riqueza não cria um mecanismo de acumulação que gera cada vez mais desigualdade. Há muita gente em Portugal que ou foge para os paraísos fiscais e não paga o imposto que devia ou que é muito menos taxada do que são os mais pobres.»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 22 de Setembro

32 comentários em “O mundo às avessas”

      1. Tenho um amigo benfiquista, doente, que para poder ver mais jogos de futebol também é sócio do Sporting, e paga as cotas!

        Militante = pessoa que defende activamente uma causa ou um movimento; partidário activo!

        Traidor = desleal para com um amigo ou pessoa (grupo) com quem se tem algum laço de solidariedade ou outro tipo de compromisso!

  1. É preciso haver estabilidade na nossa política fiscal porque isso é importante para o investimento externo.

    Todos estamos de acordo com isso. Mas, questiono, como pode haver rigorosa estabilidade na política fiscal, quando o dinheiro dela resultante é insuficiente, isto é, quando há défice, e quando a Zona Euro exige que esse défice seja rapidamente eliminado? Parece-me evidente que, em tais apertos, não pode haver estabilidade na política fiscal. Ou se criam novos impostos, ou se aumenta a taxa dos impostos já existentes, ou se aperta o torniquete sobre a fuga ao fisco.

    Não foi Vítor Gaspar quem efetuou um “enorme aumento de impostos”? E nessa altura não se falou desta necessidade de estabilidade fiscal… Porque é que nessa altura não se falou e se fala agora?

    1. Nessa altura o País estava sob resgate financeiro internacional, apertado pelo garrote da tróica e mergulhado em recessão – ou “crescimento negativo”, como os tecnocratas de turno preferem dizer.

      1. É verdade, mas o facto permanece de que o nosso défice permanece demasiado alto e que a Zona Euro continua a exigir que o reduzamos.
        Os propagandistas da “estabilidade fiscal” têm a obrigação de nos explicar como é que deveremos reduzir o défice sem alterar os impostos. Que sugestão têm? Que o Estado deixe de pagar os tratamentos aos cancerosos? Que se faça “default” à dívida? Que se deixe de pagar aos bombeiros para eles apagarem os fogos? Que deixemos o défice continuar alto e a Zona Euro que se lixe? Ou quê?

        1. Lavoura, queres que te explique o que é não alterar os impostos? Tipo não descer o IVA da restauração, abrindo mão de 200 milhões, sem resultados visíveis na economia, e tentando depois compensar o buraco pela cobrança de sobretaxas tão estupidamente desenhadas que só permitirão arrecadar um décimo do que se pretenderia?
          Mais valia que andasses na rua a oferecer manuais escolares, pá.

          1. Quem retirou a estabilidade fiscal à restauração foi o governo anterior, que decidiu aumentar o IVA de 13% para 23%. Não percebo porque é que você não condena o governo anterior por esse bárbaro aumento de importos…
            Eu concordo consigo em que o IVA da restauração não deveria ter sido baixado. Mas, já agora, proporia outras quebras da estabilidade fiscal: taxa máxima (23%) de IVA sobre o vinho e imposto especial sobre todas as bebidas alcoólicas, em vez de ser restrito às aguardentes. Está de acordo?

          2. Pois. Além do mais, a putativa medida legislativa, ainda por cima difundida com tanta antecedência em nome da marcação do terreno ideológico, permite a partilha antecipada do património para evitar acumular “fortunas”. Neste quadro, os 200 milhões de euros pré-anunciados como receita são miragem no deserto, como qualquer aluno do ensino básico perceberá.
            Os aprendizes de feiticeiro confundem a própria demagogia com a realidade.

        2. O problema central é o crescimento económico. E a economia só cresce com criação de empresas e criação de emprego. O peso tributário é fortemente dissuasor do investimento externo, de que tanto carecemos. E como atrair capital para o nosso país se o quadro europeu, em que nos inserimos, está ainda longe de consagrar a harmonização fiscal? Nem precisamos de sair da Península Ibérica para o confirmar: Andorra e Gibraltar são a prova viva disso.
          Este é o problema de fundo: o Estado consome há longos anos recursos financeiros que a economia não gera. Claro que a solução não pode passar pelo exemplos que enuncia: há que avaliar sempre os custos sociais das medidas.

          1. Pois, todos nós gostaríamos que houvesse mais crescimento económico, mas isso é uma coisa que só acontece a médio prazo e que, mesmo nesse prazo, nunca podemos ter a certeza de que venha a ocorrer.
            E entretanto temos um problema premente a resolver, que é a exigência da Zona Euro de que o nosso défice desça já no ano que vem. Não podemos descer (ou manter, vá lá) os impostos e ficar à espera de que, com eles mais baixos (ou estáveis), já no próximo ano centenas de empresas estrangeiras decidam instalar-se cá e façam o país crescer. Temos que ter uma solução imediata para um problema que é premente. E essa solução imediata é – aumentar os impostos (ou diminuir a fuga ao fisco).

          2. Não me lembro de ver esta preocupação do Luis Lavoura com as finanças publicas e esta compreensão quanto à necessidade de aumentar impostos quando o pais estava sob resgate financeiro !….
            Como já foi dito num outro comentário, este governo ve-se agora forçado a aumentar impostos porque entretanto gastou dinheiro com “devoluções” e comprometeu a recuperação do investimento e da economia fazendo “reversões” em vez de reformas estruturais !!

        3. Esqueceu-se que também podem ser congelados os salários dos funcionários públicos e que foi um erro grosseiro reduzir-lhes o horário para 35 horas. Um erro e uma injustiça.
          E esqueceu-se de muito mais, a começar nas gorduras do Estado e a acabar nos erros tipo BANIF, passando pela reposição apressada dos salários e pensões a quem mais ganha e pela redução do IVA na restauração, numa palavra, na redução da despesa pública (corrente) e no alívio dos sacrifícios que os nossos filhos e netos vão suportar.

          1. Baixar o IVA da restauração, introduzindo novas injustiças relativas no âmbito fiscal, foi um erro grave cometido por um governo tão carecido de recursos financeiros. Como tinha sido a reversão das privatizações dos transportes urbanos de Lisboa e Porto, que proporcionam um serviço cada vez mais degradado por absoluta carência de investimento público para a manutenção e reparação de carruagens e autocarros.
            Desviar poupanças privadas para operações de tesouraria corrente do Estado central, mediante novos impostos, é um sinal erradíssimo que se transmite à sociedade num dos países da Europa já com menores índices de aforramento, como é Portugal.

  2. Rebemtem de vez com o país, taxem a 25, 30 % de IVA todos os produtos. Aliás, acabe-se de vez, com a pérfida iniciativa privada. Viva o bem público.

    1. Bem apregoa o ex-ministro Teixeira dos Santos: “Não matem a galinha.” Este filme já foi visto noutras paragens. E já foi visto também em Portugal, em épocas mais remotas e mais recentes.

      1. Desculpe, Pedro, mas o Teixeira dos Santos não é exemplo para nada, ou melhor, é apenas exemplo para mostrar o que se não deve fazer.

  3. Um livro branco sobre a (incontrolada) despeza do Estado.
    Esperem sentados.

    Interessante ouvir as sumidades do PS a afirmarem (sem vergonha) que vasculhar as contas bancárias é uma directiva europeia, óbvia mentira, a cumprir religiosamente.
    Já a directiva de agir metade nos impostos, metade na despesa do Estado, essa já não é para cumprir, pelo PS e PSD.

      1. O défice martelado e as dividas a crescer está-se mesmo a ver onde isto vai esbarrar. Depois será mais fácil fazer investidas pelo lado do “Porexit” do que tentar entrar pelo tal caminho que ninguém quer entrar, que é o de cortes e reformas no Estado. Para lá vamos.

  4. Portugal um país doente onde a maior actividade da Ágora é como justificar ir buscar dinheiro aos cidadãos com a protecção da violência do Estado.

    Não é inventar, nem criar, nem fazer. Ideias? tecnologia?
    Discutir quais os impedimentos à criação, invenção em Portugal ? Nada disso interessa.

    A Àgora discute o dinheiro e posses dos outros e como as extorquir.

    Portugal um país doente.

    1. “A pátria está doente.” Faz lembrar a proclamação do general Carmona em 1925. Um ano antes do 28 de Maio, de que foi um dos protagonistas.
      Não tem nada a ver esse período de agonia da I República com os dias de hoje, em que Portugal está inserido no espaço comunitário europeu. A melhor vacina contra as tentações totalitárias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *