
Livraria Bertrand, Avenida de Roma (Lisboa), ontem de manhã
Encontrar livros nossos à disposição do público nos postos de venda tem destas ironias saborosas: a minha mais recente obra, 2017 – As Frases do Ano, surge junto A Língua Resgatada, de Elias Canetti. Que figura há anos entre os meus autores de culto.
Por uma vez somos vizinhos, caro Elias. Nem imaginas como me satisfaz.

É uma disposição casual: as livrarias Bertrand estão constantemente a mudar a posição dos livros que têm em exposição. Não ficam na mesma posição mais do que uma semana, creio; e é se ficarem tanto!
E é um balde de água fria também casual, espero…
Luís Lavoura, sabemos isso, outros haverá que o não sabem – duvido que o Pedro Correia pertença a este grupo!
Mas contar a verdade, mesmo que de um inocente segredo de Polichinelo, a alguém que está feliz é como dizer a uma criança que o Pai Natal não existe: maldade 🙁
Não conheço nada do autor que admira.
Mas o título parece colocar o livro na linha dos ensaios…
… mais um motivo para me obrigar a ir ao centro comercial, vá lá que estão lado a lado – sou preguiçosa.
E não percebo a mania que a Bertrand tem em se encafuar em centros comerciais quando as ruas são tão mais bonitas!!!!
Esta livraria tem porta para a rua, Sarin. À boa moda antiga.
Quando posso vou ao Chiado – que linda ficou! Mas senti-a mais desorganizada, talvez por ser Natal e eu estar habituada às boas gentes que me aturam naquela que mais frequento, ali no Alto do Vieiro depois de passar as escadas rolantes…
Enfim, a “Rua 32” fechou há anos – não duvido que o teriam em destaque, Pedro, mesmo que sem desconto… Felizmente sobreviveram outras, mas com horários mais envergonhados, uma pena.
Na Bertrand, apesar da iluminação artificial, sabem de literatura e não há cheiro a café, só a livros 🙂
(E agora tenho que me retractar, ou ainda acontece como aquando das Grandes Invasões de Pip Oca)
Confira:
Auto-de-fé é o único romance de Elias Canetti. Obra magistral, catapultou este escritor de génio forte e individual para a categoria dos principais autores europeus, ao lado de Robert Musil, Hermann Broch e Karl Kraus. Proibido pelo regime nazi aquando da sua publicação, este é hoje considerado um dos livros fundamentais da história da literatura ocidental. Auto-de-fé narra a história do professor Peter Kien: sinologo e erudito. O seu apartamento é uma imensa biblioteca onde Kien se refugia para evitar todo e qualquer contacto físico e social. O ponto de viragem da sua vida é o casamento com Therese, a sua governanta. Se Kien é um homem composto de livros, Therese é a sua contrafigura pragmática e mesquinha. Expulso da sua própria casa, Kien empreenderá uma viagem aos infernos, com final trágico e surpeendente.
https://www.wook.pt/livro/auto-de-fe-eli as-canetti/10895047
Obrigada pelo resumo, Vlad.
Duplamente satisfeita: por perceber que Cannetti escreveu sobre matéria que muito aprecio, e por verificar que as maleitas não vingaram sobre a vontade.
Boa continuação, mas cuidado porque as cervicais ficam danadas com a brincadeira… 🙂
Há realmente livrarias Bertrand em espaços horríveis. A do Chiado é má, a do Campo Pequeno é pior.
Mas a do Picoas Plaza é bastante agradável. Melhor que a da Avenida de Roma.
Acho o espaço do Chiado bonito, aconchegante.
E muito mal aproveitado, confesso: merecia ser menos impessoal, mais organizado, mais biblioteca – porque uma livraria onde não se possa folhear calmamente e absorver um suave aroma ou a essência de um livro não passa de um supermercado de letras.
Precisa de menos cartazes, de mais prateleiras. E recantos para pousar, folhear, revirar um livro e um outro a seguir. Sofás são dispensáveis, mesas não. Excepto talvez para quem compra pela capa.
Não me lembro de entrar nas outras que refere, mas acredito – embora a imagem que tenho da de Picoas não seja das melhores.
Mas se calhar ainda é a sépia, por isso anoto a sugestão e tentarei passar por lá numa próxima ida à metrópole.
Acho o espaço do Chiado bonito, aconchegante.
Eu a recordação que tenho dele (já não vou lá há anos, e não desejo voltar) é a de um espaço muito atravancado, onde as pessoas mal têm espaço para se mexer, há gente a mais, e muito escuro e profundo, gerando sensações de claustrofobia mesmo em mim que não sou claustrofóbico.
Uma livraria, tal como qualquer outra loja, quer-se com espaço para as pessoas se mexerem e com luz natural.
Foi remodelada.
Mas ainda bem que há gostos distintos e respostas para esses gostos.
Livrarias com luz natural? Isso é uma raridade, se não mesmo um contra-senso: seriam necessárias muitas janelas e clarabóias, poucas prateleiras… e um horário pouco flexível. E embora aprecie livrarias com montras grandes de rua, quero iluminação qb para poder ler as letras pequeninas das bandas das contracapas, quero livros e livros para poder navegar, quero gente a comprar para que a livraria não feche por falta de clientes – pelo menos por isto, não.
A Bertrand do Chiado está numa das melhores fases de sempre. Remodelada mas mantendo a ‘patine’ dos tempos de um Eça, um Pessoa, um Aquilino.
A apresentação do meu livro será precisamente lá, o que muito me orgulha.
Um excelente local, Pedro!
E quando?
Já agora, uma voltinha pelo País, sei lá, 150km a Norte, não?
Depende da editora. O meu livro anterior teve sessões de apresentação no Porto, em Braga e Viseu. Foi excelente.
Mas cada caso é um caso.
Então tente arranjar um caso para Leiria, sff.
A Bertrand fica mesmo à saída da A8 🙂
Pelo menos na parte das artes a Bertrand do Chiado está recheada de livros difíceis de encontrar noutros sítios (na FNAC é uma miséria, mas a FNAC já se conformou a ser apenas uma loja de electrodomésticos) e gosto de lá ir, embora admita que há ali qualquer coisa de gruta decadente e que se os empregados estivessem a virar bifanas e a sacar super bocks não se notaria diferença nenhuma no atendimento.
Serei talvez suspeito, mas para mim a Bertrand dá 10 a zero à FNAC.
Foi um pouco esse distanciamento que senti, V., esse nem-estou-nem-me-interessa.
Mas dei o desconto por ser época de Natal – remexidos os livros, cansados os funcionários e os clientes, uns carregados de compras outros de impaciências…
Espero que esteja agora como disse o Pedro – um quase-Paraíso, portanto 🙂
O centro comercial do campo pequeno é horripilante — parece um antro tropical, cheio de lojas de sandes manhosas e só falta o crrrr das pistolas de tatuagens e uma cena de porrada com facas entre afro-descendentes. É o tipo de sítio onde se encontram bruxas brasileiras, conchas, búzios e pulseirinhas de pano dos anos 80.
Gosto muito da Bertrand do Chiado. E sou frequentador assíduo das livrarias na Avenida de Roma, no Vasco da Gama e nas Amoreiras – estas duas em centros comerciais mas com a sua personalidade muito própria. E cheias de livros, ao contrário da FNAC, que tem sobretudo artefactos tecnológicos.
FNAC para mim é sinónimo de ar condicionado.
Condicionado a aleatoriedades literárias… ordem alfabética? Há lá algo mais impessoal?! “Humm, hoje apetece-me um autor em R…” Pffff…!
Condicionado a rotações de serviçais… “Sugestões nesse estilo? Olhe, temos ali no expositor os mais vendidos da semana” Grrrr!!!!
Condicionado a urgências e a nítidos “esta-não-é-a-minha-praia” pré-embrulhados e prontos-a-levar: “só um bocadinho, eu não sou daqui, vou chamar alguém do sector” Eu não preciso de quem me ensine a pesquisar no computador as “existências do artigo”, eu quero gente que fale livrês…
Más experiências? Talvez, mas suficientes.
Pois…
Muito bem acompanhado. Normalmente os livreiros colocam os autores e os titulos com mais relevância em destacaque.
E concordo com a Sarin a Bertrand do Chiado é a mais bonita de todas.
Gosto muito da Bertrand do Chiado. Ainda há pouco lá estive durante quase uma manhã inteira. A ler o que quis, a consultar o que me apeteceu, sem ninguém chatear.
É para mim a melhor livraria portuguesa logo a seguir à Lello, no Porto.