O meu vizinho Canetti


Pedro Correia,

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 Livraria Bertrand, Avenida de Roma (Lisboa), ontem de manhã

 

Encontrar livros nossos à disposição do público nos postos de venda tem destas ironias saborosas: a minha mais recente obra, 2017 – As Frases do Ano, surge junto A Língua Resgatada, de Elias Canetti. Que figura há anos entre os meus autores de culto.

Por uma vez somos vizinhos, caro Elias. Nem imaginas como me satisfaz.

26 comentários em “O meu vizinho Canetti”

  1. É uma disposição casual: as livrarias Bertrand estão constantemente a mudar a posição dos livros que têm em exposição. Não ficam na mesma posição mais do que uma semana, creio; e é se ficarem tanto!

    1. E é um balde de água fria também casual, espero…

      Luís Lavoura, sabemos isso, outros haverá que o não sabem – duvido que o Pedro Correia pertença a este grupo!

      Mas contar a verdade, mesmo que de um inocente segredo de Polichinelo, a alguém que está feliz é como dizer a uma criança que o Pai Natal não existe: maldade 🙁

  2. Não conheço nada do autor que admira.

    Mas o título parece colocar o livro na linha dos ensaios…

    … mais um motivo para me obrigar a ir ao centro comercial, vá lá que estão lado a lado – sou preguiçosa.

    E não percebo a mania que a Bertrand tem em se encafuar em centros comerciais quando as ruas são tão mais bonitas!!!!

      1. Quando posso vou ao Chiado – que linda ficou! Mas senti-a mais desorganizada, talvez por ser Natal e eu estar habituada às boas gentes que me aturam naquela que mais frequento, ali no Alto do Vieiro depois de passar as escadas rolantes…

        Enfim, a “Rua 32” fechou há anos – não duvido que o teriam em destaque, Pedro, mesmo que sem desconto… Felizmente sobreviveram outras, mas com horários mais envergonhados, uma pena.

        Na Bertrand, apesar da iluminação artificial, sabem de literatura e não há cheiro a café, só a livros 🙂
        (E agora tenho que me retractar, ou ainda acontece como aquando das Grandes Invasões de Pip Oca)

    1. Confira:

      Auto-de-fé é o único romance de Elias Canetti. Obra magistral, catapultou este escritor de génio forte e individual para a categoria dos principais autores europeus, ao lado de Robert Musil, Hermann Broch e Karl Kraus. Proibido pelo regime nazi aquando da sua publicação, este é hoje considerado um dos livros fundamentais da história da literatura ocidental. Auto-de-fé narra a história do professor Peter Kien: sinologo e erudito. O seu apartamento é uma imensa biblioteca onde Kien se refugia para evitar todo e qualquer contacto físico e social. O ponto de viragem da sua vida é o casamento com Therese, a sua governanta. Se Kien é um homem composto de livros, Therese é a sua contrafigura pragmática e mesquinha. Expulso da sua própria casa, Kien empreenderá uma viagem aos infernos, com final trágico e surpeendente.

      https://www.wook.pt/livro/auto-de-fe-elias-canetti/10895047

      1. Obrigada pelo resumo, Vlad.

        Duplamente satisfeita: por perceber que Cannetti escreveu sobre matéria que muito aprecio, e por verificar que as maleitas não vingaram sobre a vontade.
        Boa continuação, mas cuidado porque as cervicais ficam danadas com a brincadeira… 🙂

    2. Há realmente livrarias Bertrand em espaços horríveis. A do Chiado é má, a do Campo Pequeno é pior.
      Mas a do Picoas Plaza é bastante agradável. Melhor que a da Avenida de Roma.

      1. Acho o espaço do Chiado bonito, aconchegante.
        E muito mal aproveitado, confesso: merecia ser menos impessoal, mais organizado, mais biblioteca – porque uma livraria onde não se possa folhear calmamente e absorver um suave aroma ou a essência de um livro não passa de um supermercado de letras.
        Precisa de menos cartazes, de mais prateleiras. E recantos para pousar, folhear, revirar um livro e um outro a seguir. Sofás são dispensáveis, mesas não. Excepto talvez para quem compra pela capa.

        Não me lembro de entrar nas outras que refere, mas acredito – embora a imagem que tenho da de Picoas não seja das melhores.
        Mas se calhar ainda é a sépia, por isso anoto a sugestão e tentarei passar por lá numa próxima ida à metrópole.

        1. Acho o espaço do Chiado bonito, aconchegante.

          Eu a recordação que tenho dele (já não vou lá há anos, e não desejo voltar) é a de um espaço muito atravancado, onde as pessoas mal têm espaço para se mexer, há gente a mais, e muito escuro e profundo, gerando sensações de claustrofobia mesmo em mim que não sou claustrofóbico.

          Uma livraria, tal como qualquer outra loja, quer-se com espaço para as pessoas se mexerem e com luz natural.

          1. Foi remodelada.
            Mas ainda bem que há gostos distintos e respostas para esses gostos.

            Livrarias com luz natural? Isso é uma raridade, se não mesmo um contra-senso: seriam necessárias muitas janelas e clarabóias, poucas prateleiras… e um horário pouco flexível. E embora aprecie livrarias com montras grandes de rua, quero iluminação qb para poder ler as letras pequeninas das bandas das contracapas, quero livros e livros para poder navegar, quero gente a comprar para que a livraria não feche por falta de clientes – pelo menos por isto, não.

          2. A Bertrand do Chiado está numa das melhores fases de sempre. Remodelada mas mantendo a ‘patine’ dos tempos de um Eça, um Pessoa, um Aquilino.
            A apresentação do meu livro será precisamente lá, o que muito me orgulha.

          3. Um excelente local, Pedro!
            E quando?
            Já agora, uma voltinha pelo País, sei lá, 150km a Norte, não?

          4. Depende da editora. O meu livro anterior teve sessões de apresentação no Porto, em Braga e Viseu. Foi excelente.
            Mas cada caso é um caso.

      2. Pelo menos na parte das artes a Bertrand do Chiado está recheada de livros difíceis de encontrar noutros sítios (na FNAC é uma miséria, mas a FNAC já se conformou a ser apenas uma loja de electrodomésticos) e gosto de lá ir, embora admita que há ali qualquer coisa de gruta decadente e que se os empregados estivessem a virar bifanas e a sacar super bocks não se notaria diferença nenhuma no atendimento.

        1. Foi um pouco esse distanciamento que senti, V., esse nem-estou-nem-me-interessa.

          Mas dei o desconto por ser época de Natal – remexidos os livros, cansados os funcionários e os clientes, uns carregados de compras outros de impaciências…

          Espero que esteja agora como disse o Pedro – um quase-Paraíso, portanto 🙂

      3. O centro comercial do campo pequeno é horripilante — parece um antro tropical, cheio de lojas de sandes manhosas e só falta o crrrr das pistolas de tatuagens e uma cena de porrada com facas entre afro-descendentes. É o tipo de sítio onde se encontram bruxas brasileiras, conchas, búzios e pulseirinhas de pano dos anos 80.

        1. Gosto muito da Bertrand do Chiado. E sou frequentador assíduo das livrarias na Avenida de Roma, no Vasco da Gama e nas Amoreiras – estas duas em centros comerciais mas com a sua personalidade muito própria. E cheias de livros, ao contrário da FNAC, que tem sobretudo artefactos tecnológicos.

          1. FNAC para mim é sinónimo de ar condicionado.
            Condicionado a aleatoriedades literárias… ordem alfabética? Há lá algo mais impessoal?! “Humm, hoje apetece-me um autor em R…” Pffff…!
            Condicionado a rotações de serviçais… “Sugestões nesse estilo? Olhe, temos ali no expositor os mais vendidos da semana” Grrrr!!!!
            Condicionado a urgências e a nítidos “esta-não-é-a-minha-praia” pré-embrulhados e prontos-a-levar: “só um bocadinho, eu não sou daqui, vou chamar alguém do sector” Eu não preciso de quem me ensine a pesquisar no computador as “existências do artigo”, eu quero gente que fale livrês…
            Más experiências? Talvez, mas suficientes.

    1. Gosto muito da Bertrand do Chiado. Ainda há pouco lá estive durante quase uma manhã inteira. A ler o que quis, a consultar o que me apeteceu, sem ninguém chatear.
      É para mim a melhor livraria portuguesa logo a seguir à Lello, no Porto.

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