Homenagem.


Luís Menezes Leitão,

Quero aqui expressar publicamente a minha homenagem ao deputado Paulino Ascenção. Quando vejo tanta gente envolvida nos maiores escândalos se limitar a dizer que está de consciência tranquila e seguir em frente como se nada se passasse, que haja ao menos um deputado que assume frontalmente as suas responsabilidades e tira a única consequência possível das mesmas: a renúncia ao cargo. Que sirva de exemplo.

17 comentários em “Homenagem.”

  1. Pensei na volatilidade das justas acções quando li a notícia.

    Leio a demissão como prova de carácter. Mas de que serve isso, se quem se afasta é exactamente quem percebe e se envergonha da asneira? Ficam os outros. Ficamos com os piores.

    É que não faz sentido haver demissões por honra num país em que ninguém faz leituras políticas da abstenção – ou se fazem provam ser demiurgos com iliteracia funcional.

  2. Concordo totalmente com este post.
    Mais: o deputado não somente se demitiu do cargo como vai devolver o dinheiro que surripiou aos contribuintes. (Não o vai devolver ao Estado porque tal não é possível, vai doá-lo a IPSSs.)
    Só lhe fica bem.

  3. Mais homenageio a deputada (so PSD) Rubina Berardo (sobrinha de Joe Berardo) por ter sido, aparentemente, a única que não se serviu deste esquema para subtrair indevidamente dinheiro ao Estado.

  4. A honestidade rareia de tal forma que nos prostramos perante os menos sujos.

    Para começar o dito deputado deveria ter recusado a duplicação de abonos. E fica sempre mal uma demissão em cima de uma noticia jornalística. Agora é engraçado ver os outros que, fazendo uso do mesmo chico-espertismo, se mantem no cargo

  5. Enquanto isso:

    Não me admiro que o deputado Cesar (Açores) exija que o Estado lhe pague o restante que desembolsou nas muitas viagens à sua terrinha!

    1. Eu admiro-me – ia a escrever espanto-me – que o deputado César (Açores) exija que o Estado lhe pague o reembolso de valores que Não desembolsou, respeitantes viagens que ele NÃO fez à sua santa terrinha e que, isso se sabendo, o PS não abane.
      Parece que anda tudo anestesiado.

  6. cedo ou tarde, por isto ou por aquilo, o que é certo é que deve estar a passar por parvo (no mínimo) entre os seus ex-pares no hemi.

  7. O chato disto é vir-se a saber que, afinal, o Ascenção já tinha anunciado a sua saída do Parlamento, para se dedicar a tempo inteiro à preparação das eleições regionais.

  8. Bem, se o deputado não pode devolver ao Estado, então, é legal o que recebe. O que deve estar em causa é a alteração da lei e não os que dela beneficiam.
    Há quem beneficie de leis injustas, mas é a lei que é injusta. Se não é injusta, então que se clarifique a lei.

    Vem isto a propósito para dizer que o estalinismo legal, o tal refinado, não se pode transformar em estalinismo moral quando a lei prega destas partidas.

    1. “se o deputado não pode devolver ao Estado, então, é legal o que recebe.” Não vê que sendo um político tem de ser automaticamente um escroque? No caso roubou uma coisa que nem o dono quer ver devolvida!!!! É o dono que então deve ser punido por ser parvo.
      Isto é a minha opinião que é minoritária. Mas um dia, quando a onda de populismo passar, há-de ser maioritária.

      1. Aí está o estalinismo legal, o tal refinado.
        Mas o deputado do BE vai na onda do estalinismo moral. Nem um nem outro me alegram. Da mesma forma que não me alegra a onda de bloquear o piropo, estalinismo moral, nem a lei que lhe subjaz, estalinismo legal.
        Digo eu, que até nem assobio às moças. Mas o BE já nos habituou a estas coisitas de verter literatura para inglês ver.

        Concluindo, sobre a sua opinião: quando ela for maioritária será então populista. Aconselho que mude nessa altura.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *