Cumpri em Dezembro 9 anos a viver na Holanda já sabendo que não chegaria aos 10. Irei começar em Abril uma nova etapa da minha vida profissional que me levará a viver novamente numa Alemanha onde estive pouco depois de terminar o curso. Ao todo passei 10 anos dos 19 da minha vida adulta a viver fora do país onde nasci.
Isto de nascer num determinado país tem que se lhe diga. Os holandeses têm uma peculiaridade curiosa: quando lhes é dito que a Holanda é um bom país para viver mas que se gosta mais do país X ou Y (habitualmente o país de origem, como é natural), eles estranham, como se fosse possível preferir outro país que não os Paraísos Baixos. Esta é uma característica que partilham (tal como muitas outras) com muitos estado-unidenses.
Analisando os factos esta perplexidade faz sentido. A Holanda (ou os EUA) tem uma qualidade de vida superior à da esmagadora maioria dos países do mundo, os salários permitem vidas relativamente tranquilas a quase toda a população, é comparativamente fácil obter emprego e, quando se está desempregado, há uma boa rede de suporte social. Os serviços públicos e privados funcionam bem e o país está bem estruturado. Os cuidados de saúde e a educação são de qualidade e o acesso a eles é simples. Porque não preferir este país aos outros?
Claro que a resposta é sempre simples: é difícil preferir qualquer país àquele onde crescemos simplesmente porque foi a este que nos habituámos. Conhecemos o temperamento das pessoas, por mais ilógico que seja. Sabemos como manobrar pelas vielas dos favores necessários a obter certos serviços mesmo quando não aprovamos tais atitudes. Aceitamos os ruídos, os cheiros e a desorganização mesmo quando não fazem sentido. Conhecêmo-los. Fazem-nos sentir em casa.
Notei-o pela primeira vez quando visitei uma amiga em Bruxelas, após dois anos na Holanda. A comparativa desorganização e sujidade da cidade, que a tornam mais desagradável que a cidade média holandesa, fez-me sentir em casa. Ainda hoje ao chegar ao aeroporto de Lisboa só me sinto de facto em casa quando saio porta fora da zona de chegadas e ouço as buzinas e sinto o cheiro a combustível que estão ausentes das assépticas cidades holandesas.
No fim de contas, a maior perplexidade não é tanto a holandesa ao saber que continuarei a preferir Portugal para viver. Antes é a minha, por não ver como é que os holandeses não compreendem (mesmo não partilhando) a minha preferência. E, nessa perplexidade, recebo parte das razões para a minha preferência.

Depois do “stamppot” deixei de pôr essa questão com medo de ter de os humilhar. 😀
Boa sorte na terra dos “schweinshaxe”.
Essa é realmente uma má iguaria, mas nem percebo porque razão é tão usada como exemplo. A cozinha holandesa não é má de todo. Tem boas influências indonésias e até italianas e marroquinas (mais recentemente). Usar o stamppot como exemplo da cozinha holandesa é como usar o cozido à portuguesa como exemplo da portuguesa. Tudo muito bem que o cozido é bom (eu gosto), mas comparado com muitas outras iguarias é sensaborão.
Mas enfim, obrigado pelos votos. Mas a haxe deixo-a para alturas mais específicas, como às salsichas. Vou explorar o que há nestas novas zonas.
Ainda hoje ao chegar ao aeroporto de Lisboa só me sinto de facto em casa quando saio porta fora da zona de chegadas e ouço as buzinas e sinto o cheiro a combustível que estão ausentes das assépticas cidades holandesas.
Não compreendo este post.
Vivi cinco anos no estrangeiro e, quando regressei a Portugal, tive a impressão de que estava na Índia, devido ao mau cheiro, à sujidade, e ao primitivismo e estupidez das gentes, e tive pena. Não vejo como se possa gostar de tal coisa.
O autor do post prefere as ruas portuguesas, todas borradas de caca de cão, às holandesas? Prefere os carros estacionados por toda a parte em cima dos passeios? Sente-se em casa perante tais espetáculos?
Eu sinto-me triste, e invejo o autor do post por poder viver na Holanda ou Alemanha.
Acho que lhe escapou totalmente o propósito do post. Aquilo que tendo de explicar é que, mesmo com todos esses incómodos, acabo por ter uma sensação. Não porque deles goste, mas porque me recordam as minhas origens.
Quanto à inveja, lamento muito que não esteja por estas terras. Tem boa solução: tente mudar. Talvez após 10 anos me perceba melhor.
Claro que o Sr. Luís Lavoura não pode entender este post, para que isso fosse possível teria que ser uma pessoa sensível, mas não, é um chato que só apetece dar estalos… (desculpe lá, mas agora apeteceu-me mesmo usar da sua crua sinceridade ).
Ás vezes podemos não usar da inteligência ou da razão e nessa altura ao usarmos a sensibilidade encontramos uma definição diferente para as coisas, percebe??? não, claro que não!