Ainda sou do tempo em que a competência para discutir novos impostos estava atribuída à Assembleia da República. Agora, pelo visto, para se ser um bom cidadão, mais do que pagar impostos, importa é propor novos caminhos na cruzada do esbulho fiscal. Não falta quem esteja disposto a contribuir. Com propostas, entenda-se. De Cavaco Silva a aprendizes de Warren Buffett, cada vez há mais praticantes deste desporto nacional. O último foi o Bastonário da Ordem dos Médicos. Diagnóstico feito, veio rápida a prescrição. Tribute-se o fast food. Uma boa ideia, à primeira vista. Mas, aprofundado o assunto, parece-me que, tal como no caso do imposto sobre os ricos, a medida apresenta um conjunto de dificuldades técnicas insuperáveis. Desde logo, o próprio conceito. Ainda é fast food um hambúrguer se o comermos devagar? Justificar-se-ia, ou não, uma isenção para o kebab? E depois é preciso ter em conta que muitas cadeias de fast food são estrangeiras. E nós não podemos afastar o investimento estrangeiro, pois não? E temos ainda a fuga de capitais. Com o tal imposto não faltaria por aí empresário que preferisse, em lugar de investir na Avenida de Roma, abrir o seu McCoiso em Ayamonte, Tui ou Verín. Posto isto, aguardo com ansiedade o contra-ataque do Bastonário da Ordem dos Advogados (ousará avançar com um imposto sobre as batas brancas?) e da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros: um imposto sobre as togas negras, mesmo sabendo que contaria com a oposição da Associação Sindical dos Juízes? Enfim, tudo somado, parece-me que, mais uma vez, o bolinho de bacalhau é que se vai lixar.
O meu imposto é melhor do que o teu
Rui Rocha,

Ai, tu não agoures!
Já não te lembras de, durante a crise ’83-’86, quando no ‘Duarte & Companhia’ o Tó tinha o salário de detective em atraso por seis meses e era pago com ‘A Bola’ (trissemanal?) + 4 Pastéis de Bacalhau p/almoço?!
Não nos sobretaxem os salgadinhos!
Pronto, tributem-se as iscas de fígado.
Pergunto ao sr Bastonário O. Médicos:
Como cobrar o faste-fooda confecionado em casa?
O Fisco vai cheirar as cozinhas?
Lá se vai a minha sandes de coirato pr’o camando!
Coirões!
Salvem-se as moelas.
Se a sugestão se concretiza, os vendedores de sandochas de coiratos nas roulotes vão à falência em dia de jogo no estádio da Luz.
Restam os pinchos de rúcula com nabo.
Rui, olha que já alguém se lembrou de algo parecido:
http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfo und/posts/2011/09/04/hungria-institui-im posto-sobre-gordura-sal-acucar-403009.as p
Sim, eu sei. Estive em Budapest nas férias e só comi goulash para não me arruinar. Mas, antes de mais, talvez valesse a pena repensar a venda de croissants nas escolas.
Fizeste bem, até porque o goulash não tem gordura nenhum :))))
Na minha escola há a preocupação de não haver demasiadas porcarias à venda.
Pedia sempre desnatado e sem sal…
Ca nojo.
Também vinha aqui dizer que o ministro deve ter estado na Hungria, mas a Leonor adiantou-se.
Mas se não pudermos chegar aos pasteis de bacalhau, há sempre os dois copinhos de vinho branco…
Ou o café com um cheirinho…
O Rui Rocha que nem pense abrir um “McCoiso” em Tui. Já lá existe o “Burger King”, não quero concorrência!
E é isto, Dylan. Quando se pretende mudar alguma coisa, ficamos logo bloqueados pelos “interesses”.
Só se pagares imposto!
Ahahahahahaha!
Antes do lançamento do Imposto
Soube agora que o Instituto Superior Tecnico, por enconenda do M.das Finanças ,está a desenvolver um aparelho designado ” Fastefodrometro” com o intuite de ser entregue aos contribuintes….
Quando souber mais digo…
Mal podemos esperar, Amendes. E o nome é muito sugestivo.