«Já a devo ter contado, não sei, mas agora o contexto exige-a. Passa-se no tempo em que na Doca de Belém não havia pontões; os barcos estavam amarrados longe dos paredões da doca, e para irmos para bordo chamávamos uma chata, tripulada por um senhor conhecido por Zé da Viola.
O Zé da Viola arrefinfava-lhe bem no tinto, e/ou no whisky, e/ou no que viesse; era grande, enorme. Cada braço dele parecia uma das minhas coxas, e cada coxa duas das minhas; e, como se vai ver, bruto como as casas.
Um dia o barco em que eu na altura navegava foi vendido, e o proprietário, um engenheiro de esmerada educação, resolveu apresentar o novo dono ao Zé. Chamou-o e disse-lhe “Zé, apresento-lhe o novo dono do …, o Senhor Fulano de Tal”. “Boa tarde, senhor Fulano de Tal. É Doutor ou Engenheiro?”
– Boa tarde, Senhor Zé, pode tratar-me só por Senhor Fulano de Tal, eu não …
– Senhor Fulano de Tal o c…o. Eles aqui são todos doutores e engenheiros, e você não havia de ser porquê?»
O Zé da Viola arrefinfava-lhe bem no tinto, e/ou no whisky, e/ou no que viesse; era grande, enorme. Cada braço dele parecia uma das minhas coxas, e cada coxa duas das minhas; e, como se vai ver, bruto como as casas.
Um dia o barco em que eu na altura navegava foi vendido, e o proprietário, um engenheiro de esmerada educação, resolveu apresentar o novo dono ao Zé. Chamou-o e disse-lhe “Zé, apresento-lhe o novo dono do …, o Senhor Fulano de Tal”. “Boa tarde, senhor Fulano de Tal. É Doutor ou Engenheiro?”
– Boa tarde, Senhor Zé, pode tratar-me só por Senhor Fulano de Tal, eu não …
– Senhor Fulano de Tal o c…o. Eles aqui são todos doutores e engenheiros, e você não havia de ser porquê?»
Do nosso leitor Luís Serpa. A propósito deste texto da Ivone Costa.
