O melhor texto dos últimos tempos


Rui Rocha,
 
A nossa Ivone Costa, na sua A Ronda dos Dias. 

13 comentários em “O melhor texto dos últimos tempos”

  1. Entendo mal o título que escolheu para destacar este post.
    Devo dizer que não sou nem fui professor, mas que já dirigi equipes numerosas, compostas por gente com diversas profissões e diferentes níveis escolares e, talvez por isso, em nada me choca que um dirigente, numa mensagem de Natal, trate a todos os que estão sob a sua alçada por “colaboradores”, sem distinguir nenhuma classe profissional. Muito menos compreendo que isso seja entendido por alguns como uma injúria, como, no caso, aconteceu com a tal professora.
    O que me choca, e já disse isso à autora do post, é o que ouvi, há uns dias, a um seu colega, sobre a sua actividade profissional, e que foi o seguinte: “Acabei de vender três aulitas e agora vou pregar para outras bandas”.
    Quero com isto dizer que os professores, às vezes, não são respeitados por que alguns dos seus pares também não se fazem respeitar.

      1. Desculpe Ivone, mas não estava à espera que me aparecesse aqui, a tomar posição sobre este meu comentário.
        Não entenda mal a minha posição: não estou contra si, nem contra ninguém. Quando muito, estou a tentar entender a atitude da direcção da sua escola, que você diz estimar e que terá agido de boa-fé, talvez influenciada por outros.
        E não tem nada que agradecer a minha insistente atenção por este assunto, que aprecio “de fora”, como já disse, mas que acompanho interessadamente, por querer entender o mundo em que vivo e vivem os meus.
        Bom 2012!

      2. Só agora reparei, apesar de ter escrito isso, que a Ivone também “mora” nesta casa. Se me tivesse apercebido disso, não tinha comentado os seu post aqui. Desculpe.

  2. É assustadora (e também confrangedora) a facilidade com que se substituiem expressões que refletem “tudo e mais alguma coisa”; até sentimentos!
    De repente (ou se calhar não), um “gajo” ser chamado de trabalhador pareceu ser uma ofensa; daí que o mesmo passe a ser um colaborador, não por colaborar mas por (continuar a) trabalhar como sempre fez.
    Exemplos há para todos os gostos. E até para alguns “feitios”!
    Lembro-me de uma frase mencionada por Lampedusa em ” O Leopardo”:
    -é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma!
    Mas com tantas mudanças de concepções de finalidades duvidosas parece-me que a “coisa” cada vez está pior!
    É a minha ideia. Estarei errado? É possível!
    Quem sabe se a (minha) solução não estará na emigração…
    Mas o Kepler22-b a 600 anos luz está um bocado fora de mão.
    Se já houvesse teletransporte…

    Cumprimentos!

  3. A inaceitável desvalorização do valor social do trabalho leva a estas generalizações, com a novilíngua dominante a procurar disfarçar o vazio de ideias e (o que é pior) o vazio de sentimentos. Trabalhadores? Que expressão tão fora de moda… Professores? Jornalistas? Técnicos disto ou daquilo? Népia. «Colaboradores», isso sim. Tudo para transmitir a ideia de que estamos numa sociedade descartável, num mundo descartável, onde nenhum vínculo perdura ou permanece, onde nenhuma qualificação humana sobressai.
    Muito tocante, o teu desabafo. Muito compreensível, o teu desalento.
    Um beijinho, Ivone.

    1. … para professores não esta nada mal… Já agora, meus senhores, ou talvez mestres, como deve alguém, numa só palavra, dirigir-se a gente de com várias profissões, cozinheiros, electricistas, professores, contínuos ou limpadores de sonhos?… Venha daí uma palavra, uma única palavra, para que a possa conhecer e promover.

  4. Concordo com o Tiro ao Alvo. Colaboradores é um termo completo e muito bem aplicado. Talvez injusto porque muitos dos professores, os que vendem aulitas, não sendo colaborantes, não serão, naturalmente, colaboradores. Quanto a lamentos… cada um terá o que merece.

    João Silva – Leiria

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